quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Jovens, Negras, Bem Sucedidas, Bonitas e... Solteiras

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Anteontem estava de bobeira fuçando na internet e vi um vídeo que meu amigo Lawrence Ross, escritor radicado em Los Angeles, postou em seu profile no Facebook. Assisti o mesmo e, por achá-lo interessante, repostei em meu profile. Ao acordar ontem, vi que já havia cinco comentários ao vídeo em meu profile e 23 no de meu truta Lawrence. O vídeo é uma reportagem feita pela ABC News sobre a situação de jovens afro-americanas bem sucedidas profissionalmente, independentes e solteiras que não encontram parceiros dispostos a se casar. Quatro charmosas young single ladies de Atlanta, Geórgia, foram entrevistadas e contaram suas aspirações e decepções em relação a sua busca por um casamento. De início pode parecer algo inusitado e sem importância, nada mais do que algumas mulheres na casa dos trinta anos com receio de ocupar eternamente o papel de titia. Porém, diria que o buraco é mais embaixo. Os números apresentados pela reportagem nos ajudam a entender o problema:

* 42% das mulheres negras dos Estados Unidos nunca se casaram (essa porcentagem é o dobro quando comparada a de mulheres brancas);
* Há mais mulheres negras do que homens negros na população norte-americana: 1.8 milhões a mais.
* Mulheres negras com educação superior tem um horizonte de escolha menor. De um grupo de 100 homens negros, se subtrairmos 21 que não possuem nível superior, 17 que não tem emprego e 8 (entre 25-34 anos) que estão presos, sobram apenas 54 homens disponíveis. Se formos um pouco mais além e acrescentarmos um dado que o canal de TV não cita, mas que com certeza deve ser levado em conta, podíamos subtrairmos mais 8 negros gays. O que deixa nossas sistas com 46 brothas disponíveis.

É claro que alguém irá dizer: mas por que essas adoráveis senhoritas insistem em se casar com homens que apresentam o mesmo nível educacional, econômico e racial que elas? Pois bem, boa parte dos estudos sobre conjugalidade evidencia que a tendência é das pessoas se casarem com alguém extremamente parecido a elas devido a questões de circulação no espaço social, reprodução de riqueza, aspirações e gostos em comum. Em termos técnicos, diz-se que há altos níveis tanto de endogamia como homogamia: endogamia diz respeito ao dados/indíces de uniões dentro do grupo (classe e/ou raça) e homogamia faz referência a traços de similaridade entre os conjugues (nível educacional, idade, profissão, etc). Contudo, o que a reportagem da ABC News não conta é o quais são os fatores que tem contribuído para que estes padrões de endogamia e homogamia não se reproduza de modo tão efetivo na classe média/alta negra.

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Desde os anos 1970, mulheres em geral e mulheres negras em específico, vem entrando em número maior nas universidades, obtendo mais diplomas de graduação e pós-graduação, ocupando cargos de chefia e dos altos escalões de empresas e burocracia estatal e, consequentemente, tendo mais rendimentos do que homens. Esse fenômeno é, em parte, consequência da ação do movimento feminista e da implementação de ações afirmativas em universidades e orgãos estatais. No caso específico das mulheres negras a distância social e econômica em relação aos brothas tem aumentado ainda mais por conta de que homens negros enfrentam uma série de problemas específicos como pior rendimento escolar e, assim, mais dificuldade de ingressar numa universidade, altos indíces de mortalidade, maior exposição a violência policial o que pode resultar em morte ou encarceramento. Outro ponto importante é que com o fim do sistema de segregação nos anos 1960, mais homens negros passaram a se casar fora do grupo racial com mulheres brancas, latinas e asiáticas.

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O resultado geral é uma situação onde há muito mais mulheres negras de classe média/alta disponíveis e prontas para encarar um matrimônio do que homens negros. A situação se complica ainda mais para nossas amigas se considerarmos que elas tem contra si um relógio biológico. Já os homens negros que compõem a fatia dos 46 tendem a se casar mais tarde e aproveitar mais a vida de solteiro o que, em parte, contribui para o agravamento da situação. Por conversas que tive com algumas amigas negras na casa dos trinta anos e solteiras, a situação comfortável dos homens negros - com mais mulheres disponíveis, uma situação financeira estável e sem a pressão de se casarem - que correspondem aos perfis procurados por essas mulheres faz com que os mesmos posterguem suas vidas de solteiro saindo (dating) com várias mulheres ao mesmo tempo, mas não se comprometendo seriamente com nenhuma. Justamente como uma das entrevistadas da reportagem da ABC News afirma elas se tornam uma espécie de carta a ser guardada no bolso como garantia. O problema é saber até quando...

Assista o vídeo da ABC News abaixo.

 Muita Paz!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

De Saco Cheio com a Tecnologia: Twitter, Facebook, Orkut e SL

É verdade, ando de saco cheio da tecnologia. Cada vez mais dou razão ao canadense Marshall McLuhan  (1911-1980) um dos primeiros teóricos da área de mídia que cunhou frases famosas como "the medium is the message", estabeleceu a distinção das mídias entre hot e cold, elaborou a noção de global village ou ainda a interpretação da mídia como extensão dos sentidos humanos. É nessa última perspectiva que sugiro pensar as novas tecnologias virtuais, nada mais do que extensões de nossa fala, audição e visão (logo mais talvez tenhamos mídias que incorporam o paladar e o tato). Sendo assim, acho que a internet, com seus mais diversos recursos, se torna um espaço propício para o exercício de individualismo, xeretice e narcisismo exacerbados.

http://herd.typepad.com/.a/6a00d83451e1dc69e201156e4279f1970c-800wi
 (Marshall McLuhan)

O que mais empolga as pessoas na internet é a possibilidade de saber o que acontece na vida dos outros e, ao mesmo tempo, exporem parte de suas vidas. Fotos, mensagens atualizando o status, comentários aos comentários ou status de outras pessoas em redes de sociabilidade, visitas secretas ao perfil de alguém para saber se ela se encontra casada, solteira, encalhada, namorando ou sei lá o que, twittar notícias interessantes (que na maioria não são nada interessantes!) e frases inspiradoras, circular correntes via email, agradecer a Deus e Jesus por ser tão feliz e abençoad@ e, no final do ano, enviar as mensagens de feliz natal e ano-novo que lotam a minha caixa e me deixam "P" da vida ao ter que apagar uma por uma. A internet é a nova rua onde o boca o boca foi substituído pelo twitter e a fofoca é feita via messenger. Arruma-se namorad@ via sites de encontros e faz-se sexo virtual via webcam. No Second Life, espécie de jogo virtual no qual as pessoas podem (re)criar sua identidade da forma que bem desejarem,  é possível trabalhar, estudar, namorar, fazer sexo e casar de forma virtual.

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Entretanto, as fronteiras entre o "real" e "virtual" são cada vez mais fluídas e as pesquisas que vem sendo feitas por cientistas sociais que se debruçam sobre novas formas de tecnologia tentam evidenciar como categorias vistas pelo senso como novidades - exemplos disso são os termos virtual e network - são formas de organização social ou estados que sempre fizeram parte da sociedade. Mas minha impaciência diz respeito ao narcisismo que envolve essas ferramentas tecnológicas. Não quero mais saber o que meus amigos estão fazendo a cada minuto, o que estão lendo, bebendo, comendo, assistindo e se sentindo afinal, os verdadeiros amigos tem meu número e nada melhor do que uma conversa no mundo real, face to face, regada a umas brejas e petiscos.

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Mas minha intolerância com as novas tecnologias se encontra no ápice devido a ter sido obrigado a ler e realizar apresentações de uma série de autores que tratam do tema. Tive que encarar Pierre Levy, um filósofo francês que há anos vem estudando formas de organização social criadas pelas novas mídias (se você tá interessado leia dele Collective Intelligence e Becoming Virtual, a propósito, já há muito coisa dele traduzido para o português), o último catatau de Manuel Castells (Communication Power, chato pacas!), o jornalista que escreveu o processo de criação do Second Life, Wagner James Au (The Making of Second Life) e o antropólogo Tom Boellstorf com seu Coming of Age in Second Life. Desses, o mais divertidinho é o de Boellstorf onde o antropólogo aplicou as técnicas de pesquisa da observação participante e trabalho etnográfico para pesquisar o SL. Durante quase 3 anos, de 2004 a 2007, o antropólogo fez pesquisas no ambiente virtual do SL usando um avatar com o nome de Tom Bukowski e morando num local que levava o nome de Ethnographia. O livro de Boellstort tenta dar conta das várias facetas do SL incluindo questões relacionadas a dinheiro, sexualidade, estado, política e trabalho dos residentes do SL.

