quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mais de Obama!

Consciência coletiva! Esse é o termo que o francês Émille Durkheim (1858-1917), um dos pais fundadores da sociologia, usou para qualificar estados de excitação em que as pessoas perdem momentaneamente sua individualidade e são conduzidos por algo maior, acima da sua autonomia, os tornando parte de uma coletividade. É possível ver o conceito em ação em situações como linchamentos, a euforia presente no meio de uma torcida de de futebol e nos transes coletivos de cultos evangélicos, é aquele "friozinho" na barriga que sentimos ao acompanharmos um jogo da seleção brasileira de futebol na copa do mundo . Consciência coletiva foi o que presencie terça-feira em NYC, após o anúncio de Barack Husseim Obama como o mais novo presidente eleito dos Estados Unidos e seu posterior discurso de Chicago para todo o país e o mundo.

Assisti a apuração dos resultados e o anúncio da vitória de Obama em uma unidade da New School localizada na West 13th Street. Quando cheguei não havia quase ninguém no auditório equipado com três enormes telas, duas delas sintonizadas em estações de TV e outra plugada em um laptop que mostrava via internet a situação da apuração em cada um dos mais de cinqüenta estados americanos a partir de um mapa nos EUA. Estava acompanhado de duas amigas também alunas do programa de sociologia, Sarah DeGray e Sofya Yampolsky. Foram momentos de tensão, nervosismo e diversão que dividimos com amigos ao redor dos EUA e do mundo graças a tecnologia. Eu, com meu computador, conversava com minha namorada em casa via messenger, com meu amigo Jece Leite no Brasil via Skype e ainda por telefone convidava outros amigos da New School para irem para o prédio onde acontecia a festa para assistir a apuração e filar um pedaço de pizza, brownies ou um franguinho básico. Sofya usava seu laptop para conversar com o namorado na França e a mãe em Boston. Ainda sobrava tempo para checarmos os últimos resultados pelo site do New York Times.

Finalmente quando Obama foi anunciado como o mais novo presidente eleito dos Estados Unidos o auditório, agora cheio, veio abaixo. Pessoas de todas as raças, cores, gêneros, orientação sexual, nacionalidades e idades gritando, se abraçando e chorando. Sarah, Sofya e eu também não nos contemos e caímos no choro (soa piegas, mas é verdade). Imagens de diferentes lugares dos EUA eram mostrados pelos canais de TV e a reação das pessoas era a mesma: choro, gritos, uivos e sorrisos. A única imagem de decepção era encontrada na multidão que assistia o discurso de MacCain que, após uma campanha que colocou em xeque sua reputação de herói de guerra e caráter inabalável, finalmente voltava por meio do seu discurso a ser o velho MacCain que representa o que o partido republicano tem de melhor em seus quadros ao falar de união, respeito e cooperação (coisas que obviamente faltaram a sua campanha). Logo em seguida veio o discurso de Obama e mais uma vez as pessoas não contiveram a emoção ao ver a nova primeira família se apresentar ao mundo e um silêncio sepulcral se seguiu durante a fala de Obama que, como meu amigo Paulo Dantas notou em seu texto, parecia mais sério, seguro e sentindo o peso da responsabilidade que carregava dali em diante.

Ao seguir fomos tomar uma cerveja em honra ao novo presidente e a conversa girou em torno da campanha, o que a vitória de Obama significava e a alegria que todos se encontravam. Já passavam da 1:00 da manhã e estávamos ali, num bar no East Village, desejando que aquela noite não acabasse... Por alguns instantes parecia que não ia! Alguns amigos que estavam na Times Square chegaram no bar e contavam a euforia que presenciaram em um dos lugares mais famosos (apesar de um dos mais abomináveis também!) de NYC numa multidão de gente gritando, pulando e cantando Obama, Obama, Obama... Essa mesma energia sentiríamos ao fazer nosso caminho de volta para casa e passar pela Union Square onde uma multidão pulava, cantava e dançava ao som de música ou simplesmente barulho feito com a ajuda de alguns instrumentos de percussão e panelas. Tiramos fotos, pessoas que nunca tinham se visto antes se abraçavam, beijavam e gritavam o nome do novo presidente. Quem já freqüentou as festas do prédio de história da USP em São Paulo terá o quadro perfeito do que estou falando. Por volta das 3:00 da manhã peguei o metrô de volta para meu apartamento no Harlem. Gente indo para o trabalho comprava os jornais matutinos ávidos por mais notícias.

O dia terminou e fui dormir na madrugada do dia 5 de novembro em uma América com esperanças de se tornar um lugar diferente e melhor!

