quarta-feira, 31 de março de 2010

Jill Scott é Só Coração, Badu Pelada, Repressão as Cuecas e o Senhor Elegância!

A quantidade de coisas para fazer por aqui tem me impedido de escrever. Tanto é que o NewYorKibe registrará talvez seu número mais baixo de posts em um mês: apenas 3. Estou literalmente numa pegada "se correr o bicho pega se ficar"... Para resolver o problema, farei a promessa de escrever ao menos um post por semana, de preferência às segundas-feiras.  Isso facilita a vida de todo mundo: @s leitore/as já sabem que toda segunda rolará alguma besteira por aqui e me obrigo/disciplino a postar algo interessante (ou não!). Aliás, minha sugestão é que tod@s @s leitore/as do nosso inbrog me sigam no Twitter, uma vez que tudo que leio e acho legal (a maioria não vira post) é tuitado (existe esse verbo???).

 

Mas não deixo de acompanhar o que rola na imprensa americana e os últimos dias tem sido quentes para a R&B ou neo-soul. Duas ladies da música negra americana contemporânea andam nas manchetes desde semana passada. A primeira é Jill Scott que escreveu um artigo (leia a parada AQUI) para a revista Essence no qual afirma que não consegue deixar de sentir certa sensação de traição ao ver um negrão com uma mulher branca. Uiiiii... Esse assunto dá pano pra manga (seja no Brasil ou EUA) e, como já era de se esperar, nossa diva foi acusada por alguns comentaristas mais exaltados de ser racista.

De minha parte, serei mais sensato. A fala de Scott representa o pensamento de um grande número de mulheres afro-americanas e, assim como os discursos contrários, deve ser respeitada e colocada dentro de contexto. A promessa de uma América pós-racial, que tanto se falou durante a campanha de Obama a presidência, é balela. O bicho continua pegando feio pro lado da negrada por aqui (com muito racismo, violência policial e desigualdade econômica/renda). Por outro lado, as discussões que envolvem o tema raça sempre são chapa quente. A fala de Jill, que foi pura emoção como diria meu truta Flávio "Jay Z" Francisco, também reflete um mal estar generalizado entre mulheres negras por conta do mercado matrimonial para afro-americanas com alto nível de educação onde há um defict de negrões firmeza a fim de colocar um anel de diamante no dedo das patrícias. O por quê? Bem, isso já é uma outra história que pode ser entedida em parte com a leitura de um post antigo do inbrog (leia AQUI).

 http://blogs.centrictv.com/music/soulsessions/wp-content/uploads/2010/01/Jill-Scott.jpg

Penso que Scott foi corajosa em evidenciar esse mal-estar generalizado das patrícias abrindo espaço para um diálogo aberto sobre os relacionamentos inter-raciais com suas delícias, possibilidades e problemas. Para não deixar o Brasil de fora, recomendo a leitura também no NewYorKibe (AQUI) da resenha do livro que fiz de minha amiga Laura Moutinho. Laurinha é antropóloga/professora da USP e fez uma linda pesquisa sobre o relacionamentos inter-raciais.

 http://www.kalamu.com/bol/wp-content/content/images/erykah%20badu%2068.jpg

A outra notícia esta relacionada a texana ex de Andre 3000 e ex de Common (queria me incluir nessa lista também): senhorita Erykah Badu. Nas gravações para um videoclipe de seu novo álbum a patrícia ficou peladona em público bem no meio dos chapeludos de Dallas, Texas (queria estar lá pra conferir essa!). Detalhe: a parada se deu justamente no local onde o presidente John F. Kennedy (JFK) foi assassinado em 1963 com uma bala na cabeça. O lugar é considerado uma espécie de santuário pelos americanos e serve como atração turística. Nem preciso dizer que não se comenta outra coisa nos sites de música negra e em parte da grande mídia. Nenhuma queixa policial foi registrada pelas pessoas que estavam presentes quando o fato ocorreu (havia crianças presentes), mas ainda há chance das mesmas o fazerem o que renderia a cantora boas visitas a algum tribunal, multinhas, serviços comunitários e pedidos de desculpas em público (na velha tradição gringa de arrependimento em público na pegada de Tiger Woods!).

