sábado, 23 de janeiro de 2010

Da Cor da Pele...

Estou cá envolto com um texto do meu amigo Carlos Marcos, como se referem os portugueses ao truta Karl Marx, lutando para entender como a religião é vista na perspectiva do fundador do materialismo histórico e, para isso, brigando com as idéias de Friedrich Hegel criticadas por Ludwig Feuerbach quando me chega uma mensagem de minha amiga Bibi Lima comentando a atuação da tenista afro-americana Venus Williams no Australia Open.

http://www.bet.com/Assets/BET/Published/image/jpeg/c831206a-ab38-8e6c-1d44-b44808f58ee9-news_fb_bhm2_venus_williams.jpg

Williams vai bem no campeonato, ganhando as partidas e fazendo belas apresentações. Mas o frênesi na Internet não está relacionado ao seu desempenho no torneio e sim as roupas que a tenista vem usando nas partidas. Vestida com um mini vestido verde em sua última partida, Williams tem sido alvo de comentários e até montagens no YouTube e em sites pornográficos. O motivo é que a parte de baixo da roupa utilizada pela tenista é da mesma tonalidade de pele da atleta o que em muitas imagens dá a impressão que ela não está utilizando nada embaixo do vestido. Provavelmente Williams irá mudar o tipo de roupa nas próximas partidas ou ao menos irá usar um vestido que tenha a parte de baixo de outra cor, uma vez que aposto que ela não quer se fazer conhecida por suas formas sexys, mas sim por suas conquistas no tênis. Abaixo, uma fotinha da tenista com a roupa polêmica....

Photo of Venus Williams playing tennis Commando or Underwear scandal

Mas aí eu pergunto: e se fosse a Maria Sharapova, iria causar todo esse rebuliço? Por que as patrícias Wiliams nunca receberam elogios relativos a sua beleza como a tenista russa freqüentemente recebe?  A polêmica de Venus parece enfatizar mais traços relativos a sua sexualidade (ou atrativos sexuais) do que propriamente beleza, ou seja, há diferenças entre chamar uma mulher de "gostosa" e "bonita" e esses termos alocam mulheres em posições sociais distintas pelo que percebo. Dê sua opinião aí pra nóis!

Muita Paz!

Comentários (5)

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Eu acho que muito desse "rebuliço" que você percebeu relacionado a esse caso da calcinha invisível da Venus foi uma espécie de sorpresa pela parte dos comentadores e admiradores ao notarem que ela realmente é gostosa. A atleta profissional feminina (pelo menos aqui nos EUA) não é normalmente vista como objeto sexual ou alvo da sexualização pública por ela ser uma figura forte, imponente, intimidante e poderosa, que ganha a vida realizando atividades tipicamente consideradas masculinas. Essas mulheres são anátemas à imagem tradicional da mulher sexualmente desejável neste país, ainda mais quando ela é negra escura com traços predominamente africanos como as irmãs Williams. Maria Sharapova é tal sensação justamente por ela ser exepcional -- uma atleta "linda," e "sexy," dentro dos parámetros deificados da beleza feminina européia, que é o estándard ao qual todas nós mulheres somos comparadas. E é por ela ser considerada bela desse jeito tão valorizado e não-desafiadora que Sharapova chama tanta atenção e consta em todas as listas das atletas mais gostosas e populares, etc. embora ela seja PÉSSIMA tenista. Essa "sorpresa" ao ver que a Venus é sexualmente desejável foi óbvia na maneira em que, por exemplo, o site de fofoca afro-americana "Bossip.com" apresentou a polêmica:

http://bossip.com/205923/true-or-false-venus-will...

No site egistraram sua reação cheia de exclamações tipo:

"Hold up… WAIT A MINUTE!!! Venus Williams was playing against Lucie Safarova at the Australian Open. Not only did Venus give the audience a great game to watch she also gave them a peek at her chocolate cakes!?!?!..pretty sure she threw some people off when they got that first glance at all that chocolateness!"