Muita gente tem perguntado sobre o que acho do Obama. Bem, estou com overdose da Obamania. Preciso de um tempo para relaxar depois de tanta emoção e pensar com calma o que isso tudo significou e vai significar. Em conversa com meu saudoso amigo Batistão, chegamos a conclusão de que, como sempre, esse fato histórico poderá ser interpretado e utilizado das mais diversas formas por grupos muitos distintos. Mas depois escrevo mais! Agora vou ver o que estão falando sobre a equipe de transição do Obama na TV e qual será o puppy (animal de estimação) da família presidencial, pois uma das filhas do presidente é alérgica! Dá-lhe Obama! *rs*

Por fim, estou recebendo um série de e-mails com textos de amigos sobre Obama e o fato histórico ocorrido na última terça-feira. Caso me permitam, publicarei todos os artigos aqui no espaço reservado aos comentários de maneira a socializá-los com todos os leitores do blog.

6 comentários:

Kibe disse...

Olá pessoal,

Espero que estajam bem.

É interessante falar a partir desse lugar geográfico daqui, o olho do furacao para o mundo, o espaço que mais parece a casa do big brother, onde o mundo todo está "dando uma espiadinha".

É um risco ser contaminada com um excesso de celebração, mas é impossível não expressar a satisfação de estar vivendo esse momento, de conversar com as pessoas - negros e brancos - e ouvir seus comentários, seus choros, as risadas.
A frase que mais escutei ontem e hoje de estadunidenses/as é que eles/as pela primeira vez têm orgulho do país, que, pela primeira vez, bateu uma pontinha de patriotismo.

Quando cheguei aqui, encontrei pessoas que tinham vergonha do país, do presidente, da guerra, do imperialismo- e nao era para menos e, apesar de viver o privilégio na sua abundância, essas pessoas pareceiam fracas, sem ação, minadas por dentro. Fiquei impressionada com a fala das pessoas, falas quase suicidas. Alguns diziam que se McCain ganhasse iriam procurar outro país para viver porque já nao era possível viver sob essa sombra de Bush e o que ela representa.

Por outro lado, há um sem número de senhoras bem idosas, negras, dizendo o quão estão felizes com o fato de guardar na memória imagens da família negra de Obama ao lado de imagens de linchamentos. Uma das coisas mais bonitas desde que cheguei foi participar de um concerto de Maya Angelou, a querida poeta negra, cuja fala dividia risos e choro da platéia. Maya Angelou contou sua infância e todas as coisas que a fizeram ser a pessoa que é hoje. Ela contruiu a metáfora do arco-íris que atravessa nuvem - "the rainbows in my cloud" - ela diz. E disse que há momentos e situações que nos oferecem a oportunidade de pensar a nossa condição humana. Ela menciona Barack Obama como um desses momentos.

Pede cuidado para que nao esperemos dele o que nao foi feito em anos por outros governos, que esperemos um pouco e que acima de tudo, fiquemos na torcida de que haja, de fato, condições de governabilidade.
Hoje pela manhã, Maya Angelou foi entrevistada e a reporter pediu para que ela enviasse uma mensagem para Obama. Ela disse: "Thank you, Thank you, Thank you!"

Obrigada por nos dar a chance de sermos pessoas melhores, pelo menos por algum tempo.

Mais tarde, acessei a Rádio Itatiaia, de MG, para ouvir o que as pessoas estavam comentando a respeito. Ouvi um comentário de Alexandre Garcia e agradeci aos orixás a capacidade de entender outro idioma além do Português. Alexandre comentava a fala de Lula; aquela em que ele comenta o que Obama representa para os EUA, o Chavez para a Venezuela, ele para o Brasil, e o Evo Morales para a Bolívia. O tom de Alexandre foi muito desrspeitoso, apenas para variar nao é?

De modo que, tento manter um pé aqui e outro no Brasil quanto à coleta de informações porque o que a mídia e seus comentaristas brasileiros fazem é filtrar muita coisa e postar análises que nada têm de neutras. O mesmo email que vocês receberam (com as fotos) foi enviado a outras pessoas. Uma pessoa respondeu dizendo, de maneira muito ofensiva, que é apenas brasileiro (com as palavras em caixa e muitas exclamações).
O que fazer? Nao sou extremista a ponto de dizer que Obama é tudo, ou que ele nao é nada. Ele marca um momento importante no capítulo da história. Pode vir a se consolidar como um político cuja imagem é mais limpa e melhor que a imagem do império americano, a exemplo de Lula em relaçao ao PT ou ao governo? pode. Pode cair no desgosto popular daqui a um ano? pode também.