 http://www.mimifroufrou.com/scentedsalamander/images/Erykah_Badu.jpg

Badu afirmou que o vídeo tem a intenção de chamar a atenção para um termo oriundo nos anos 1950 chamado groupthink e que cujo efeito é a fobia que certas pessoas sofrem de se expressarem em público por receio da repressão/coerção que podem sofrer. A pergunta é: nega, você precisa ficar peladona em público para fazer as pessoas refletirem sobre isso? Well, no Brasil boa parte da rapaziada ia curtir uma parada dessas e aposto que em dois meses você seria capa da Playboy, mas na América (deles!)... Sei não, fia! A verdade é que, longe de querer me posicionar como conservador, os argumentos de Badu não me convenceram. Outro ponto importante: o ato rolou onde o presidente mais popular da história dos EUA foi morto há mais de quarenta anos atrás. Bem, é pedir pra causar polêmica: dito e feito! Por fim, tá todo mundo agora curioso para ver o vídeo, né? Sei nega, contestação ou jogada de marketing? Assista o vídeo da sistha AQUI. Peço licença as distintas senhoritas leitoras desse inbrog para fazer um comentário bem masculino: DONA BADU É UMA DELÍCIA! Vai ter tanta saúde assim lá na casa do chapéu mesmo depois de 3 filhos...

Aí, se você é daquele/as que gosta de andar mostrando sua cuequinha do Piu Piu e Frajola pelas ruas, saiba que o senador pelo Brooklyn, Mister Eric Adams, é seu inimigo e acha seu ato repugnante. O político está pondo na rua uma campanha no sentido de condenar e conter o que é conhecido por aqui como saggy pants: abaixar o jeans para mostrar a cueca samba-canção.  A idéia é estabelecer um dress code nas escolas proibindo a molecada de mostrar a roupa de baixo. O título da campanha é: We Are Better Than This: Raise Your Pants Raise Your Image (nós somos melhores do que isto: erga sua calça, erga sua imagem). Sei lá, achei babaca essa campanha. Afinal, usei muito saggy jeans na minha adolescência pelas ruas de "Lixeira", interior de São Paulo, e nem por isso tive minha imagem depreciada. Leia a reportagem em inglês AQUI

 Sen. Eric Adams is urging kids to clean up their look - and pick up their pants - with six new billboards targeting the saggy trend.

Por fim, já que falamos de forma indireta de roupas e moda, nada como curtir o videoclipe do truta de SP, o rapper Rincon Sapiência, conhecido como Senhor Elegância. Seria bom saber o que ele acha dessa discussão da saggy jeans!

Muita Paz à Tod@s e Parabéns ao Rincon pelo clipe e pelo som: rimas sacadas e inteligentes. 

Volto na segunda que vem!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Procrastinando a Gente Chega Lá!

Prezad@s Leitore/as, desculpe pelo sumiço! Tá f... por aqui: preguiça, cansaço, zilhões de coisas para fazer e o inbrog, como resultado disso tudo, acaba entrando em recesso. Mas enfim, estamos a apenas 3 dias da primavera aqui em New York Shit. Esse maldito inverno vai embora tarde! Hoje fez um dia maravilhosamente lindo e a última coisa que dá vontade de fazer é vir para a biblioteca estudar, mas...  Fui aprovado no exame que andava me tirando o sono e agora só falta fechar três disciplinas para correr pro abraço e férias no Brasilsilsil comendo feijoada e bebendo pinga.
 http://media.rd.com/rd/images/rdc/slideshows/spring-cartoons/spring-cartoons-06-ss.jpg

Voltando ao inbrog chegamos a um resultado da votação para escolha do título da campanha de orgulho negro (veja AQUI). Foram 34 votos, de acordo com o Intense Debate, gadget que administra os comentários da rapaziada aqui no inbrog. Houve sugestões até de trilha sonora para a parada, um barato! Mas enfim, o título vitorioso foi O BEIÇO É NOSSO (18 votos) seguido de BLACK IS BEIÇO (10 votos) e BBB: BEIÇO BONITÃO A BEÇA (6 votos). Mas a agitação continua. Dia 13 de Maio coloque uma foto sua fazendo beicinho (ou beição!) e o título da campanha no seus profiles da redes sociais a que pertence (Orkut e Facebook as mais famosas) ou mesmo MSN, Skype e Twitter. Afinal, O BEIÇO É NOSSO!

 http://farm4.static.flickr.com/3447/3350572733_13590c8c5e.jpg

Mas mudando de assunto recebi hoje de Mila Felix via Twitter um vídeo perfeito para mim e meus amigos que, assim como eu, trabalham administrando o próprio tempo. Já ouviu falar do termo procrastinação? Pois é, dez anos atrás quando disse a meus amigos que sofria desse mal meus queridos trutas responderam de forma bem "delicada" que a parada não passava de uma tremenda frescura. Pois bem, digo com absoluta certeza que procrastinação, ou seja, um termo mais sofisticado para dizermos que estamos enrolando e/ou evitando fazer algo, é um mal que vai além da frescura. Há pessoas que, incapazes de controlá-la, procuram por ajuda psicológica. Isso vem se tornando cada vez mais frequente devido a todas essas distrações disponíveis na Internet. Impossível, dessa forma, não sucumbir a algum tipo de AÇÃO: procrastinação, masturbação, fornicação e por aí vai...

http://trulyt.files.wordpress.com/2008/09/procrastination.jpg

Assista os dois vídeos abaixo e entenda do que estou falando. Procrastinar é com nóiz memo!


