sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Negrão Sangue no Zóio e Estiloso: Malcolm X!


Linda foto de Malcolm X! O que me chama a atenção nela é como nosso patrício sangue no zóio tinha estilo. As roupas e acessórios que X veste nesta foto, como os óculos clássicos de grau mesclando metal e plástico de cores escuras além da gravata slim, voltaram a moda com força total devido a onda hipster que tornou elementos considerados retrôs o must em se vestir bem atualmente. Mas com X, seu estilo era apenas um detalhe. Nosso brotha tinha preocupações muito maiores e sua inteligência, comprometimento político e amor pelo povo preto o faziam um homem mais que especial. Nessa perspectiva, sua apresentação fazia parte do resgate da dignidade afro-americana. Mas é possível pensar como a imagem de Malcolm representava uma possibilidade de identidade negra masculina nos EUA dos anos 1960. Alto (ele tinha quase 2 metros de altura), sarcástico, bem humorado e bonito... Aposto que esse negrão, que esbanjava viribilidade no seu estilo, arrancava suspiros das sistas, das mulheres brancas que ele considerava, ao menos nos tempos de Nação do Islã, como versões femininas do demônio e mesmo dos gays cuja homossexualidade ele condenava. Interessante também é notar como posteriormente, final dos anos 1960 e início dos anos 1970, a estética que ficaria mais em evidência seria a dos pimps (cafetões) e artistas de soul music e funk como Sly and The Family Stone, The Bar-Kays e obviamente George Clinton. Com eles não há necessariamente uma identidade/performance de gênero tão definida como a vista em Malcolm, mesmo que a maioria dos cafetões negros se apresentassem como heterossexuais (algo que poderia ser objeto de pesquisa). Coisas para se pensar!

Muita Paz, Muito Amor e Ótimo Final de Semana!
Ouvindo Litlle Brother, álbum The Minstrel Show (2003). Assista o vídeo de Lovin' It  AQUI

Comentários (5)

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Marcio, como fã do Malcom X, embora acredite que todas as características físicas que você citou ajudem a fazer ele ser no mínimo estiloso digamos assim, ou a ser um cara de presença, como os manos costumam dizer ehehehe, acho que sua postura e atitude era o maior afrodisíaco que ele possuía. As coisas que ele falava e a maneira como ele falava é que faziam toda a diferença. Isso acontecia com o Dr. King também, pois aqueles que dominam o dom da oratória e tem intelecto suficiente para utilizar isso de modo inteligente, com certeza se tornam muito mais charmosos. :)
Realmente tenho acredito na sincronicidade, ontem passei bom tempo falando dele para uma amiga..sabe q. agora estou estudando, pesquisando as raízes do Islã negro no Brasil e Sir X é uma grande referencia. Mas o q. me faz gostar dele de verdade é o pós Hajj (peregrinação), pq aí ele saca o q. é ser humano, muito além da cor, raça e etc. O sentimento do q. seja a Ummah islâmica o traz novas perspectivas e novos pensamentos, contrariando assim outros...tb vejo o carisma dele pelo lado weberiano, e é comum líderes serem carismáticos, na verdade, sem carisma não há liderança...(forçando um pouquinho). Mas voltando ao Hajj, quem o faz torna-se um hajji e isto é um "título" importante, pq v. se torna peregrino, entregue de fato a religião e o sentimento de pertença a algo maior cresce muito e toma forma...é isto q. aconteceu com este truta e o q. aparece nos discursos do pessoal q. se tornou muslim (e é negro).
Tb fico impressionada com o charme natural que tinha Malcom, que foi muito bem representada por Denzel Washington no filme de Spike Lee.
Assim como Malcon , Denzel arrasa quarteirão brancos e negros.Com elegância e charme e inteligência de sobra.A combinação de beleza e inteligência faz ser o homem Preto ideal.E tenho a leve impressão de que Malcom sabia de seus dotes físicos atraindo homens e mulheres.Isso o ajudava ainda mais em sua oratória.
Minha admiração por Malcolm vai além da admiração física, porém lia o livro imaginando aquela beleza toda fazendo as mulheres delirarem. Ele devia exalar testosterona!
Mas era sua militancia que mais me impressionava, como disse a Daniela, suas atitudes eram afrodisíacas.
Precisavamos de Malcolm's e King Jr's, nesse país Tupiniquim.
Eles merecem todo meu respeito.
Bruce Perry, Malcolm – The Life of a Man Who Changed Black America.

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