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No curso de Economic Sociology que fiz esse semestre minha professora, Eiko Ikegami, estava extremamente entusiasmada pelas possibilidades trazidas pelo SL (que eu gosto chamar de Second Motherfucking Life!). O approach de Ikegami é interessante: ela entende o SL como um espaço em que relações hierarquizadas são suspensas e as pessoas estão livres para incorporarem outras identidades para além daquelas que possuem na sua vida real. Além disso, esse processo seria algo que teria impacto na vida real das pessoas uma vez que a experiência nessa nova identidade e o contato com outras identidades tende a mudar/transformar os indivíduos. Minha querida mestre ganhou uma grana para pesquisar o SL e obrigou todos os alunos do seu curso a criarem avatares no site. Mas o pior de tudo foi ter que participar de uma conferência via SL num domingo às 11 horas da manhã.  Meu avatar, Xango Soulstar, chegou bêbado de Colt 45 no encontro, já que ele tinha tido ido a uma baladinha na vida real na noite anterior...

Muita Paz (seja ela virtual ou real)!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Salve Kamau!

Já faz quase 12 anos que dividi o palco com Kamau numa apresentação de nossos respectivos grupos de rap, Keima de Arquivo e Consequência, em Rio Claro, inteior de São Paulo num domingo chuvoso de 1998. Depois de algum tempo eu me aposentei do microfone, mas continuei a cruzar Kamau pelos baladinhas hip-hop de São Paulo (Nation, Sintonia, Sala Real, Mood, Hotel Cambridge entre outros), nas Grandes Galerias, no Vale do Anhangabau (onde ele vivia andando de skate), nos ônibus que faziam o trajeto São Paulo-Limeira-Rio Claro (já que ele estudava matemática na UNESP-Rio Claro e meus pais moravam na minha querida cidade natal,  Lixeira) e até na saída do meu trampo na Barra Funda quando dava aulas numa universidade privada situada naquelas bandas enquanto ele estava na área sempre saindo ou entrando em algum sessão de gravação do seu disco. Na minha última ida ao Brasil cruzei Kamau na rodoviária de Sampa e cheguei a conclusão que Marcus Vinícius é um ser multifacetado que se encontra em vários lugares de São Paulo ao mesmo tempo! Já estou antevendo o dia que toparei com Kamau no Brooklyn ou no Harlem, não vai demorar...

Muita coisa aconteceu nesse interim de tempo entre 1998 e 2009 (quase 2010!). Kamau já virou relato meu em livro de antropologia descrevendo balada black, firmou carreira solo e hoje é,  sem dúvida, um dos melhores rappers e freestylers da nova geração do hip-hop paulistano. Fica aqui o meu salve a esse truta. Curta o vídeo do rapaz que esbanja talento abaixo...

Muita Paz!

sábado, 26 de dezembro de 2009

I Get Love Jones For You

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Dias desses estava lendo e tomando café num lugar misto de café/padaria na Lenox Avenue, Harlem. Trocava idéias com o gerente do lugar, um italiano, que eu jurava ser negrão (aparências enganam!), que morre de amores pelo Brasil já que esteve rodando por aí várias vezes. De vez em quando prestava atenção na conversa de uns nego véio que passam à tarde toda e início da noite sentados do lado de fora do estabelecimento conversando, bebendo e olhando o movimento da rua. O papo dos tiozões girava em torno de filmes e um deles dizia: "Shit man, I could take that no more... I didn't want to see no Boys N Hood, no Menace II Society, no Juice..." E eu, me metendo na conversa sem ser chamado, lancei... "BabyBoy, no Baby Boy too" Ao que o nego véio respondeu,  "Yeah, brotha, no Babyboy too" e rimos juntos.

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A conversa dos nego véio fazia referência a onda dos "hood movies" que caracterizam parte dos anos 1990. Esses filmes tinham diretores, atores e público majoritariamente afro-americano e as temáticas giravam em torno da vida do cotidiano do guetos negros norte-americanos dos grandes centros como Nova York (New Jack City: A Gang Brutal, 1990) e Los Angeles (Boys N Hood, 1991) que a essa época viviam o pesadelo da chegada de uma nova droga, barata e devastadora: crack. Tensões raciais marcaram esse período e talvez o marco dessa atmosfera racial assustadora tenha sido os riots que explodiram em LA em 1992 após a absolvição dos policias brancos que haviam espancado Rodney King e que duraram cinco dias. Os hood movies tinham a trilha sonora recheada de rap e não por acaso foi nessa época que ocorreu a ascensão do que veio a ser conhecido como gangsta rap: modalidade desse estilo musical que descrevia o cotidiano e estilo de vida dos membros de gangues como as famosas e arquirivais Bloods (lencinhos vermelhos) e Crips (lencinhos azuis).  Ice T, CMW (Compton Most Wanted), NWA (Niggers With Attitude) são alguns dos nomes que deram o pontapé inicial na parada. Ir ao cinema, assistir um hood movie, ou a um show de rap, ver a perfomance de algum grupo ou rapper, era uma aventura que poucos brancos se arriscavam a fazer. A ascensão dos hood movies consagrou diretores como os Hughes Brothers (Menace II Society, 1993 e Dead Presidents, 1995) e John Singleton que além de Boys N Hood dirigiu outros como Higher Learning (1995), Baby Boy (2001) e, mais recentemente, uma versão multicultural/étnico/racial de hood movie: Four Brothers (2005).

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Mas os "hood movies" estão inseridos numa tradição mais ampla de cinema negro denominada blaxploitation e que teve início no anos 1970. Basicamente, eram filmes com temáticas e atores negros que começaram como produções baratas e alternativas. Os primeiros scripts também canalizavam a situação de insatisfação social vivida pelos afro-americanos em relação a instituições como a polícia e o estado. Esse é o caso do filme que deu o pontapé inicial no movimento Sweet Sweetback's Baadasss Song (1971) de Melvin Van Peebles.  Shaft (1971), de Gordon Parks, impulsionou a faceta comercial do movimento que foi seguida por Superfly (1972) de Gordon Parks Jr. e outros. No final dos anos 1970 o filme Penitentiary, de Jamaa Fanaka, revitalizou o movimento com uma trilogia que terminou no anos 1980. O grande renovador da cena nessa mesma época foi sem dúvida Spike Lee que filmou Do The Right Thing (1989) e abriu as portas de Hollywood para outros diretores negros. Foi a partir dessa época que os hood movies ganharam espaço na produção cinematográfica norte-americana.

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Entretanto, passado algum tempo, essa receita de cinema embedida em temas de violência, conflito entre gangues, jovens negros, tráfico de drogas sempre embalado por uma trilha recheada de rap music  começou a dar sinais de esgotamento. Ninguém mais, na metade dos anos 1990, aguentava mais pagar para ver pretos se matando na tela. Era como se a experiência da população afro-americana fosse apenas aquela e não houvesse outros temas a serem explorados. Foi nessa época que Love Jones (1997) entrou em cena. O filme marca a estréia do diretor Theodore Witcher e conta com um elenco cujo os atores mais conhecidos à época eram Larenz Tate, Nia Long e Isaiah Washington (esse último, pra quem não lembra, é o negrão que foi expulso do seriado Grey's Anatomy ano passado após ter feito comentários homofóbicos contra outro ator da série). O título do filme é algo de nota. Jones é uma gíria que tem dois significados similares no vernáculo negro da língua inglesa dos anos 1970: referência ao uso de drogas ou aos sintomas da abstinência de drogas como heroína. Love Jones, em si, é um termo que é usado para se referir a uma situação na qual não se deixa de pensar na pessoa amada ou as dores da perda de um amor.