Muita Paz!



E...


Procrastination from Johnny Kelly on Vimeo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

For Marx, "Gód Iz Nóiz!"

Leitores/as do meu Brasil varonil, como vão? Espero que tudo esteja firmão! Hoje darei início a nossa série de posts sobre o que os clássicos da sociologia pensaram sobre religião. Começaremos a parada analisando nada mais nada menos do que o alemão barbudo mais famoso da história, Karl Marx (1818-1883). Ok, dá uma disputa boa entre ele e Albert Einstein (1879-1955), mas esse era bigodudo e não barbudo.  Nosso amigão Marx nasceu de um casal de judeus convertidos ao luteranismo da classe média alemã sendo que o pai trabalhava como advogado. Vários "ismos" usados frequentemente no jargão intelectual vieram à tona no pensamento humanístico, político e social por meio dos escritos desse truta que dedicou sua vida a produzir uma obra que marca uma das mais ferrenhas críticas ao sistema econômico capitalismo (leia O Capital, 1867, sua obra máxima). Quem nunca ouviu falar dos palavrões que podiam render "cana" (ao menos no Brasil da ditadura e nos EUA do marcathismo) comunismo, socialismo e materialismo histórico? 

http://mymill.files.wordpress.com/2009/06/karl-marx.jpg

Lembro que em minha infância, crescendo numa família católica, a idéia de comunismo estava associada a ateísmo. Repetia-se idéias estúpidas que comunistas comiam criancinhas - não no sentido pedófilo, mas canibal mesmo! - e que o estabelecimento de um regime comunista envolvia a perseguição as manifestações religiosas. De fato isso ocorreu na União Soviética, Polônia e China, mas sem muito sucesso. Well, mas vamos por partes, já diria Jack...

Marx, diferente de outros sociólogos como Durkheim e Weber, não possue uma sociologia da religião no sentido forte do termo, pois não fez de nenhuma manifestação religiosa objeto de estudo propriamente. Contudo, isso não significa que o autor não possua uma concepção sociológica de religião. Na verdade, a mesma está subordinada a seu instrumental teórico/metodológico de análise conhecido como "materialismo histórico". Porém, antes de nos debruçarmos sobre o termo para entender o que isso significa vale a pena fornecer uma definição genérica de religião e de como analistas sociais em geral - e sociólogos em específico - a abordam.

 http://theinspirationroom.com/daily/print/2008/9/karl-marx-cuts-toenails.jpg

Religião pode ser entendido como um sistema unificado de crenças e práticas baseadas no sobrenatural que estabelece normas de conduta compartilhadas pelos fiéis sobre que é moralmente entendido como certo, errado, socialmente aceito ou reprovável. Religiões variam em número de deuses (monoteístas ou politeístas), ritos, corpo de sacerdotes, forma de relação entre entidades sobrenaturais e crentes, tipos de entidades e idéias de vida pós-morte física. Sociólogos buscam analisar a religião como um fenômeno social, ou seja, como algo que, descartando seu aspecto sobrenatural, só pode ser entendido racionalmente nas relações entre indivíduos vivendo em sociedade. Numa perspectiva sociológica ampla, religião é entendida como uma "instituição social" (assim como família, educação, instituições políticas e econômicas) que nada mais é do que padrões estabelecidos que definem formas específicas de se viver e são responsáveis pela socialização, manutenção, reprodução dos indivíduos e, consequentemente, da sociedade. Apesar de concordarem sobre esses aspectos gerais, sociólogos possuem interpretações distintas do fenômeno social religião. Vamos a elas, mas antes uma pausa para uma tira engraçadinha de Carlos Ruas...

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A famosa frase de Marx de que a religião seria "o ópio do povo" é uma passagem do texto Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843). Basicamente, o que o filósofo afirma aqui é que a religião é uma espécie de auto-alienação dos homens. Passagens similares - irônicas e demonstrando certo desprezo a manifestações religiosas - podem ser vistos em outros textos da juventude de Marx como A Questão Judaíca (1844) - texto que lhe rendeu acusações injustas de anti-semitismo - e A Ideologia Alemã (1845). Marx foi influenciado por Ludwig Feuberbach (1804-1872), filósofo alemão que publicou em 1841 uma ácida crítica a religião em seu livro A Essência do Cristianismo. Feuberbach afirmava que a filosofia hegeliana, hegemônica na Alemanha dessa época, promovia a idéia de que um espírito abstrato produzia e dominava o mundo material e, na crítica desse autor, essa perspectiva era vista como uma forma de idealismo. De acordo com Feurberbach a religião equivalia a uma forma de auto-alienação uma vez que ela representaria a "essência humana" na imagem de um Deus que é perfeito e, consequentemente, estabelece e evidencia a imperfeição dos homens. Para Feuberbach era necessário cessar essa mistificação entendendo a religião numa perspectiva racional findando assim a auto-alienação dos homens.

