quarta-feira, 27 de agosto de 2008

New School for “no” Social Research.






Hi Guys and Girls,

Bem respondendo aos comentários do Ari e Flávio "Jay-Z" Francisco no tópico do Obama eu diria... Ari, preciso ler o The Wall Street Journal para ter uma opinião, por enquanto estou reproduzindo o senso comum. Contudo, diria que ser reacionário não é um xingamento propriamente dito, apesar das pessoas sempre tomarem o termo como tal.

Quanto ao Obama, Flávio, acho que a Michelle depois do discurso de segunda passada começa a incrementar a campanha. Agora é a hora do bicho pegar... Precisamos ver que tipo de mudança efetiva o negrão havaiano filho de mãe branca americana e pai negrão africano quer implementar na América (deles!). Confesso que ando sem saco para assistir as notícias relacionadas a convenção democrata e a campanha presidencial: tudo muito vazio e banal. Detalhe: hoje comprei a Essence com a família Obama na capa para a Dionne. Acho que até o final do ano o figura deve sair até na Capricho aí no Brasil *rs*.

Mudando de assunto... Muitas coisas para escrever e pouco tempo para registrar. Na semana que vem começarão as aulas e o bicho vai pegar de vez. Na segunda-feira (25/8) passada rolou uma recepção aos novos estudantes de pós-graduação da New School for Social Research (NSFSR). Conclusão: aluno de sociais é aluno de sociais em qualquer parte do mundo. Lá estavam às figurinhas tatuadas e com piercings em várias partes do corpo (me incluo nesse grupo), indies, neo-hippies, moderninhos, pedantes, branco(a)s com tranças dreadlocks, salvadores do mundo, “jornalistas” frustrados, antropólogos apaixonados por seus objetos de estudo, pós-modernos, rapazes bem vestidos com cara de relações públicas de alguma instituição de ajuda internacional, alguns pretos (também me incluo nesse grupo), enfim, tudo aquilo que alguém que tenha cursado ciências sociais (ou algum outro curso de “ciências” - *rs* - humanas) na graduação já conhece. No meio da bagunça encontrei duas brasileiras. A primeira delas, Jussara, é estudante do departamento de sociologia e já mora na América (deles!) há catorze anos. Já a segunda, Laura, é estudante do primeiro ano do doutorado em economia e bolsista da Fulbrigth/Capes.

A instituição busca deixar todo mundo à vontade tentando criar um clima agradável, mas a verdade é que há um excesso de atividades, burocracia e cuidados com os novos alunos. Tratam os "calouros" da pós como bebês recém nascidos que precisam de todos os cuidados. Tenho dois advisors: 1) um aluno de graduação responsável por me orientar no que diz respeito aos cursos que irei fazer no primeiro semestre (preciso falar com ele antes de me matricular, pois senão não tenho acesso à senha para fazê-lo que é fornecida por ele) e 2) um professor que coloca apenas o nome (coisa pró-forma) no papel para dizer que tenho uma espécie de orientador. Para quem vem de um ambiente como o uspiano, no qual a norma é você se virar sozinho, isso é pouquinho demais. Também há excesso de informação, o que reflete um pouco o ambiente nova-iorquino. Não aguento mais carregar revistas, mapas, guias, livros de procedimentos, condutas, enfim, o diabo a quatro.