O enredo do filme, por sua vez, é manjado, mas funciona. A história se passa em Chicago, Illinois. Darius Lovehall (Larenz Tate) é um jornalista e ex-DJ metido a poeta e aspirante a escritor. Ele acaba de pedir demissão do trabalho que tinha num jornal para se dedicar em tempo integral a tarefa de escrever seu primeiro livro de poesias. Nina Mosley (Nia Long) é uma fotógrafa que busca reconhecimento e colocação para seu trabalho que tem como grande inspiração a obra do fotógrafo Gordon Parks. Ela terminou um relacionamento recentemente e encontra-se desiludida com sua vida afetiva. Savon Garrison (Isaiah Washington), Josie Nichols (Lisa Nicole Ganson), Hollywood (Bill Bellany), Eddie Colens (Leonard Roberts) e outros compõem o grupo de amigos de cerca o casal e vivencia situações de vida similares. Todos são negros, pertencentes a classe média negra local, com idade beirando os trinta anos e aspirando as profissões ou projetos que envolvem um estilo de vida ao mesmo tempo simples e refinado. Jazz, R&B e hip-hop compõem a trilha sonora do filme e dão o tom do clima no qual a trama é conduzida.  O trailer do filme abaixo fornece uma idéia do que falo, assista o mesmo clicando AQUI O filme fez sucesso justamente por colocar na tela personagens negros livres dos estereótipos explorados pelos hood movies. Lá estavam jovens negros bem educados vivenciando os dilemas de início de uma vida adulta entre relacionamentos, conflitos entre amigos e vida profissional. Não demorou para que outros filmes, com o mesmo apelo e mais fracos que Love Jones, fossem produzidos na sequência como o é o caso de The Best Man (1999), de Malcolm D. Lee, Love & Basketball (2000), de Gina Prince-Bythewood, e Brown Suggar (2002), de Rick Famuyiwa.

Lembro de muitos vagabundos xavecadores que, após assistirem Love Jones, começaram a ler poesia e incorporar as "conversinhas" de Darius Lovehall nas suas táticas de conquista.  Recordo até hoje de um maluco amigo meu que não gostava de ler nem gibi e um dia, do nada, virou pra mim no meio de uma conversa de boteco e disse: "Porra Kibe, o que liga agora é ler poesia, tá ligado? Freqüentar uns saraus e os carai!" Fiquei surpreso, esse era o efeito Love Jones em alguns dos meus trutas... Mas eu também era fã das películas e vivia organizando reuniões de casais em que comprávamos garrafas de vinho, alguns aperitivos e levávamos alguns filmes dessa pegada para assistir na casa de alguém. Para fechar, assista uma das melhores partes de Love Jones, o momento em que Darius xaveca Nina lhe dedicando uma poesia declamada numa sessão de open mic. Muita atenção na letra, sexy e style!



Muita Paz!!!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Lançamento Cadernos Negros (17/12)

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Estou aqui enrolado com meus papers no final do semestre (aliás, descumpri a promessa de voltar a escrever nesse blog somente após as finals!) mas é praticamente impossível ficar sem escrever algo em português e que sirva como um break do trampo para retomar o fôlego. Também não deixaria de publicar algo sobre o lançamento da trigésima segunda edição da coletânea de contos/poemas Cadernos Negros, organizada anualmente pelo pessoal do Quilombhoje Literatura. O Quilombhoje é um coletivo de escritores negros sediados em São Paulo que deu início as suas atividades juntamente com o nascimento do Movimento Negro Unificado (MNU) em 1978. Todo ano um livro é lançado alternando entre uma seleção de contos e poemas (acima capa da edição de poemas lançada ano passado). As despesas de edição do livro são bancadas pelos autores e quem coordena toda essa parada é um casal de amigos meus: Márcio Barbosa e Esmeralda Ribeiro.

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Tanto Márcio como Esmeralda são escritores com uma produção literária considerável. Conheci Márcio há muitos anos atrás ainda adolescente e morando em Limeira, interior de São Paulo. Durante a realização de um FECONEZU (Festival Comunitário Negro Zumbi) na "Capital da Laranja" - que agora é "Capital das Bijuterias" -  Márcio montou sua banquinha vendendo exemplares dos Cadernos Negros e me lembro de ter adquirido dois. Sem dúvida posso dizer que os Cadernos Negros - assim como Lima Barreto, Toni Morrison e Alex Haley - tiveram um papel decisivo na minha formação como leitor. Posteriormente, quando me mudei para São Paulo para cursar a USP, Márcio e eu retomamos o contato (aliás, Márcio também é uspiano, fez filosofia na FFLCH/USP). Foi ele que me apresentou um dos autores que mais gosto atualmente: Chester Himes (1909-1984), autor de livros divertíssimos como O Harlem é Escuro (1969), Um Jeito Tranquilo de Matar (1959), A Maldição do Dinheiro (1957), A Louca Matança (1959) e outros. Todos esses títulos já foram traduzidos para o português e recentemente foram reeditados pela LPM Editores. Veja a paradinha AQUI  Dica: se você quer saber como era parte do Harlem até os anos 1960, basta ler o negrão...

Mas voltando ao evento do Quilombhoje, diria que o mesmo já foi incluído na agenda anual do movimento negro paulista e simpatizantes.  É o momento que velh@s amig@s se reencontram colocam o papo em dia, compram o livro e depois partem para uma cerveja em algum boteco no pós evento. A parada também é regada a pret@s bonit@s e descolad@s (se você está precisando arrumar um/a namorad@ nov@, aproveite!). Infelizmente, nos últimos dois anos não tive a oportunidade de comparecer devido a compromissos profissionais (2007) e minha mudança para Nova York (2008). Esse ano não será diferente comigo, mas se você estiver em São Paulo não perca a oportunidade. Informações abaixo:

O Quilombhoje Literatura

convida para o lançamento do livro

CADERNOS NEGROS VOLUME 32 - CONTOS

DIA 17 DE DEZEMBRO DE 2009 (quinta) - a partir das 19h30

No auditório da Uninove, campus Vergueiro

Rua Vergueiro, 235 - metrô São Joaquim - entrada franca


MINI-SEMINÁRIO

LITERATURA AFRO E EDUCAÇÃO: CAMINHOS POSSÍVEIS

Participação

PROF. BAS’ILELE MALOMALO (Nasceu na República Democrática do Congo. É professor da Unicastelo - São Paulo)

PROFa CRISTIAN SALES (Pesquisadora da UNEB - Salvador)

CRISTIANE SOBRAL (Escritora, atriz e professora - Brasília)

Intervenções

EDUARDO SILVA - Ator (Castelo Rá-Tim-Bum) • LIA JONES - Cantora e atriz • MARCO XAVIER - Ator (Turma do Gueto). CÉLIA NASCIMENTO (Atriz). Direção: Helton Fesan - Escritor

DANÇA AFRO

Dançarinos do grupo Umojá

Apresentação: MC Levy e MC Thyko de Souza

Autores do livro: Ademiro Alves (Sacolinha) - Cristiane Sobral - Cuti - Débora Almeida - Dirce Pereira do Prado - Elizandra Souza - Fátima Trinchão - Fausto Antônio - Hélio Penna - Jônatas Conceição - José Luanga Mel Adún - Michel Yakini - Paulo Gonçalves - Serafina Machado - Sergio Ballouk - Sidney de Paula Oliveira - Valdomiro Martins

Apoio: Gabinete Ver. Netinho de Paula / APEOESP Norte II / Dep. José Candido

Muita Paz!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ìmó


domingo, 13 de dezembro de 2009

Revista Sankofa


Meus amigos Flávio Thales e Mury Barbosa (ambos pós-graduandos em história pela Universidade de São Paulo - USP) acabam de fechar mais uma edição de Sankofa, uma revista acadêmica voltada para discussões sobre relações raciais, estudos afro-brasileiros, africanos e diáspora africana na área de história.

A revista encontra-se no seu quarto número e essa edição conta com vários artigos interessantes dentre os quais destaco uma entrevista com meu ex "chefe": Antonio Sérgio Alfredo Guimarães.  O "chefe", como carinhosamente o chamo, é professor do departamento de sociologia da USP, um dos maiores especialistas na área de sociologia das relações raciais no Brasil e foi meu orientador no mestrado. A entrevista é curta, mas interessante e esclarecedora para aqueles que procuram uma discussão sobre cotas e ação afirmativa mais elevada do que o reducionismo vulgar de figuras do tipo de Ali Kamel e Demétrio Magnoli.

Os outros artigos são também uma ótima pedida para professores de ensino fundamental e médio em busca de material sobre a população negra a ser usado em aulas de história, artes, geografia e outras disciplinas.

Enfim, acessem e comprovem. A revista pode ser baixada em PDF.