Pra mim, é muito válido o espaço da outra margem. Minutos atrás liguei para a casa de minha mãe, em Belo Horizonte, e meu sobrinho de onze anos atendeu. A primeira coisa que ele perguntou: "E o Obama, foi eleito né? Isso é bom, não é? Você está feliz?" Na sequência, minha mãe pegou o telefone e disse: "muita gente comentou sobre o Obama hoje comigo, e eu acredito que ele vai fazer muita coisa para os negros e os pobres. Quem sabe aqui nao fazem o mesmo, né?" Meu sobrinho e minha mão são apenas personagens comuns do dia-a-dia das periferias brasileiras. Se Obama os inspira a pensar o mundo e a se colocarem nele a partir de suas experiências, só por isso ele já tá valendo.

Silvia Lorenso
E-mail: silvialorenso@gmail.com

Kibe disse...

Meu Caro Mano
Composição: Chico Buarque / Francis Hime - Adaptação Oswaldo Faustino


Meu caro mano, me revele, por favor,
Quanto suor banhou tua testa
E, se puder, mande através de um portador
O eco rouco dessa festa

Aqui na terra tô curtindo a emoção
E a inveja me invade o coração
Queria tanto estar aí, mas não dá não
E me orgulho em dizer: que a coisa aí tá preta

Não tem mutreta que altere a situação
E a gente canta, dança e faz careta de pirraça
E a gente comemora, com cerveja e com cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro mano eu pretendo estimular
A tua solidariedade
Mande um pouquinho para eu saborear
A mega super novidade

Aqui na terra tô tentando segurar
As doces lágrimas que insistem em rolar
Se a nuvem chove, o sol acaba de raiar
É bom demais poder dizer: que a coisa aí tá preta

É pretitude se espalhando pelo ar
E a gente canta, dança faz careta, só de marra
E a gente berra até parece louco nesta farra
Ninguém segura esse rojão

Meu caro mano não dá pra telefonar
O meu inglês é tão precário
Mas imagine minha voz a gaguejar
Como no meu aniversário

Aqui na terra mais pareço um demente
Como se fosse eu o eleito presidente
É auto-estima, identidade, alma e mente
Pois me orgulho em dizer: que a coisa aí tá preta

Corra pra praça, solte a voz, qual Simonal
Pois com uma canção também se luta e coisa e tal
Levanta alto o punho e o queixo... é bom sinal
Ninguém segura esse rojão

Meu caro mano só te peço pra escrever
E registrar esse momento
Ele jamais irá de novo acontecer
Nem cairá no esquecimento

Aqui na terra tô que é pura excitação
Arrepiado, acelerado o coração
Se desse me agarrava ao rabo do rojão
Pois, afinal, posso dizer: que coisa aí tá preta

Dou piruetas, nem me lembro mais de drama
Que povo de coragem pra romper a velha trama
Virar a mesa é uma atitude de que ama
Um grande viva para Obama!!!

Oswaldo Faustino
Email: ofaustino@bol.com.br

Kibe disse...

Não fosse estar sozinho em casa...
Bom, tendo passado três dias desde a grande euforia que tomou não somente o mundo ocidental por onde passa a América Latina (e o nosso Brasil), mas também pela perspectiva expressa por representantes políticos do oriente, creio que já é hora de incorporar-me a esta lista de comentários. Dialogo com todos(as) que escreveram aqui e que tive a oportunidade de ler, mas principalmente com Jaime, amigo e irmão camarada.
Quero dizer inicialmente que entendo e me esforço para entender o sentimento de desconfiança sobre toda essa alegria extrema da vitória de Barack Obama para a presidência dos EUA. De fato, na medida em que a conquista do poder foi "voto a voto", ou seja, num sistema de eleições representativas e não um golpe de Estado, a estrutura política estadunidense não estará sob os pés do líder Obama. Nem é disso que se trata! Trata-se, isto sim, da eleição de um homem que traz na sua trajetória pessoal e familiar, nos seus discursos e mesmo na sua corporeidade de homem negro, uma serie de elementos cuja potencialidade mobilizou negros, brancos e latinos que lá residem para imaginar que uma nova América é possíveis.