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Marx concorda com Feuberbach em sua crítica a dialética hegeliana. Contudo, afirma o barbudo que os termos "essência humana" ou "homem" são abstratos ou vazios de significado se não forem entendidos dentro de uma perspectiva histórica. Homens e suas idéias (onde se insere a cultura e religião), para Marx, só podem ser entendidos como produtos sociais de sociedades específicas que mudam no curso do desenvolvimento histórico. Diferente de Feuerbach, que vê a religião como um reflexo da realidade material, Marx entende que há uma relação de determinismo entre formas de organização da produção material dos homens e suas idéias/cultura, essa relação é a chave de entendimento do processo (ou desenvolvimento) histórico: materialismo histórico. Em termos mais humanos isso corresponde a dizer que cada época histórica possue formas específicas de organizar a produção econômica (meios de produção e relações de trabalho entre classes) que determinam as idéias e cultura (ou tudo que seja abstrato) produzidas naquele contexto. O que Marx busca fazer é mostrar os vínculos existentes - e determinantes - entre, de um lado, atividade material/econômica dos homens e, de outro, produção imaterial ou, em termos mais simples, coisas abstratas como idéias, cultura e, consequentemente, religião.

 http://www.triarchypress.co.uk/Ricky_Romain/images/alienation-017-full.jpg

O sociólogo defende o argumento que entidades abstratas são criadas pelos homens ao produzirem sua sobrevivência material e obtêm autonomia dos mesmos quando passam a fazer parte da esfera da auto-alienação humana.  Isso corresponde a dizer que entidades como o Estado, o dinheiro e Deus se objetificam - uma vez que reificação/objetificação é a prática da alienação - incorporando a "essência humana" e dominando o homem. Assim sendo, o Estado, o dinheiro e Deus passam a funcionar como intermediários entre os homens e a sua própria liberdade. Em suma, homens se subordinam a essas entidades "estranhas" citadas anteriormente, pois as mesmas só passam a ter existência e poder dentro de condições materiais e históricas específicas.

Entretanto, para Marx, a religião teria um papel secundário no mundo contemporâneo uma vez a dominação por excelência se daria na esfera econômica e manifestações religiosas tenderiam a ser toleradas, mas estavam relegadas a contextos/espaços não determinantes das transformações sociais e políticas. Não é preciso refletir muito para concluir que o barbudo estava meio equivocado, né? Basta pensar em momentos históricos de vários contextos em que a religião foi fator prepoderante de organização política como o movimento pelos direitos civis nos EUA dos anos 1960, a  Revolução Islâmica no Irã em 1979/1980, o papel de setores da Igreja Católica na América Latina dos anos 1970/1980 atuando politicamente orientados pela ideologia da libertação e o peso político de líderes religiosos em questões políticas como na intricada e complicada relação Tibete-China.

Na sequência voltaremos com o francês Durkheim.

Muita Paz!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Religião e Sociologia: Mistura Interessante!

Não sei quanto aos leitores, mas tenho uma relação ambígua com religião. Primeiro, é sempre difícil imaginar um mundo onde todas as coisas são analisadas de forma desencantada, racional. Dias atrás uma das pessoas que sigo no Twitter enviou uma frase ótimo de Millôr Fernandes com a qual morri de rir e que resume de forma magistral o meu ponto: "O sujeito só é inteiramente ateu quando está bem de saúde". Ao mesmo tempo conheço pessoas que remetem todas as ações e conquistas pessoais a algo ligado ao sobrenatural, comportamento que também me incomoda. Mais: vári@s de meus/minhas amig@s vem se convertendo a igrejas que estabelecem códigos de conduta chatos e moralistas. Deixam de beber, não saem na balada e remetem tudo o que acontece de ruim em suas vidas como uma obra do nosso trutão Diabo. É uma forma simples e reducionista de resolver os problemas se isentando de culpa ou responsabilidade.