Muita Paz!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cidade de Mil Grau!

Pois é, se o Rio de Janeiro é só 40, nóis em SP é 1000 grau...  Curta o som Multicultural da rapaziada do Pentagono. É impressão minha ou o hip-hop paulistano está voltando ao gold old times ao mesmo tempo que chega a maturidade? Well, let's see! De tomo modo, é muito bom ouvir rap que não espirra sangue do CD quando você bota pra tocar.  Esses clipezinhos também me fazem sentir falta da bagunça de Sampa, já que os vídeos dessa nova geração - Emicida, Slim Rimografia e agora Pentagono - andam num certo eufanismo da Terra da Garoa... Valeu Sweet Mila Félix pela dica do vídeo... Ah, é dela também o comentário sobre esse aspecto dos clipes que andam super bem produzidos

Aí rapaziada do Pentagono, parabéns pelo som e a qualidade do video! De minha parte, adorei a levada meio ragga ao final do som, di prima!

É nóis nas frita!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vai Curintia!


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Acadêmicos Amestrados

Acadêmicos Amestrados
Por Idelber Avelar
Professor Associado de Português e Espanhol na Tulane University (EUA).
[Texto originalmente publicado na Revista Forum em 2/12/2009]

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Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a "morte de Marx". Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

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Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar - cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de "vagabunda" pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como "o filósofo" pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de "terrorismo de Estado". Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real - por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses - se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como "terrorismo de Estado" a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de "trapalhadas" e chamava Celso Amorim de "líder estudantil" e "cavalo de troia de bufões latino-americanos". Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy - que não tem nada de esquerdista - apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o "melhor chanceler do mundo", nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os "especialistas" sobre isso - agora sim, com aspas - são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Rio de Janeiro Rumo a 2016: Problemas e Belezas!

Enquanto isso, no Rio... (clique na imagem)
 


Well, vamos ser críticos! Recebi a charge ao lado de uma amiga e ela reclamava da valorização do já gasto estereótipo do negro como bandido uma vez que estamos suprarepresentados na parada aí ao lado (8 traficantes negros para 4 brancos). Ok, concordo! Vamos trocar dois traficantes negros por 2 brancos e fica zero a zero, mas não vamos perder a piadinha em cima dos cariocas, né?!

Pois é, as notícias relacionadas Rio de Janeiro tem rodado o mundo mesmo. Estou fazendo uma aula de "media social theory" na New School com um professor coreano e há, além de mim, uma brasileira/carioca na classe. Nas útimas semanas discutimos textos que problematizam os mega-eventos televisivos contemporâneos dentre eles os jogos olímpicos. Meu professor, explicando algo na aula, lançou um olhar irônico e perguntou a minha amiga: "Acharam um corpo num carrinho de supermercado no Rio de Janeiro, o que você acha disso?" Como bom paulista que sou, não perdi a deixa: "E traficantes derrubaram um helicóptero da polícia!" Rio 40 graus!!!

http://img15.imageshack.us/img15/4485/pyeaf0606168.jpg

Mas meu professor prosseguiu seu questionamento com um ponto interessante: como o problema da violência e desigualdade social entre grupos e classes sociais será incorporado no relato que a cidade construirá para os jogos olímpicos de 2016? Os jogos são um mega-evento de proporções globais que constrõem uma narrativa ligando o local com global de formal espetacular. Resta saber o que o Rio de Janeiro irá oferecer além do estereótipo da sociabilidade brasileira boa praça, mulheres bonitas (e seminuas!) e praia, uma vez que a violência tende criar uma sombra que esconderá todas esses aspectos supostamente positivos da identidade carioca e brasileira, em parte.



Por outro lado, muitas discussões sobre o que acontecerá no Rio em 2016 tende a subestimar o interesse/papel dos cidadãos locais na festa. Traficantes, moradores, polícia e qualquer outro carioca e brasileiro vai estar ligado na tela querendo participar e acompanhar os jogos. Acho até mesmo que o evento pode rolar como se fossem quase 30 dias de Copa do Mundo com jogo da seleção brasileira e todos os problemas e rivalidades existentes na cidade serão postergados para serem resolvidos posteriormente. Em conversa com uma amiga do Rio brincávamos que talvez seja possível presenciar um traficante vinculado ao Comando Vermelho e um policial do BOPE tomando cerveja num boteco e assistindo um jogo da seleção feminina de vôlei juntos e discutindo o resultado ao final da partida: "Porra mermão, tu é folgado memo, hein?" Diz o polícia pro soldado do morro que responde, "Que nada parceiro, sô é sujeito homi, tá sabendo? É que os JÓGOSSSS tão rolando aí, senão a gente resolvia essa parada já, morô?", ao que o polícia retruca, "Tem de quê não, cumpadi. Depois dos JÓGOSSS eu te pego, eu te pego vagabundo!"...


 
Em minha opinião, o filme de João Moreira Salles, Notícias de Uma Guerra Particular, lançado em 1999 - vídeo acima, ele está inteiro no YouTube para quem quiser assistir - continua sendo ainda uma das grandes contribuições ao debate sobre os temas da violência, tráfico e relações entre a população moradora das favelas, policiais e traficante. Pegue esse filme e junte ao Babilônia 2000 de Eduardo Coutinho - trecho abaixo - e a leitura do livro Meu Casaco de General (2000) do antropólogo e ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro Luiz Eduardo Soares e você terá um boa introdução ao Rio de Janeiro contemporâneo com seus problemas e belezas!



Pra fechar sem perder o bom humor, uma tiradinha dos cariocas sem maldade...(clique na imagem para ter uma melhor definição)

Muita Paz!





sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Five Days of Black - Maxwell

Adoro pegar o metrô e voltar pra casa por volta das 4:30 da manhã, depois de uma noite de trabalho, assistindo o documentário Five Days of Black presente no último álbum do bonitão Maxwell intitulado Blacksummers'night (2009) e que conta o processo de produção do disco. Abaixo, um preview e pequenos trechos da parada. Como diz meu amigo Léo, a musiquinha de motel de Maxwell (eu gosto pacas de móteis e de Maxwell!)... :)

Muita Paz!



 



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ThankSHITgiving em NYC, Black Friday e Férias...

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Noite de ThankSHITgiving (Dia de Ação de Graças) em New York Shit... Não comi peru não, aliás, que cena seria não: um Kibe comendo peru! Além do mais, odeio thanksgiving e Natal! Right, agora à pouco fui na esquina de casa e comprei um chicken rice no carrinho de uns malucos de Blangladesh. Troquei umas idéias com os trutas: xingamos o ThankSHITgiving ("we don't give a fuck to this American tradition"), falamos de futebol (Ronaldo, Adriano, Maradona e Pelé) e eles - como todo mundo por aqui - disseram que querem visitar o Brasil um dia... Ok, sorte!

Black Friday Nike Air Force 1 Detailed Shots

Amanhã é Black Friday por aqui, dia em que todas as lojas fazem promoções e americanos ficam loucos fazendo o que melhor sabem fazer: comprar, comprar e comprar mais um pouquinho. Benedict Anderson usou o termo "comunidades imaginadas" para qualificar as bases sobre as quais o nacionalismo é construído. Ou seja, a nacionalidade se constrói a partir de elementos simbólicos que são compartilhados por indivíduos de uma mesma nacionalidade e que os identificam como semelhantes mesmo que eles nunca se encontrem na vida. Um traço da identidade/nacionalidade norte-americana é o consumismo, com certeza. Americanos se sentem americanos quando compram! Então, Black Friday é dia de sentir americano... Ah, a foto acima é de um modelo Black Friday Air Force 1, elaborado pela Nike ano passado em homenagem ao diazinho.

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De minha parte só quero avisar aos meus ilustríssimos leitores que tiro, a partir de hoje, férias do blog, Facebook, Twitter, Orkut, do Adium (meu aplicativozinho que me dá acesso a meus cinco messengers) e do Skype! Não, não desligo meu iPhone nem fodendo e mensagens urgentes (declarações de amor, pedidos de casamento e ofertas de trabalho) podem ser feitas através do meu número aos privilegiados em tê-lo (não fique triste se não o tem, tá lá no Facebook!). Enfim, a razão para o sumiço é meio óbvia: o fim do semestre que tá aí e envolve a realização de duas apresentações e elaboração de três papers de 15 páginas cada um. Caso sobreviva a mais um semestre, devo voltar a escrever lá pelo dia 26/12.