Eles afirmam ter certeza que "She threw some people off" com toda essa gostosura chocolate, significando que ela chocou ou meio "desequilibrou" as pessoas por ser tão sexy. E por que essa escolha de palavras, pergunto eu? Por que não disseram que ela "arrasou" ou "delirou" os espectadores como a Sharapova sempre faz? Porque os espectadoes tipicamente não considera nem esperava uma mulher como ela ser nem bonita nem gostosa e isso se revelou indiretamente nos comentários dos que estavam imaginando o que teria passado pelas cabeças deles.
Oi Marcio, Stuart Hall tem um txto maravilhoso onde ele reconhece a ambivalência da produção de sentido, mas afirma ser necessário a marcação da diferença. Relendo Baktin, ele nos diz q a perspectiva dialógica nos perminte interromper o significado e apresentar novas inflexões. Neste contexto, o autor classifica três estratégias p/ o enfrentamento dos estereótipos: Uma delas é posicionar-se através do olhar da representação, ou seja, fazer o estereótipo lutar contra si mesmo. Não quero entrar aqui no debate sobre a função do corpo da mulher na mídia/sociedade, mas sim problematizar o q vc está chamando atenção no seu texto, ou seja, por qual razão a russa tem um tratamento e as irmãs Willians outro. Me parece q Venus está fazendo o estereótipo lutar contra si mesmo e, ao mesmo tempo, provocando um novo significado para o corpo feminino negro, geralmente associado à força, rigidez, etc. Não sei se, nos próximos jogos, ela deveria modificar seu modelito q além de combater o estereótipo, em princípio, valoriza suas formas sensuais e... femininas. Gostei do seu post. abs, Angélica Basthi
Tenho que concordar com a amiga acima. Apesar do elemento gostosura x beleza, penso que no contexto americano e dos esportes algo mais amplo salta aos olhos.
"Ela pode bater em você, mas mesmo assim vc fica duro em olhar pra ela e todos aqueles musculos !!!!!
Mulheres negras sempre carregaram o estereótipo de: essa é pra carregar peso, trabalhar,. Ainda mais "dark skin black woman". Não esqueça do nosso clássico, "branca pra casar, mulata pra fuder e negra pra trabalhar".
Venus não tem o padrão de beleza ( A lá a fulaninha que quer ser a nova Oprah e que eu esqueci o nome, a modelo lá).
MAs inda assim, a irmãzinha tá TÂO segura de si, que tá exalando confiança e isso é sedutor. Poder é sempre sedutor e a negona é poderosa em todos os aspectos !!!
Não entendo muito de tenistas, mas já vi fotos sensuais da Sarapova na net (tem uma que mostra ela abaixando a parte de baixo do biquini, se não me engano...) e certamente elas têm um intuito libidinoso e não só de elogio da beleza. Acho que tanto ela quanto a Venus sabem muito bem o que estão fazendo ao usarem vestidos curtos e roupas íntimas sugestivas. Vejo essas tenistas atuais valorizando não só seu ótimo tênis como também sua sensualidade... Faz parte do jogo e do show do esporte feminino (concordem ou não as/os feministas ou as/os moralistas), a sensualidade feminina nos esportes me parece ressaltada pela opinião geral, inclusive porque os esportes têm no geral um viés masculino (ou machista, se quiser).
Mas certamente a imprensa (e a internet) mundial e brasileira é racista e dá mais positividade à beleza branca. Mas talvez a Sarapova não seja o melhor exemplo, porque as russas e mulheres do leste europeu costumam ter seu apelo sexual ressaltado. Polonesas, russas etc., tanto nos EUA quanto no Brasil, têm uma certa (di)fama de prostitutas...
Eu não sei como é a coisa rola ai nos EUA, mas aqui a coisa é bem simplificada. Quando algum veículo local diz que vai eleger uma “musa” seja ela do verão, do Fantástico ou de alguma modalidade esportiva, essa “musa” obrigatoriamente que ter:
1-Pele clara
2-Traços caucasianos bem definidos, no corpo e rosto
3-Cabelos lisos
4-Magra, mas com bunda e peito proeminentes e sem músculos demais
Por aqui costuma-se classificar as miscigenadas de pele mais pele clara, cabelos naturalmente lisos e traços bem caucasianos (Camila Pitanga) como morenas, mesmo que estas insistam em se autodefinir como negras. Já as de pele ligeiramente mais escura e uma menor porcentagem de traços caucasianos (Thais Araujo); são as belas mulatas e finalmente as negras retintas, com cabelos prismáticos além da magia da chapinha e possuindo fortes traços africanos (Zezeh Barbosa) no corpo e no rosto, são as negonas que impossibilitadas pelo mercado de figurar nas revistas masculinas brasileiras como “gostosas” só aparecem na mídia como objeto de humor, quase sempre, meros “clown”.

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