No meio da tarde participei da reunião de uma associação de estudantes da NSFSR que ficou responsável por contar o lado B da história. Ausência de espaço para estudo na biblioteca da pós-graduação o que força os alunos a usarem uma das bibliotecas da vizinha NYU, aumento vertiginoso do número de alunos de pós sem que os recursos da instituição fossem também ampliados, o prédio da NSFSR está para ser demolido e construído outro em seu lugar, mas não se sabe se e quando isso será realizado, os TAs – teacher assistent (professores assistentes ou uma espécie de monitor) – ganham um salário ridículo e isso acaba afastando os alunos desse tipo de trabalho que deveria ser uma espécie de estímulo a prática docente, enfim, uma série de problemas relacionados a infra-estrutura e funcionamento da escola que não é um paraíso e não tem muita grana como a vizinha NYU (fiquei chateado também por que não temos um mascote como a NYU cujo o bichinho representante é um leopardo chamado Bob Cat, que fofura! *rs*). Um outro grupo de alunos, revoltados com a situação, promoveu há meses atrás uma série de ações tentando chamar a atenção dos dirigentes. Nas mesmas eram distribuídos panfletos que ironizavam o nome da instituição chamando-a de New School for “no” Social Research *rs*.

Uma coisa divertida (e sei que o Alcir vai morrer de rir ao saber disso!) é que vou fazer academia numa YMCA da quinta avenida, já que os alunos da New School tem desconto lá. Bem, vocês lembram da música do Village People, né... "Y... M C A". Não preciso falar mais nada, só cantar "Macho macho macho man...". *rs*

O fim do dia terminou com um coquetel que me lembrou os lançamentos de livros realizados na FFLCH/USP: vários penetras de plantão, muita gente de chinelão, bermuda, clima descontraído, farra e, como não podia faltar, azaração. Enquanto mandava ver nas taças de vinho fiquei amigo de um antropólogo peruano bastante gente boa. Xingamos o Fujimori, falamos de Alan Garcia, Lula, do puritanismo besta dos EUA (de novo a história de não poder beber na rua) e da obsessão americana por carros. Como eu sou brasileiro e não desisto nunca minha balada ainda foi acabar num boteco/bar/restaurante do Village acompanhado de dois brasileiros (Raphael da ciência política e Laura da economia), um sociólogo alemão e um economista inglês com cara de bêbado.

Na volta para casa em Stamford ainda tive tempo de pagar um mico básico. Na estação optei por pegar o trem local em detrimento do expresso que demoraria mais trinta minutos. A diferença entre os dois é que o primeiro para em todas as estaçõezinhas antes de Stamford, enquanto que o segundo vai direto fazendo duas paradas, Stamford e depois New Haven (isso mesmo, a cidade onde fica Yale University). Entrei na bosta do trem e capotei de sono. Minutos depois (que pareceram horas) acordei assustado e vi que o trem estava parado. Desci certo de que estava em Stamford, mas só depois que a merda do trem partiu lembrei que não tinha pego o expresso e vi a placa da estação: Ryers. Legal: quarenta minutos passando frio num diabo de lugar que nem sabia onde era. Cheguei em "casa" quase duas e meia da manhã ainda bêbado, com sono e já com a amiguinha ressaca vindo me visitar. Preciso parar de beber... Aliás, próximo tópico: cervejas, brejas, beers...

6 comentários:

Eduardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo disse...

muito bem escrito! Adorei e tambem nao resisto uma conversa sobre a absurdo puritanismo that smothers American culture! Nao tenho saco nao...funny neh. americana que virou brasiliera!

Deus me livre!

muito bom mesmo!

Ps...always put your cell phone alarm on the train. That way you can nap and have it wake you up before your stop
bjao

HOPE!

Eduardo disse...

by the way it's denise not eduardo. I am sure you did not know that. The grandeur of my portuguese abilities amazes all! Hahah

Raphael disse...

Pois é, Kibe young man, esse YMCA é o original da música do [Greenwich] "Village People". E a sauna de lá, dizem, é uma verdadeira loucura... "You can hang out with all the boys".

Aliás, o bairro todo está cheio de ícones do movimento gay. Vale a pena conhecer o bar "Stonewall". Foi lá que tudo começou. Fica na Christopher St. [que dá nome a algumas paradas gays no mundo: "Christopher St. Day Parade"].

Muito legal o blog.
Abraço,
Rapha

Ari disse...

RECLAMÂO!!!!!!!!

Renata disse...

vc parar de beber? qdo isso acontecer eu paro de falar..rs