Muita Paz à Tod@s e bastante café, Coca Cola, Red Bull e energia pra mim!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mos Def em Santo André (SP)

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FESTIVAL INDIE HIP HOP – ESPECIAL 10 ANOS DULÔCO

SESC Santo André

Dia(s) 05/12, 06/12
Sábado e domingo, das 16h às 22h.

A edição 2009, toma um caráter comemorativo em referência aos 10 anos do primeiro grande festival de Hip Hop realizado pelo SESC-SP, o Dulôco 99, ocorrido há uma década nas unidades do SESC Belenzinho e Itaquera. Fazendo um balanço da produção do gênero em 2009, apresenta grupos que se destacaram e lançaram novos trabalhos ao longo do ano, assim como artistas que fizeram história desde o Dulôco.

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A programação desta edição conta com atividades como shows musicais, oficinas de dança e de DJ, e live painting. Os grafites ficam por conta da dupla de artistas OsGemeos. Os shows nacionais contarão com a presença de Contra Fluxo + Espião; Inumanos + Max B.O; Mamelo Sound System + Elo da Corrente; Kamau + Parteum, Nel Sentimentum, Pizzol, Pentágono, e A Filial. Entre as atrações internacionais, esta edição contará com o Rapper Mos Def, que começou sua carreira no hip hop com o coletivo Native Tongue Posse e com a colaboração em álbuns de grupos como Da Bush Babies e De La Soul. Outra atração internacional é o B-Boy Ken Swift (EUA) pioneiro com 32 anos de carreira e reconhecido mundialmente, sendo um dos membros originais do renomado e tradicional Rock Steady Crew, primeiro grupo de B-Boys a receber o reconhecimento profissional da mídia internacional. O núcleo dos DJ’s que se apresenta durante o festival é composto pelos seguintes nomes nacionais: DJ Tamempi, PG e DJ Pathy de Jesus. O DJ internacional convidado é o norte americano Mista Sinista, um dos mestres do turntablism e integrante da lendária orquestra de toca-discos X-Ecutioners, que ministrará uma oficina para DJ’s especializados em scratch, que será também aberta ao público ouvinte.

Sábado (05/12): Pizzol, Pentágono, Inumanos+Max B.O., Contra-Fluxo+Espião. O DJ da noite será: PG. O MC será: Xis.

Domingo (06/12): Nel Sentimentum, A Filial, Kamau+Parteum, Mamelo Sound System+Elo Da Corrente. A DJ da noite será: Pathy De Jesus e o MC será: Thaíde.

O rapper Mos Def fará o show de encerramento das apresentações dos dias 05 e 06.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Eli Efi & DJ Laylo em São Paulo

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CONEXÃO SÃO PAULO-NOVA YORK

Eli Efi e DJ Laylo estarão pela cidade lançando o documentário “Estilo Hip Hop” (1/12 na Olido) e apresentando faixas do primeiro álbum solo do MC que fundou o DMN (12/12 na Hole Club)

Quer saber o que mais estarão fazendo ou convidar Eli Efi e Laylo para alguma atividade??? Informações a seguir…

No dia 12 de dezembro, Eli Efi vai estar no Hole Clube – na festa comandada pelo DJ Marco – fazendo o pré-lançamento do seu tão aguardado primeiro disco solo. Fundador do grupo DMN – no qual esteve por 16 anos – e há cinco anos morando nos Estados Unidos, Eli Efi vai mostrar pela primeira vez em São Paulo partes do seu álbum feito integralmente em Nova York.

Por enquanto, além da faixa já divulgada na internet – “Propaganda” – www.eliefi.com – o que é possível adiantar é que o disco conta com faixas produzidas por Eli Efi, DJ Max Nos Beatz, DJ Nato, Blood Beats, e Ben Herson (do selo “Nomadic Wax”) e com participações de Sugar Johnson (Nova York), SieteNueve (Porto Rico), Maniphes (Nova York), Delaceiba (Nova York), Atiyya (Nova York), e da cantora Lah Tere (Chicago), integrante do grupo Rebel Diaz.

No palco da Hole Club, Eli Efi estará acompanhado de DJ Laylo e contará também com as participações especiais de Rappin Hood, Peqnoh (Piracicaba), Sombra (ex-SNJ), Rapadura (CE), Ba Kimbuta, DJ Nato, DJ Marco, DJ Max e DJ Slick (DMN).

ELI EFI E DJ LAYLO EM SÃO PAULO

Além da festa de pré-lançamento do CD solo de Eli Efi, ele e DJ Laylo estarão em outros eventos de São Paulo no período em que estarão por aqui. No dia 28 de novembro, ambos vão participar do III Encontro Paulista de Hip Hop, na mesa “Direito a ter direitos”, marcada para às 17h30, em que Eli Efi convidará o jornalista Caco Barcellos, a escritora Conceição Evaristo, além do advogado e MC Tiago Barbosa para discutirem o tema.

No dia 1º. de dezembro, eles estarão na Galeria Olido (19h30) fazendo o lançamento do documentário “Estilo Hip Hop”, de Loira Limbal e Vee Bravo, do qual Eli Efi é um dos personagens – ao lado da MC cubana Magia e do MC chileno Guerrillero Okulto. O Estilo Hip Hop retrata a vida artistica, pessoal, e politica dos tres MCs e foi televisionado em rede nacional nos Estados Unidos no canal PBS World em junho 2009. Na ocasião, haverá ainda um bate-papo com a plateia, que contará também com a participação do MC e produtor Lou Piensa, francês radicado em Montreal (Canadá) e integrante do Nomadic Massive.

Entre os dias 2 e 4 de dezembro, Laylo e Eli Efi vão realizar oficinas para jovens internos da Fundação Casa. E no dia 10 de dezembro, DJ Laylo toca no baile “Sintonia”, ao lado dos DJs KL Jay, Ajamu, Marco e Will.

AGENDA DE ELI EFI E DJ LAYLO EM SÃO PAULO

28/11 – 17h30 – III Encontro Paulista de Hip Hop no Memorial da America Latina. Bate-papo: “Direito a ter direitos”. Eli Efi convida: Caco Barcellos (SP) – Jornalista, Conceição Evaristo (RJ) – Escritora, Tiago Barbosa (SP) – provocador – Advogado e MC

29/11 – Show do Eli Efi no Encerramento do Mês da Consciência Negra de Francisco Morato, no Centro de Integração da Cidadania (Rua Tabatinguera, 45 – Francisco Morato)- horário a definir, em breve no myspace do artista.

01/12 – Mostra do documentário “Estilo Hip Hop” e bate papo na Galeria Olido. 19h30. Avenida São João, 473 – Térreo ao 2º andar, SP.

10/12 – DJ Laylo no Sintonia – festa dos DJs KL Jay, Ajamu, Marco e Will. Alameda Franca, 241 – Jardins. Informações: 3541-1955.

12/12 – Show de Pré-Lançamento do álbum do Eli Efi com participações especias de: Rappin Hood, Sombra, Peqnoh (Piracicaba), Rapadura (CE), Ba Kimbuta, DJ Nato, DJ Max, DJ Marco, DJ Slick (DMN).

CONTATANDO ELI EFI E DJ LAYLO

Eli Efi e Loira Limbal (DJ Laylo) estão abertos a convites para outras atividades no período em que estarão no país. Os interessados devem contatar Marta Celestino pelo telefone (11) 9651-4996 ou enviar email para kontatu@eliefi.com


domingo, 22 de novembro de 2009

Celso Pitta Merece um Troféu Raça Negra?

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/02/celso-pitta.jpg

Madrugada de domingo em Nova York. Acabo de chegar do cinema onde fui assistir Precious e, como já esperava, não gostei. Já tinha lido o livro e achei o filme muito "soft". Mas, mudando de assunto, ontem à tarde estava limpando meu quarto, fuçando na Internet e deixando as coisas prontas para o final de semestre que se aproxima. Navegando no site do Estadão fiquei sabendo do falecimento de Celso Pitta. Fiquei meio transtornado, ainda mais pelo fato de sua morte ter se dado no 20 de novembro, supostamente data da morte de Zumbi dos Palmares - na verdade, ninguém tem muita certeza disso - e Dia Nacional da Consciência Negra. Ao mesmo tempo tenho visto, pela web, fotos de vários amigos meus que participaram da cerimônia de entrega do Troféu Raça Negra, evento anualmente organizado pela Afrobras Impossível não pensar: Celso Pitta irá receber, postumamente, um troféuzinho ano que vem? Ele merece? "Vamos por partes", já diria o velho truta Jack. Entretanto, minha aposta é que Pitta não levará o prêmio devotado aos patrícios ilustres da raça a exemplo do ator Milton Gonçalves na foto aí debaixo.

