domingo, 8 de novembro de 2009

Caso Uniban: Tô Muito P...

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Hoje é meu aniversário, mas eu tô é P... da vida com o que li ontem na internet sobre a decisão da Uniban de expulsar a aluna que sofreu assédio sexual, linchamento moral e ameaças de agressão nas dependências dessa instituição acadêmica (leia a notícia AQUI). Meu, que país é esse? Já demonstrei minha INDIGNAÇÃO no meu primeiro post sobre o caso (leia AQUI) escrito no momento em que a blogosfera, antes da grande mídia, debatia o caso (alguns blogs de forma crítica e equilibrada e outros apenas repetindo chavões sexistas, machistas e misóginos).

Entretanto, por essa eu não esperava. EXPULSÃO? Isso demonstra a falta de olhar crítico, seriedade e compromisso com ética e justiça de algumas instituições escolares no Brasil. Queria saber onde está o movimento feminista nessa parada toda? É mais do que hora de se promover um protesto de grandes proporções e expor o absurdo da situação a que chegamos.

Segue um poema de Even Ensler (traduzido por meu amigo Raphael Neves) publicado como forma de protesto nos blogs Politika etc, Criminologia e etc e também aqui agora.

http://cache.kotaku.com/assets/resources/2007/12/nomoreminiskirt.jpg

Dos "Monólogos da Vagina"
por Eve Ensler

Minha minissaia não é um convite
uma provocação
uma indicação
do que eu quero
ou dou
ou que eu flerto.

Minha minissaia
não está implorando por isso
não está querendo que você
a arranque de mim
ou a abaixe até o chão.

Minha minissaia
não é um argumento jurídico
para você me violentar
ainda que já tenha sido
e não vai servir de prova
em nenhum tribunal.

Minha minissaia, acredite ou não
não tem nada a ver com você

Minha minissaia
tem a ver com a descoberta
do poder das minhas pernas
e do ar frio do outono passeando
pelo interior das minhas coxas
tem a ver com tudo o que eu vejo
ou passo ou sinto viver dentro de mim.

Minha minissaia não é prova
de que eu seja estúpida
ou indecisa
ou uma menininha maleável.

Minha minissaia é meu desafio
e você não vai me amedrontar
Minha minissaia não está se exibindo
é esta que eu sou
antes que você me faça cobri-la
ou disfarçá-la.
Acostume-se.

Minha minissaia é felicidade
Eu posso me sentir no chão.
Sou eu qui. E eu sou gostosa.

Minha minissaia é liberação
bandeira no exército das mulheres
Eu declaro estas ruas, quaisquer ruas
o país da minha vagina.

Minha minissaia
é água azul turquesa
onde nadam peixes coloridos
um festival de verão
na escuridão estrelada
um pássaro cantando
um trem chegando em uma cidade estrangeira
minha minissaia é um rodopio
um suspiro profundo
um passo de tango
minha minissaia é
iniciação
apreciação
excitação.

Mas acima de tudo minha minissaia
e tudo que ela cobre
é Meu.
Meu.
Meu.

Muita Paz se você conseguir dormir com esse barulho da decisão da Uniban... Ridículo!

9 comentários:

Isadora disse...

foda. também comentei no blog. E feliz aniversário!

ari disse...

Pois é, o que dizer? Expulsar alguém de uma faculdade particular não deveria ser tão fácil. Tá na cara que a privada quis se livrar de um problema. Tá na cara também que tem mais coisa na história do que foi contado incialmente. Nada que, parece, nem de longe possa justificar nem o acontecido nem a expulsão. Uma coisa feia seguida de uma medida burocrática. A decisão vai criar barulho, mas quem conhece essas entidades sabe que elas sempre vão atrás do elo mais fraco...

Ana disse...

Kibe, muito muito obrigada pelo poema. vou colocá-lo no Novos Palimpsestos também.
Abraços

Aline disse...

Foda! Amei o poema! Beijão

Eliana Fopha disse...

Além de indignação, tristeza ao ver que estamos caminhando, a passos largos, para trás!
Kibinho, meu querido, feliz aniversário!

Anônimo disse...

Olá Kibe, existe sim movimentação feminista. Vá em www.autonomiadasmulheres.org.br/blogospot e veja o que tem por lá.
Acho sua indigação pertinente, mas não acha que teria que cobrar a instituição Uniban? E não os movimentos, não acha? Os movimentos somos nos todos.
Axé feminista

raquel souzas disse...

Manifesto em defesa da liberdade e da autonomia das mulheres



NÃO À VOLTA DA INQUISIÇÃO












Mulheres do mundo inteiro lutam há milênios contra as opressões a que foram e continuam sendo submetidas.



Contra a inquisição elas não se calaram e, mesmo sob torturas e mortes, lutaram pelo direito à liberdade. Lutaram por igualdade/liberdade/fraternidade na Revolução Francesa e escreveram a 1ª Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã e, mesmo tendo como resposta a esta luta a condenação à guilhotina, não pararam de lutar.



Conquistaram os direitos civis com as lutas sufragistas, direitos trabalhistas, cidadania e o das últimas décadas do século XIX em diante, acrescentaram o direito de decidir e a autonomia sobre o próprio corpo nas lutas cotidianas.



Nós brasileiras, nos somamos às mulheres do mundo todo, lutando contra a escravidão, contra diferentes ditaduras e tantas outras formas de opressão. Consolidamos direitos iguais como cidadãs e cidadãos na Constituição Federal de 1988, entre eles o direito de ir e vir para todas as pessoas que vivem neste país, independente de orientação sexual, idade, raça/etnia.



A erradicação de toda forma de violência e discriminação contra as mulheres é um compromisso firmado pelo Estado brasileiro em diferentes tratados internacionais de direitos humanos, como: a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir, e Erradicar a Violência contra a Mulher, da OEA (Convenção de Belém do Pará) e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), da ONU, e em leis nacionais como a Constituição Cidadã e a Lei 11.340/2006 – Lei Maria da Penha. E é uma das prioridades nas ações do governo, por meio do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, assumidos pelo Estado de São Paulo e pelos municípios da Região do Grande ABC.



Num Estado de Direito como o nosso, constituído e baseado nos princípios da democracia e do respeito à liberdade e igualdade de mulheres e homens, independente de pertencer a qualquer raça, cor, credo, orientação sexual ou idade; não podemos admitir que atitudes como a das e dos alunos/as da Universidade Bandeirantes (UNIBAN), que no dia 22/10/2009 discriminaram e ofenderam Geysi Arruda, aconteçam de forma impune.



Manifestamos nossa total indignação à violência sofrida pela aluna Geysi Arruda e pelo cerceamento da sua liberdade e exigimos que sejam tomadas todas as medidas no sentido de apurar as responsabilidades por tais atos e que as pessoas envolvidas respondam perante as instâncias cabíveis.



Apelamos para que a UNIBAN promova atividades de esclarecimentos e reflexão sobre direitos humanos e respeito à autonomia das mulheres, como formas de contribuir para a garantia da igualdade entre as pessoas, sem nenhuma forma de discriminação.



Continuaremos lutando sem deixar retroceder nem um milímetro das nossas conquistas, em especial a nossa autonomia.



São Bernardo do Campo, 03 de setembro de 2009.





FRENTE REGIONAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA

GRANDE ABC PAULISTA E REGIÃO









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marcela disse...

héé deve ter sido difil pra menina ser expulsa da falculdade por isso , e o por ew que o vestido nem era tão curto , ela foi julgada injustamente :S

Anônimo disse...

eu aho errado proibir
pq as mulheres tem q mostrar o q tem de melhor