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Fui, assim como boa parte dos leitores, criado numa família católica. Frequentei catecismo, fiz primeiro comunhão, fui coroinha (algo que me rende boas piadas até hoje!) e fui crismado. Entretanto, já faz anos que não frequento uma missa (algo que considero extremamente chato) e vou a igreja somente assistir casamentos de amig@s. Também odeio o dogmatismo da Igreja Católica em relação a temas complexos como aborto e uso de preservativos. Mas estar na América (deles!) força você a olhar para a religião de uma outra forma, realizar um certo estranhamento em relação a esse fenômeno social. Os Estados Unidos, assim como o Brasil, é um dos países mais religiosos do mundo e há uma infinidade de credos religiosos que são manifestados em cada esquina dessa nação. Mas há muitas diferenças na forma como americanos e brasileiros vivenciam sua fé.

 http://www.psychologytoday.com/files/u589/World_Religion.gif

Podemos discutir as diferenças e similaridades em outro post. Contudo, o que irei fazer nos próximos textos do blog são curtas resenhas de como os pais fundadores da sociologia - leia-se Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber - interpretaram o fenômeno religião de forma geral. A melhor explicação que tive sobre como um sociólogo deve se portar em relação a fé religiosa me foi dada pelo meu ex-professor Reginaldo Prandi numa aula ainda na graduação. Respondeu ele ao ser questionado sobre a existência de Deus disse: "Para um sociólogo não se coloca a questão da existência ou não de Deus, interessa sim que os homens acreditam nela e agem em função dele". Uma ótima resposta weberiana pela qual me guio até hoje!

Aguardem os próximos posts e não deixem de visitar a página dos quadrinhos Um Sábado Qualquer, de onde foi retirada a charge no início do post, um ótimo exemplo de como Deus, Adão, Eva, o Diabo e outras figuras bíblicas podem virar motivo de piada sem ofender o credo religioso de ninguém...


Muita Paz!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Rappers Orfãos: Hummer se Foi!

http://www.soniavihar.com/news/wp-content/uploads/2009/08/hummer.jpg

Não é preciso dizer que carros fazem parte da cultura e do estilo de vida norte-americano. Na verdade, a história dos veículos está associada a história dos EUA. Vamos por partes, já diria Jack...  Todo o imaginário do que se convencionou chamar modernidade, processo que ascende definitivamente na virada do século XIX para o XX, está em parte associado a um modo de vida urbano e o avanço tecnológico incorporado em novas formas de transporte: trens a vapor, metrôs, carros e, mais tardar, o avião.

No caso dos EUA, os carros passaram a fazer parte de uma imagem de nação moderna e industrializada. Não é preciso ir longe para se ligar que nomes como Ford, General Motors (GM) e Cadillac foram e são (mesmo com a última crise econômica e o "pacotão" para salvar as montadoras) representantes do poder norte-americano. Até mesmo a idéia de "American dream" (uma família nuclear feliz com casa própria de jardim com grama a ser aparada e situada no subúrbio) envolvia, implicitamente, a necessidade de um carrinho para o papai se deslocar ao local de trabalho, levar os catarrentinhos à escola e a família no shopping mall da vida e/ou igreja aos domingos. Desse modo, sendo tão entranhados na cultura americana, não é de se estranhar que carros também sejam uma obsessão dentro do hip-hop.

Low riders (carros, geralmente modelos Cadillac dos anos 1960/1970, adaptados com suspensão especial) eram a sensação do começo dos anos 1990 quando rappers, em sua maioria de Los Angeles, tomaram a cena das grandes gravadoras. Com o tempo a ênfase se deslocou para carros de luxo como Lexus, Mercedes, Ferraris, LamborghinisBMWs e as enormes SWVs do tipo Cadillacs Escalade. Foi nessa época, começo dos anos 2000, com a gasolina a preço de banana, que esses modelos passaram a fazer sucesso entre rappers e aparecer nos vídeos como símbolo de ostentação, luxo, hedonismo e consumo conspícuo. Um dos modelos que mais agradava a negraiada do hip-hop era o Hummer (foto no início do post e abaixo).

 http://rw-3.com/wp-content/uploads/2009/02/hummer.jpg

Originalmente projetado como um jipe de guerra, o Hummer se tornou o pupilo de todo rapper ou artista de R&B bem sucedido. Basta assistir os clipes do mijão R. Kelly ou da imitação vagabunda de Michael Jackson, Usher, para ver esses verdadeiros tanques sendo dirigidos pela rapaziada levando a sua turma para alguma balada ou rolêzinho básico. Sociólogos como o inglês Paul Gilroy e o francês Loïc Wacquant, especialistas em temas de cultura negra e sociologia urbana, defendem a tese de que a popularização do Hummer entre a juventude pobre urbana faz parte do processo de militarização dos centros urbanos que se iniciou nos anos 1990.  Assista video abaixo explicando o carrinho...



Mas em 2008 a crise econômica chegou de vez e o preço da gasolina, que já vinha registrando altas há pelo menos dois anos antes, foi parar nas nuvens. Hoje as SWVs e os modelos monstro tipo Hummer se tornaram indesejáveis devido ao alta relação custo/benefício. Esses carros tem a oferecer comforto e segurança, mas são uns beberrões de combustível sem vergonha.  No vídeo abaixo, o tiozão que trabalha para uma empresa que aluga esses carros para eventos, explica quem contrata os serviços da compania e mostra no que a rapaziada transformou o interior de  um Hummer limousine: um clube ambulante! Detalhe: o aluguel do carango custa 400 doletas a hora.