Milton Gonçalves e Sheron Menezes.
(Nego Véio Milton Gonçalves segurando "firme" o trófeu e a Sheron Menezes, opa!)

Pitta é uma criação da dinâmica política paulista e estará eternamente associado ao que é conhecido nos meios políticos e acadêmicos como malufismo. Paulo Sallim Maluf, um político que dispensa apresentações, foi o padrinho político de Pitta. O economista carioca foi secretário de finanças de Maluf na sua gestão na prefeitura de São Paulo entre 1993/1996 e foi lançado a candidato a prefeitura de São Paulo sagrando-se vitorioso para a gestão 1997/2000. Na época eu fazia cursinho pré-vestibular no Anglo e lembro de uma discussão que tive com uma colega de classe sobre a candidatura de Pitta. Só de ter o nome associado a Maluf, Pitta me metia calafrios, mas a verdade é que uma boa parte das pessoas entrou na onda do voto racializado vindo a eleger o primeiro prefeito negro da cidade de São Paulo.

O voto racializado, ou seja, tendo como fonte de orientação do votante a origem racial do candidato, não é algo comum no Brasil. Abdias do Nascimento, o mais importante ativista negro brasileiro, tentou várias vezes usar essa estratégia, mas a mesma nunca vingou. A maioria dos políticos negros que se elegem no Brasil possuem outras bases eleitorais que agregam a população negra, mas que não se assentam primordialmente sobre ela. Exemplo disso é o caso do deputado federal por São Paulo, Vicentinho, e do também deputado federal, pela Bahia, Luiz Alberto. Ambos são ex-sindicalistas, mas possuem uma ampla aceitação no meio da população negra. Raça, dessa forma, é sempre algo que é usado estrategicamente, ela é um plus que pode contribuir para o sucesso (ou não!) de uma campanha. Entretanto, é difícil encontrar políticos cuja trajetória é marcada pelo ativismo de bases raciais. Mesmo no caso de Abdias do Nascimento, o ativista só chegou ao senado, em 1997, devido a morte do senador Darcy Ribeiro (1922-1997) do qual era suplente no PTB (para um discussão detalhada sobre esse tema ver o livro de meu ex-orientador Antonio Sérgio Guimarães, Classes, Raças e Democracia [2002], também espero o lançamento da tese de doutorado de minha amiga Gladys Mitchell que passa pelo tema).

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/03inpittablog.jpg
(Pitta e sua grande promessa: Fura-Fila)

Com Pitta, o apelo racial foi uma grande sacada estratégica de Maluf (também não gosto dele, mas é necessário tirar o chapéu a visão de jogo político do "homi"). A década de 1990 é vista como um divisor de águas na história do movimento negro no Brasil. Em 1995, com o tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, viu-se mobilizações políticas por todo o país. O ativismo negro nessa época teve uma renovação de quadros e novas forças de atuação foram criadas devido a construção de redes internacionais e concentração em ONGs financiadas, em sua maioria, por instituições estrangeiras. O reconhecimento da existência de racismo no Brasil e a criação de comissões que pela primeira vez propuseram a implementação de políticas afirmativas, se deu em parte devido a pressão que o governo brasileiro vinha sofrendo no exterior por conta do questionamento da situação de sua população negra. Orgulho, questionamento racial e ativismo político estavam em alta. Quem não se lembra da camiseta - adorada por alguns e execrada por outros - com a frase 100% Negro? Ou ainda da aparição da revista Raça Brasil?

Pois é, e Pitta viajou de carona nessa onda, pois nada melhor para completar o clima de orgulho racial do que a eleição de um prefeito negro para a maior e mais importante (me desculpem cariocas!) cidade do país. Dito e feito! Não entrarei em detalhes do que foi a administração Pitta ou de que se ele era ou não culpado das irregularidades que foram descobertas durante seu governo. Basta dizer que o negrão pegou uma batata mais que quente herdando uma administração e sendo afilhado político de Maluf. A coisa se complicou ainda mais quando o primeiro prefeito 100% negrão de São Paulo quis meter um pé na bunda do seu sinhozinho político e criar independência. A casa caiu! Mas a verdade é que muita gente do movimento negro, principalmente - mas não só - dos grupos mais conservadores, que já tinham um histórico de associação ao malufismo, apoiaram pesadamente Pitta e até hoje acusam que o economista foi alvo de racismo. Não compro esse argumento, mas tenho certeza que parte da elite paulistana ficava meio puta de ter um "patrício da cor" no Palácio das Indústrias (antiga sede da prefeitura de SP).

http://www.cobranegra.com.br/bmc/imagens/trofeuracanegra.jpg

Mas voltemos ao Troféu Raça Negra... Essas premiações não são algo novo no meio da negrada. Também Abdias do Nascimento, nos anos 1940 no Rio, organizava através do seu Teatro Experimental do Negro (TEN) eventos políticos/sociais que homenageavam personalidades negras e brancas devotadas a causa negra. Nascimento chegou a eleger Jael de Oliveira Lima, empresário branco e financiador de várias atividades do TEN, o "Amigo Número Um do Negro" nos anos 1940. Esses conclaves tinham e tem várias funções. Criar coalizões com políticos brancos, dar mostras que a comunidade negra também possui suas personalidades, elite, classe média - base política potencialmente de peso no processo eleitoral - e adicionar glamour e honrarias sociais que legitimem o lugar e a distinção desses grupos no seio da população negra. É um processo contínuo misto de invenção de tradição, como demonstra o historiador inglês Eric J. Hobsbawn, com estabelecimento de distinção/estilo de vida (meio capenga) a la Pierre Bourdieu (1930-2002), sociólogo francês. Quando digo que é "meio capenga" faço referência a situação de precariedade que a população negra muitas vezes vive, mas algo que não tira as aspirações de muitos em atingir um padrão de consumo e vida de classe média ou alta enquanto que Bourdieu afirma que os traços de classe que trazemos são "disposições incorporadas" produto do habitus. Em termos mais humanos, se você nasceu favela sempre favela, se nasceu classe média vai morrer classe média nos modos, consumo e estilos de vida. No caso da negrada, uma tentativa de quebrar essa lógica pode ser visto nos "bailes nostalgia" que tem o dress code, sport chic: sapatos, camisa social e calças mais formais de preferência evitando jeans. Junte-se a isso a uma certo glamour e pomposidade dos lugares em que eram/são realizados os bailes como Casa de Portugal, na Liberdade, e Club Homis, na Avenida Paulista. Não faltam histórias engraçadas... Uma clássica é da galera que ia de ônibus ou metrô até o início da Paulista, mas para meter um classe ao chegar no baile, pegava um táxi para fazer o resto do trajeto e chegar no estilo na porta da balada.

O Troféu Raça Negra me lembra um pouco disso. A criação do estilo de vida e glamour na precariedade, algo que não deixa de ter sua necessidade sócio/política em meio a um certo ar cômico. Contudo, dúvido que Celso Pitta (1946-2009) será homenageado postumamente pela rapaziada da Afrobras. O que teria a oferecer o economista carioca, cuja administração de São Paulo foi uma das mais desastrosas de todos os tempos, além do título de primeiro prefeito negro da cidade de São Paulo? Novamente, raça é estratégica na política e aqui Pitta deve ser, mais do que nunca, evitado. De qualquer modo, Celso Pitta REST IN PEACE! Afinal, você também foi negrão...

Veja a trajetória do "homi" AQUI

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seminário "Inclusão e Exclusão do Negro nos EUA e BR"

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Seminário Conectando Saberes (BH/MG)



terça-feira, 17 de novembro de 2009

África em Nós

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu tenho um sonho!



Essa eu recebi da minha amiga Jupiha Cauhy com quem tive o prazer de trabalhar na Expedição São Paulo 450 Anos há exatos cinco anos atrás. Só pela imagem do folder acima já vale a pena colar nessa exposição cuja abertura está marcada para 20 de novembro, feriadaço em comemoração ao Dia da Consciência Negra (sim, temos muitas coisas a comemorar!), no Museu AfroBrasil.