O slogan "Yes, we can" deve ser identificado não como um símbolo através do qual uma série de diferenças históricas - raciais, religiosas e intercontinentais - serão resolvidas do dia para noite, ou nos quatro anos de governo. O esforço é necessário, mas, para mim, o slogan representa, em dimensões diferenciadas e com histórias distintas, o desejo profundo expresso por inúmeras pessoas, grupos (sociais, políticos) e países: o sentimento de que ainda há esperanças e elas se concretizaram na eleição de um homem negro que conseguiu (re)acender essa chama. Deste modo, o sentimento de que as mudanças são possíveis e necessárias devem perpassar a vitória de Obama e do seu mandato. Neste sentido, a sua vitória representa a possibilidade de os Estados Unidos e o seu povo reconhecerem a história e os direitos de outras nações e povos. Os conflitos e a dominação provavelmente continuarão a existir, mas as armas e a guerra podem perder espaço neste novo momento. Se isto fizer algum sentido, estamos passando mesmo por um momento extraordinário. Barack Obama, suas perspectivas políticas e todas as pessoas envolvidas na sua campanha – com especial atenção para a sua esposa, Michelle - são os protagonistas dessa nova história que começa a ser acompanhada mais de perto pelo mundo.

Alguns de nós estarão desconfiados com tudo o que está acontecendo; outros e outras duvidarão da possibilidade de alguma mudança verdadeira; e há aqueles e aquelas que dizem que estamos vivendo de ilusões, pois não podem acreditar que alguma mudança razoável possa surgir "só porque Obama é negro". Sim, os (contra) argumentos também ganharam esta dimensão rasa. Ilusões, descrenças, desconfianças, esperança... Todas essas e outras visões irão ocupar o lugar da observação e dos julgamentos sobre os rumos da política no país mais poderosos do mundo. Por enquanto, no nosso país, inúmeras pessoas se emocionaram e não contiveram as lágrimas quando viram e ouviram os noticiários falando da vitória de Obama. “Como ele parecia mais forte e seguro quando apareceu ao público no momento de vitória; e como o seu sorriso brilhava ainda mais”, diziam. O meu lamento, Jaime, foi chegar em casa e não poder dividir a minha alegria e os meus gritos de "êa povo negro", com meu irmão Edson. Brindei sozinho, até chorei, enquanto Edson chegava do trabalho para dividirmos uma pizza e uma coca-cola - sem ressentimentos, é claro.

Um forte abraço a tod@s,

Paulo Dantas.
Email: paulodantasbr@yahoo.com.br

Kibe disse...

Não fosse a bandeira dos Estados Unidos tão suja de sangue......

eu teria vencido a tentação e saido `as ruas para celebrar a vitória de Obama enrolado em uma das muitas que enfeitava as ruas de Austin (Texas) nesta historica terça-feira de novembro.
Celebrei discretamente com alguns amigos e amigas cada voto. Para nós, a vitoria de um homem negro para a Casa Branca representa muito, por si só. É no plano simbólico que situo a eleiçao de hoje. Logico que a diferença entre Obama e os últimos presidentes será apenas até o momento em que ceda à tentação e coloque a maquina de guerra em novos alvos preferenciais da paranóia estadunidense (Irã, Paquistão, Síria...).
Mas o fato é que uma onda de otimismo nos invade a todos. Vendo uns amigos negros chorarem por que seus pais nao tiveram a chance de ver o impossivel acontecer, nao me contive. Celebrei junto. Saturados do terror do cawboy do Texas, a maioria dos estadunidenses disseram sin sí pode, yes we can! Ao ultrapassar a barreira historica, Obama já fez história: ainda ontem os brancos deste pais se reuniam aos domingos para os rituais de linchamento de negros. Ainda ontem Martin luter King morria com uma bala no coracao e Malcon X tinha o mesmo fim; ainda hoje 2 milhoes de latinos e negros estao atras das grades nas sucursais do inferno da democracia penal estadunidense. Oxalá os proximos quatro anos tragam mudanças, se nao no plano estrutural, pelo menos no simbólico. Uma vez que a maquina caminha mesmo sem o maquinista, no plano estrutural Obama pode ser a nova face negra do imperialismo estadunidense. No plano simbolico, nossas criancas crescerao vendo uma familia negra nos espacos de poder. Nesse sentido, oxalá o efeito Obama tambem chegue ao Brasil.

Abracao,

Jaime Amparo Alves
Email: amparoalves@gmail.com

Kibe disse...