Dias atrás nossos trutas gringos ficaram orfãos de vez. A GM, responsável pela marca Hummer, anunciou o fim do modelo (leia artigo em português AQUI ). A montadora tentou negociar a venda da marca a uma empresa chinesa, mas o governo do capitalismo vermelho não autorizou a transação ciente do trambolho que ia pegar. Afinal, em tempos de crise, quem quer ter um carro que é necessário possuir um posto de gasolina para manter? Nem os rappers ostentadores, eu acho!... Entretanto, como afirmava a campanha de venda do veículo: "Um Hummer não é (ops, era!) para qualquer um!"

Muita Paz!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Bispo, o Sexo e a Camisinha!

 http://www.hubscoutonline.com/storage/sex-and-religion.jpg

Hoje é um dia frio e neva pesadamente na Big Apple. Minha aula foi cancelada e me sinto com uma criança cursando a segunda série que recebe a notícia que não precisa ir a escola. Delícia! Estou aquecidinho no meu quarto assistindo o debate sobre health care entre Obama e senadores. O neguinho está mandando bem e lembra até o Obama da campanha presidencial rebatendo os argumentos desses republicanos assholes (desculpa aí se você é republicano!).

Seguinte, nossa campanha de orgulho negro continua, quase 30 leitores já deram o seu voto entre as opções de nome e rolou uma sugestão de trilha sonora e até camisetas. Vá lá no post  O Amigão Beiço!  e deixe o seu voto e comentário. Vamos mostrar o orgulho de sermos pret@s e branc@s aliados mostrando o BEIÇO!

Pois bem, no meio da vagabundagem de hoje, checando o Twitter, vi uma mensagem citando o blog do truta Bispo Edir Macedo (que não é parente meu, diga-se de passagem) onde o mesmo fala diretamente com os fiéis de sua religião, a Igreja Universal do Reino de Deus. O mais interessante é ver o bispo respondendo dúvidas sobre comportamento sexual. Por exemplo, ele não aprova o sexo anal, pois, de acordo com seu argumento, é uma prática que vai contra a natureza humana. Afirma ele que "No sexo anal, o reto é agredido com uma introdução estranha à sua natureza. Ele não está na função de receber, mas de expelir. Expelir o quê? Fezes, excremento ou cocô. As fezes são o lixo do corpo humano. Usar o ânus como objeto de prazer é o mesmo que degustar um belo jantar a dois no meio do lixão. Não faz sentido. É questão de higiene, de saúde e, sobretudo, de inteligência" (leia mais AQUI )


http://1.bp.blogspot.com/_itnji9T45XQ/SJZLt8GJ5GI/AAAAAAAAAco/sLc4UkvSnmU/s400/LOGO_IURD_ANTIGO.jpg

Well, não é uma posição com a qual eu concorde, afinal, sexo envolve consentimento de ambas as partes e dentro desta perspectiva as pessoas devem ter o direito de fazer o que bem entenderem com seus corpos. Entretanto, diferente da Igreja Católica que se recusa terminantemente a se engajar em campanhas que estimulem o uso do preservativo, o bispo tem uma atitude diferente em relação a isso em um dos seus posts. Nas suas palavras do bispo, "No início do meu casamento, a Ester fez uso da pílula anticoncepcional durante quase um ano. Mas sentiu-se muito mal e teve de interromper. Como não havia a vasectomia, parti para o sacrifício: comecei a usar camisinha". De certa forma, Macedo tem uma perspectiva positiva em relação ao uso da camisinha em seu texto apesar de se referir a atitude como um "sacríficio", apenas focar o uso como método contraceptivo (assim sendo deixando a utilização como algo opcional) e não falar absolutamente nada de doenças sexualmente transmissíveis e como o uso de preservativo pode evitá-las.

 http://surtocoletivo.files.wordpress.com/2009/06/preservativo-papal.jpg

Pois é, dois passos para a frente e um para trás!

Fique com o vídeo super divertido que recebi de meu amigo e ex-parceiro no curso de ciências sociais na USP, Giorgio Momesso.

Muita Paz e Sexo "Gotozinho" com Fé e Camisinha!!!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Amigão Beiço!

O NewYorKibe está lançando um nova campanha de orgulho negro. Depois do sucesso dos já datados "Black is Beautiful", "Quem é é, quem não é cabelo avoa!", "100% Negro", "Preto/Preta Original" e outras coisas mais, vem aí a campanha é baseada no melhor amigo de um/a negrão/negona: o amigão BEIÇO!