Muita Paz e Amor à Tod@s!

sábado, 14 de novembro de 2009

Herskovits at the Heart of Blackness



Rola em New York City, mais especificamente no American Museum of Natural History, o Margareth Mead Film & Video Festival de 12 a 15 novembro. Esta é a trigésima terceira edição do festival que leva o nome de uma das mais famosas antropólogas norte-americanas e foca filmes/vídeos documentários com temáticas sociais, culturais e antropológicas. Mead (foto abaixo) nasceu em 1901 e faleceu em 1978. Durante sua carreira acadêmica fez pesquisas no Pacífico Sul e sudeste da Ásia. Entretanto, vou no festival domingo - mesmo estando atolado de coisas para fazer - assistir um filme sobre outro antropólogo norte-americano, Melville J. Herskovits (1895-1963).

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/24/Margaret_Mead_NYWTS.jpg

Herskovits foi um antropólogo formado pela Columbia University tendo tido como orientador Franz Boas (1858-1942): um dos pais fundadores da antropologia contemporânea, teórico do relativismo cultural e crítico das noções biologizadas do conceito de raça. Herskovits estruturou o departamento de antropologia da Northwersten University, fez estudos sobre as chamadas “sobrevivências africanas” e tinha uma certa obsessão em tentar entender os processos de adaptação cultural das populações negras ex-escravizadas ao novo mundo. Boa parte de suas idéias estão contidas no seu livro The Myth of Negro Past (1928). O documentário Herskovists: At the Heart of Blackness (2009) - cartaz no início do post - refaz a trajetória do intelectual a partir dessa temática.

Assista ao trailer do filme abaixo. Muita Paz!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu acho que vi um gatinho! (Estante de Maloqueiro 3)

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Primeiramente peço desculpas aos/as leitore/as do blog por não estar respondendo/agradecendo aos comentários que muitos tem feito. O tempo por aqui anda mais que escasso devido as milhares de coisas que tenho feito e/ou estão ainda por fazer. Textos para publicar, apresentações para fazer (em inglês, urgh!), zilhões de leituras para fazer (em inglês, urgh!), papers para escrever (adivinha a língua? urgh...), estudar para um exame medonho em fevereiro (em inglês, claro!...) e estou tentando evitar ficar muito tempo na frente do meu laptop (não, não é nenhum problema com distração, mas tendinite mesmo, minhas mãos andam doendo!). Vamos mudar de assunto, mas não se assustem caso eu sumir do blog por umas semanas.

Talvez o mais novos não saibam, mas a imagem acima é de uma turma que faz parte da minha infância (vivida em parte na frente da TV): A Turma do Manda-Chuva (nos EUA Top Cat). Gatinhos, gatinhos... Tão fofos! Gostar de gatos é odiar o Piu Piu (Tweety) e esperar que o pessoal da Warner Brothers ainda faça um episódio do desenho (curtinho, poder ser!) em que o Frajola (Sylvester) detona com ele numa sessão de tortura chinesa. Eu ia adorar... Sim, sou amante de gatos. Já comentei AQUI que meu antigo quarto na casa dos meus pais agora é moradia do gato de minha irmã, Katatau. Gosto de cachorros também, mas gatos são os melhores animais como companhia. Fofos, charmosos, inteligentes e extremamente ciumentos de seus donos. Quem tem ou já teve gatos sabe do que estou falando. Eles são vagabundos e dorminhocos (às vezes mal-humorados), mas adaptam o seu horário biológico ao do dono. Exemplo: se você trabalhar a noite e passar parte do dia em casa, seu gatinho estará acordado nas horas que você estiver no aconchego do lar e dormindo à noite. Gatos são manhosos, bagunceiros e extremamente limpos. Adoram rotina - odeiam quebra de rotina - e demandam atenção o tempo todo.

WilliamBurroughs-1981.jpg image by suzanneparadis

Dias atrás terminei de ler The Cat Inside (1985) [no Brasil O Gato Por Dentro L&PM, 2006, R$ 8, visite o link, é possível ler trechos] de William Burroughs (1914-1997), bonitão da foto acima. Para quem não conhece, o figura faz parte da "beat generation", grupo de escritores cujo o marco de surgimento é o lançamento do livro de Jack Kerouac (1922-1969) On the Road (1957). Burroughs é conhecido por livros como Junkie (1953) e Naked Lunch (1959). Os beats foram escritores que deram uma nova cara a literatura norte-americana nos anos 1950 trazendo para o centro de sua produção temas como homossexualidade, uso de drogas, criminalidade e muito sexo numa América extremamente conservadora à época.

On the Road, por exemplo, conta as aventuras de um grupo de amigos que cruzam os Estados Unidos com pouquíssimo ou nenhum dinheiro, dirigindo carros até destruí-los de tanto rodar, bebendo loucamente, fazendo sexo com quem estiver a fim e ouvindo jazz. Todos os personagens são pessoas reais. Kerouack, por exemplo, é Sal Paradise, Burroughs é Old Bull Lee e Neal Cassady (1926-1968) é Dean Moriarty. O termo beat se aplica aos dois primeiros, ou seja, jovens brancos de classe média, universitários, de sexualidade alternativa, com aspirações intelectuais/artísticas, boêmios e amantes de jazz. Já Cassady - assim como James Dean (1931-1955) - foi imortalizado como o hipster por natureza: jovem branco da classe trabalhadora, sexualidade alternativa, amante de jazz (o que fazia com que muitos fossem assíduos frequentadores de speakeasies no Harlem) e com uma atitude existencialista em relação à sociedade. O escritor judeu Norman Mailer (1923-2007) escreveu em 1957 o ensaio The White Negro onde aproximava a figura do hipster a experiência histórica/social dos afro-americanos. Mas isso já história para outro post...

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The Cat Inside talvez não agrade nem um pouco os amantes de cachorros. Não, Burroughs não tem uma atitude negativa em relação ao "melhor amigo do homem", mas ele afirma que o grande problema é que o homem moldou os cachorrinhos de acordo com as suas próprias características, projetando nele qualidades que são caracteristicamente humanas: raiva, ódio e submissão. Leia passagem abaixo:

"I am not a dog hater. I do hate what man has made of his best friend. The snarl of a panther is certainly more dangerous than the snarl of a dog, but it isn't ugly. A cat's rage is beautiful, burning with a pure cat flame, all its hair standing up and crackling blue sparks, eyes blazing and sputtering. But a dog's snarl is ugly, a redneck lynch-mob Paki-basher snarl... snarl of someone got to a "Kill a Queer for Christ" sticker on his heap, a self-righteous occupied snarl. When you see that snarl you are looking at something that has no face of its own. A dog's rage is not his. It is dictated by his trainer. And lynch-mob rage is dictated by conditioning" (página 63).

“I’m not trying to brag. I’m just saying, I knew about Cat Power before anyone else did.”
Um Gatinho Hipster!

Assim, Burroughs usa a relação que teve com seus vários gatos para fazer digressões sobre sua vida. Gatos são associados com amigos, amantes, filhos e situações cômicas, tristes e emocionantes surgem dos seus relatos. É um livro escrito sem grandes pretensões, leve e ao mesmo tempo profundo. Nada mais do que fragmentos que surgem na página como flashbacks ou anotações de um diário. Obviamente que os amantes de gatos estão muito mais capacitados para entender as analogias de Burroughs. Vou comprar o livro em português e dar de presente a Mammys Joana Macedo, mulher que me ensinou a gostar de gatos e hoje vive às voltas com cinco para desespero de Pappys João Macedo!

Para fechar, mais uma do Simon's Cat, divirta-se... E, por favor, mesmo que não goste de gatos, não vá sair chutando nenhum felino preto caso encontrar algum nessa sexta-feira 13. Ao contrário do que se pensa, pode ser sinal de sorte e não azar... Muita Paz!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

De Memória e Das Sombras: As Amas

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Acima convite para a exposição da artista plástica e amiga Rosana Paulino em Campinas (SP) à partir do próximo sábado, 14/11, e se estendendo até 21/11.

Visite o blog da artista clicando AQUI

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Jeferson De... Sem Concorrência!