ELEIÇÃO DE OBAMA.
VIVA a quebra de mais uma barreira do racismo no mundo. A eleição de OBAMA representa uma grande vitória na luta política pela concretização da igualdade racial no mundo.
Representa evolução do conceito formal da igualdade jurídica entre negros e brancos. Significa respeitar o povo negro enquanto "ser pensante" dotado das mesmas potencialidades.
A busca pela igualdade de acesso aos direitos civis, sociais e políticos vem sendo construída desde nossos ancestrais, bem como por nosso lideres notórios, a exemplos: o pastor evangélico americano Martin Luther King, a costureira americana Rosa Parks que desencadeou a luta pelos direitos civis nos USA, o advogado negro e pacifista Manhatma Gandhi, Os revolucionários Steve Biko e Nelsom Mandela que lutaram contra o apartheid na África do Sul, o líder político moçambicano Samora Machel, em nossa terras o grande líder Zumbí dos Palmares, símbolo da resistência contra a escravidão.
E também por inúmeras pessoas, trabalhadores e intelectuais, de diversas nações, raças(sentido político), credo religioso e ideologia política. Pessoas que lutaram e lutam para construir a igualdade real, a justiça social e consequentemente a paz.
Igualdade encontra-se expressa em declarações, Constituições e leis de diversas nações, inclusive em nossa atual Constituição Federal.
Igualdade e dignidade são princípios pilares para concretizar-se um Estado Social de Direito.
A eleição de BARACK OBAMA nos USA representa, mais uma vez , naquele país, a quebra da igualdade formalmente estabelecidas nos textos da leis americanas porque transpôs os limites formais e alcançou o mundo real.
Que essa quebra na igualdade formal no Estado americano, transcenda os limites territoriais e possa alcançar outras nações pelo mundo, especialmente, o Brasil.

Silma Maria Augusto.
Email: s.m.a@ig.com.br

Kibe disse...

Boa noite,

Desculpe pela demora em responder, acontece que o tempo tem sido curto, mas não abro mão de registrar minhas impressões sobre a eleição de um presidente negro nos Estados Unidos.

Minha tendência é analisar a interferência do momento histórico no comportamento de cada indivíduo e da sociedade.

Vale lembrar que ainda na década de 50 nos Estados Unidos a segregação
racial permitia que houvesse transportes, lojas, escolas, etc... classificados conforme a cor da pele de seus frequentadores.
Até o ano de 1945, a Marinha americana não possuía nem ao menos um oficial negro. A cerca de 40 anos atrás, negro não podia usar banheiro de branco e o tipo de
matrimônio que trouxe Barack Obama ao mundo (entre um homem negro e uma mulher branca) era considerado ilegal em 16 dos 50 Estados americanos. Negros eram
obrigados a sentar na parte traseira do ônibus e ceder o lugar, se requisitados, e ainda corriam o risco de ser linchados nos Estados Unidos.

Em 1960, somente 22.000 negros do Mississippi estavam registrados para votar. A população negra do Estado era de 915.743 naquela época. Na Louisiana determinavam que os circos tivessem que ter entradas separadas por pelo menos oito metros de distância para negros e brancos; enquanto a
Associação de Restaurantes no Texas colocava cartazes nos quais dizia:
“proibida a entrada de cães, negros e mexicanos”. E, ainda hoje, temos a atuação da Ku Klux Klan, entidade racista radical que surgiu no estado do Tennessee na segunda metade do século dezenove, sendo
relançada em 1915 com atuação mais marcante nos estados do sul dos EUA como Texas e Mississipi. Atualmente, conta com cerca de 3 mil membros espalhados pelos chamados estados confederados - Alabama, Carolina do Sul, Flórida,
Geórgia, Louisiana e Mississipi.
Haveria ainda muitas laudas para todos os relatos escabrosos. Paro por aqui..

A histórica eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos
obriga-nos a um momento para reflexão dentro e fora dos Estados Unidos, sobre um passado recente de violência, de humilhação, de relatos fortes sobre fatos difíceis de entender, tal e qual acontece ainda hoje em nosso país com os negros, pobres, índios... e marginalizados de nossa sociedade.

Os norte-americanos fizeram História e mostraram ao Mundo que a união, o desejo e a determinação são capazes de transformar uma sociedade inteira, logo, caros amigos, vamos de uma vez por todas nos apoderar desta consciência
de transformação e iniciar esse processo começando pelo que deve ser mudado na vida de cada um, no lar, na família, no trabalho, na comunidade em que vivemos até atingirmos cada ponto do nosso país e garantirmos o direito ao respeito e à dignidade para o nosso povo.
'Esta é a vossa vitória. A mudança chegou à América. Todos somos
América.'

Queremos o nosso Obama. Yes, we can!!! A dimensão de Obama é muito maior do que a sua cor. É sinal de esperança para o Mundo.

.... "Já dei tudo. Nada me resta de tudo quanto tive, exceto tu,
esperança!"
(Friedrich Nietzsche 1844-1900)

Forte abraço,

Alba Marisa
Email: albamarisa.amorim@yahoo.com.br