Já tive seríssimas discussões com meus amigos USPior (Vando "Marcha Lenta",  Flavião "Jay Z" e Batistão "Sangue no Zóio"), especialistas em futilidades negritudiais, e chegamos a conclusão que deveríamos fazer uma campanha de valorização do corpo negro sem sacanagens (ou estereótipos, com dizem os mais "intelectualizados"). Sendo assim, nada de bundas, cor de pele, tamanho de pênis, cabelo, mas sim... o BEIÇO!

http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/bossa-mag.spaceblog.com.br/images/gd/1227725392/Morre-em-Paris-em-1993-o-ator-e-letrista-e-grande-amigo-Grande-Otelo.jpg

O garoto propaganda da campanha será nada mais nada menos do que o ilustríssimo da foto acima: o mais que grande, digníssimo Grande Othelo (1915-1993), um dos maiores atores que o Brasilzão já teve.  Othelo era detentor de um charmoso, belo e sexy beiço (como pode ser observado na imagem acima). A idéia é simples: no próximo dia 13 de Maio vamos demonstrar o orgulho de ser um/a pretão/pretona (aceitaremos também adesões e apoios simbólicos de brancos aliados) colocando uma imagem valorizando nossos protuberantes, deliciosos e lindos beiços nos profiles dos Facebook, Orkut, Twitter da vida!

 http://farm4.static.flickr.com/3130/2863652836_11518dcbfc.jpg

Não há um nome definido para a campanha, mas a decisão virá do público leitor do blog que escolherá um título dentre as cinco opções abaixo:

1- QUEM É MOSTRA!

2- O BEIÇO É NOSSO!

3- BBB: BEIÇO BONITÃO À BEÇA!

4- BABA BABY BEIÇO!

5- BLACK IS BEIÇO!

Então, vota aí e deixe um seu comentário pra nóiz!

Para dar um estímulo a campanha segue a foto de dois pretos vagabundos beiçudos: Flávio Francisco (o famoso Jay Z [sem dinheiro, obviamente!]) e Márcio Macedo (vulgo Kibe).



Muita Pazzzzzzz e Beijos Gostosos em Beiços Sobressalentes!!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Cigarrinho e Breja com Jesubaldo!

Imagem de Jesus Cristo segurando um cigarro e uma lata de cerveja ilustrado no livro-texto

Sou um novo homem! Não, não encontrei Jesus... Na verdade fiz no último sábado, 20/2, meu exame de 8 horas de duração e tenho no momento "meia" sensação de dever cumprido ("meia" porque falta o resultado!).  Sendo assim, estou liberado para voltar a escrever no NewYorKibe sem peso na consciência por estar gastando um tempo que poderia estar estudando. No sábado à noite dividia umas Brooklyns - cerveja novaiorquina - com meu amigo Frank Hurley que também havia feito o dito cujo do exame e meu truta agia como se fosse uma criança que havia chegado ao final do ano escolar. "Shit man, I am so happy I don't need to study anymore!", dizia ele.  Bem, não é para tanto, mas que estou me sentindo mais leve, ah isso estou!

Pois bem, vamos mudar a conversa. Você se lembra daquele rap antigaço, mais conhecido como o rap do xerere? "Eu tava lá na esquina fumando um cigarrinho ko chegado/Chegou uma baratinha rapidinho me levou pro delegado..." Pois é, nosso truta Jesus entrou na roda lá na India sendo retratado na balada de breja (ruim, diga-se de passagem, pois a lata parece ser de Budweiser) e cigarrinho na mão. Okay, para não usar nome santo em vão e cair em sacrilégio (não quero queimar no fogo do inferno!) chamaremos o nosso amigão aí de cima de Jesubaldo. A imagem apareceu num livro didático (não estou de sacanagem, leia a parada AQUI ) da terrinha de Gandhi (1869-1948) e gerou indignação na comunidade católica. Compreensível, afinal, essa não é a melhor maneira de representar um ícone religioso pra molecada. Entretanto, tá difícil de Jesus ter sido esse sujeito loiro e olhinhos azúis aí, né não?

Pois é, no Brasil dos anos 1950 os ativistas negros Abdias do Nascimento e Guerreiro Ramos (1915-1982) criaram polêmica ao promover um concurso através do Teatro Experimental do Negro (TEN) que premiaria a melhor imagem de um Cristo Negro. A rapaziada ficou "P" da vida com os dois intelectuais que visavam questionar a imagem de um Jesus europeizado. Vendo essa imagem de Jesubaldo, resolvi dar uma fuçada aqui na santa web para ver os Jesus negrões que achava. Vai vendo aí...