Essa eu roubei do blog do meu truta cineasta - que sempre encontrava nas minhas idas ao Pão de Açúcar próximo ao meu antigo AP em SP - Jeferson De. O pretão é um dos criadores do movimento Dogma Feijoada e diretor dos curtas Distraída Para a Morte (2001), Carolina (2003) e Narciso Rap (2004).

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Aliás, Jeff, responda a pergunta que todo mundo quer fazer: quando Bróder, seu longa, vai entrar em cartaz, hein??? Assista entrevista com o ilustre rapaz AQUI

Abaixo video que sacaneia ele um pouquinho *rs*... Muita Paz!!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Hip-Hop e Eu!

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Ontem foi meu aniversário e essas datas são bons momentos para fazermos balanços. Há dias, meses e alguns anos que venho pensando sobre o hip-hop. Penso nele não só pelo amor a "cultura", como se habituou denominar essa expressão de ordem cultural, artística e política nascida há mais de trinta anos lá pelos lados do Bronx (NYC), criada por jovens negros (afro-americanos e caribenhos) e latinos pobres que se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Penso no hip-hop porque ele me salvou e me formou!

Não há uma exaltação boba ou saudosista nessa afirmação, algo do tipo "devo tudo que sou ao hip-hop", mas uma maneira de expressar gratidão a uma manifestação que sempre me auxilia nos momentos difíceis. Respiro música 24 horas por dia! O hip-hop é para mim aquilo que o movimento negro, a soul music, os bailes, as escolas de samba (e o samba), o candomblé, o jazz, a literatura negra (e toda literatura!), o futebol foi e ainda é para outras pessoas. Ou seja, espaços de formação política e educacional além das organizações políticas/educacionais tradicionais (sindicatos, partidos políticos, escolas, universidades, etc). É nesse ponto que tendo a entender a grande diferença desses loci de produção cultural vinculados as populações negras pertencentes a diáspora africana: a inexistência de distinções entre sagrado e profano, lúdico e não lúdico. Explico-me...

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Hip-Hop
como uma forma arte não pode ser entendida numa concepção que separa política, cultura, ludicidade, corporalidade e assim por diante. É necessário um esforço de se abstrair dentro dos termos da própria arte ou da peculiaridade dessas manifestações negras para captar sua singularidade. Tanto o hip-hop como as outras culturas negras só podem ser entendidas dentro de uma perspectiva de arte cubista onde as várias partes, separadas como num quebra-cabeça desfocado, só são entendidos numa perspectiva mais ampla através de um esforço de abstração. Mas abstração não basta, é necessário deixar se afetar pela manifestação e permitir que ela adentre nossos corpos, mentes e sensibilidade nos transformando, criando um novo "environment", como diria o teórico da mídia Marshal McLuhan (1911-1980). Esse é o trabalho da arte na sua concepção mais elevada e não é necessário conhecimentos teóricos para se experimentar tal sensação.

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O político está lá, sempre esteve, mas nunca sabemos quando ele aflora e se sobrepõe como algo predominante. Geralmente seu afloramento é resultado de situações contingênciais. Rosa Parks (1913-2005) sentou no lugar reservado aos brancos num ônibus em Montgomery, Alabama, 44 anos atrás porque a nega véia estava cansada depois de trabalhar o dia todo e não porque tinha "consciência" de que seu ato destruiria o sistema de segregação racial vigente no sul dos EUA até os anos 1960. Quando eu e meu amigo Paulo De Menor (e na sequência Rock Jay e Jece G. X) montamos nosso grupo de rap nossa única preocupação era entrarmos de graça para dentro do bailes, catarmos umas minas e sermos reconhecidos na quebrada. Tirávamos muito onda e nossos ensaios eram festivais de bebedeira e zoação. Havia competição, fofocas e rixas com outros grupos. Muitas vezes as brigas chegavam aos finalmentes e literalmente se saía na mão. Mas estava tudo lá... Sem termos "consciência" - termo que cada vez mais penso que deve cair em desuso - estávamos nos formando para o mundo olhando de forma crítica para ele e nós mesmos. Mas essa é a essência da parada chamada hip-hop: informação e diversão. Separações analíticas entre cultura/movimento, arte/política e até mesmo preto/branco não dão conta da parada porque "o barato é loko, o processo é lento" e essa PORRA é muito, muito mais complexa.

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Dias desses recebi um comentário de um brother que questionava o porquê de não ter continuado no hip-hop como rapper. Fiquei pensando sobre isso e hoje acho que tenho uma resposta relativamente decente (tempos atrás ia dizer que talvez fosse um rapper frustrado). Eu nunca deixei o hip-hop, continuo o mesmo MALOQUEIRO que adora a rua, a balada, dançar, curtir, BEBER, MULHERES PRETAS, tirar onda e algumas coisinhas ilegais. Aliás, enquanto escrevo esse post ouço BeatBasement (ótima rádio de hip-hop underground). Mas o hip-hop me mostrou que minha missão era outra... Estou nela agora com os dois lemas que aprendi muitos anos atrás na correria. O primeiro veio de Marcus Garvey (1887-1940) - o negrão jamaicano sangue no "zóio" que aportou pelas bandas do Harlem nos anos 1910: "É necessário saber de onde se vem para se ter noção para onde se vai". O segundo é senso comum de maloqueiro... "Devagar e sempre, truta!"

Muita Paz, Muito Amor, Muito Hip-Hop (com suas contradições, problemas, tretas e beleza! Assista o vídeo de The Message abaixo)...

domingo, 8 de novembro de 2009

Caso Uniban: Tô Muito P...

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Hoje é meu aniversário, mas eu tô é P... da vida com o que li ontem na internet sobre a decisão da Uniban de expulsar a aluna que sofreu assédio sexual, linchamento moral e ameaças de agressão nas dependências dessa instituição acadêmica (leia a notícia AQUI). Meu, que país é esse? Já demonstrei minha INDIGNAÇÃO no meu primeiro post sobre o caso (leia AQUI) escrito no momento em que a blogosfera, antes da grande mídia, debatia o caso (alguns blogs de forma crítica e equilibrada e outros apenas repetindo chavões sexistas, machistas e misóginos).

Entretanto, por essa eu não esperava. EXPULSÃO? Isso demonstra a falta de olhar crítico, seriedade e compromisso com ética e justiça de algumas instituições escolares no Brasil. Queria saber onde está o movimento feminista nessa parada toda? É mais do que hora de se promover um protesto de grandes proporções e expor o absurdo da situação a que chegamos.

Segue um poema de Even Ensler (traduzido por meu amigo Raphael Neves) publicado como forma de protesto nos blogs Politika etc, Criminologia e etc e também aqui agora.

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Dos "Monólogos da Vagina"
por Eve Ensler

Minha minissaia não é um convite
uma provocação
uma indicação
do que eu quero
ou dou
ou que eu flerto.

Minha minissaia
não está implorando por isso
não está querendo que você
a arranque de mim
ou a abaixe até o chão.

Minha minissaia
não é um argumento jurídico
para você me violentar
ainda que já tenha sido
e não vai servir de prova
em nenhum tribunal.

Minha minissaia, acredite ou não
não tem nada a ver com você

Minha minissaia
tem a ver com a descoberta
do poder das minhas pernas
e do ar frio do outono passeando
pelo interior das minhas coxas
tem a ver com tudo o que eu vejo
ou passo ou sinto viver dentro de mim.

Minha minissaia não é prova
de que eu seja estúpida
ou indecisa
ou uma menininha maleável.

Minha minissaia é meu desafio
e você não vai me amedrontar
Minha minissaia não está se exibindo
é esta que eu sou
antes que você me faça cobri-la
ou disfarçá-la.
Acostume-se.

Minha minissaia é felicidade
Eu posso me sentir no chão.
Sou eu qui. E eu sou gostosa.

Minha minissaia é liberação
bandeira no exército das mulheres
Eu declaro estas ruas, quaisquer ruas
o país da minha vagina.

Minha minissaia
é água azul turquesa
onde nadam peixes coloridos
um festival de verão
na escuridão estrelada
um pássaro cantando
um trem chegando em uma cidade estrangeira
minha minissaia é um rodopio
um suspiro profundo
um passo de tango
minha minissaia é
iniciação
apreciação
excitação.

Mas acima de tudo minha minissaia
e tudo que ela cobre
é Meu.
Meu.
Meu.

Muita Paz se você conseguir dormir com esse barulho da decisão da Uniban... Ridículo!