Começamos com um Jesus negrão black power saído direto das quebradas do Harlem nos anos 1960...

http://hesedweemet.files.wordpress.com/2009/11/290px-negrojesus.jpg

Passamos então a outro Jesus negrão boa praça, mas vindo do Caribe, Jamaica para ser mais preciso, com direito a dreadlocks...

http://craiglaurancegidney.files.wordpress.com/2009/07/blackjesus.jpg

Outro Jesus negrão de dreadlock mas desta vez sem camisa (com outras imagens menores de seu martírio), sexy demais para uma igreja, não ladies???

 http://img.photobucket.com/albums/v21/trae_z/Black-Jesus-birth-death-etal.jpg

 Esse aí debaixo é um Jesus mais conservador na apresentação, estilo negrão classe média que trabalha como advogado...

 http://www.southdacola.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/b_black_jesus.jpg

Outro Jesus rastaman, a maneira preferida de retratar os bêlo comprido do Jesus "Zorópa", desta vez carregando a coroa de espinhos...

http://sathyasaibaba.files.wordpress.com/2008/07/blackjesus.jpg

E, finalmente, meu Jesus negrão predileto, na mais pura versão soulman Isaac Hayes (1942-2008) com óculos escuros na cara e de boca aberta ensaiando uma canção de amor...

blackjesus.jpg black jesus image by xXnickdonXx

Jesus pode não ter sido um irmão de cor, mas que é divertido imaginá-lo assim, ah é isso é!

Muita Paz!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Gildo Fará Falta...

Foi com tristeza e pesar no coração que recebi na terça passada a notícia do falecimento do professor do Departamento de Ciência Política da USP Gildo Marçal Brandão. Não sou cientista político, mas tive o prazer de fazer dois cursos com Gildo: Política I e Pensamento Político Brasileiro (informalmente conhecido como Política IV).

 

Em meu primeiro ano de USP, 1997, Gildo havia acabado de retornar de um estágio de pós-doutoramento nos EUA e foi dar aula para os pentelhos do primeiro ano como eu. Ainda lembro de minha primeira pergunta dirigida a ele. O professor explicava a diferenciação feita por Max Weber no clássico texto Ciência e Política: Duas Vocações entre as éticas da convicção e da responsabilidade e tentei enfiar Malcolm X na conversa. Gildo foi extremamente simpático e respondeu dizendo que na autobiografia de X é possível visualizar vários momentos em que o ativista negro agiu baseado numa ética da responsabilidade, mas que seu compromisso religioso esteve subordinado a ética da convicção. Assim era Gildo, por maior que fosse a besteira que os alunos falassem ele conseguia, elegantemente e esbanjando erudição, colocar dentro do contexto do que estava sendo discutido.

Anos depois fiz um curso de pensamento político brasileiro com ele. Lemos Visconde de Cairú, Caio Prado Jr., Florestan Fernandes,  Celso Furtado, Oliveira Vianna dentre outros. Confesso que, diante da aula de Gildo, pensei em seguir carreira na ciência política. Era fenomenal ver aquele tiozão, que tinha idade para ser pai de todo mundo na classe, usando argumentos de Rousseau, Locke, Hobbes, Marx, Gramsci dentre outros pensadores clássicos para evidenciar o sentido, forças e fraquezas dos argumentos dos autores que líamos.

 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdEsrQ6-7kryULzMYzRyw73Xuqg-3ZvRzJuR7imRT8gL5ipCG4mzFOh50TxtHcjhnddNguELOm5KKkwonpBP-Yv9_-K5Js0bLz8wMLsYywdbI_5-nNs-6rd_ALacMUirO2CO4N5wcDfE8/s320/Gildo.gif

Enfim, Gildo irá fazer falta a USP, a acadêmia e as ciências sociais brasileiras que ficaram mais pobres na segunda passada. De minha parte, vou sempre me lembrar do senhor barrigudinho, vestindo calça jeans, camisa, um coletinho - desses das imagens clássicas dos antropólogos fazendo campo em algum lugar distante - e óculos de aro grosso andando pelo prédio da Ciências Sociais/Filosofia. Assista vídeo com ele abaixo no qual o professor discorre sobre as mudanças ocorridas na esquerda brasileira. O tom às vezes irônico de sua fala era típico do professor.



Abaixo texto que saiu na Pesquisa Fapesp Online com uma foto de Antonio Gramsci (1891-1937), pensador italiano que Brandão era especialista.

Descanse em Paz, Gildo!

Notícias
A morte de Gildo Marçal Brandão
Aos 61 anos, o cientista político da USP morreu na segunda-feira, dia 15/02

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Casa di Caboclo

E segue a rima no berço do hip-hop brasileiro, minha querida São Paulo. Casa di Caboclo representa muito bem a nova escola com o vídeo da música Tempo. Roubei esse clipe lá do Miss Milissima.

Muita Paz!