sábado, 27 de abril de 2013

Em Busca da Bunda e do Pênis Perfeito

Houve épocas em que escrevi tratados e não posts. Com o tempo isso mudou. Falta de tempo e amadurecimento me fizeram entender que textos longos são bons para livros e revistas acadêmicas, mas não blogs. Meus textos hoje são mais breves e informativos, não buscam dissertar de forma excessiva sobre assuntos polêmicos, pois ninguém quer passar 30 ou 40 minutos lendo a mesma parada em frente a tela do computador. O texto que segue abaixo foi uma das últimas tentativas de fazer algo de fôlego por aqui. Acabei não terminando e ele estava perdido como um rascunho de post. Resolvi publicar da forma como o deixei. A parte divertida é imaginar para onde o texto ia, que rumos a argumentação tomaria. A propósito, o post (ou a "tentativa de post") foi originalmente escrito em 22 de novembro de 2011.  Vamos lá... Ah, já ia esquecendo: a foto aí debaixo é do polêmico livro de fotografias Black Book (1986) do fotógrafo Robert Mapplethorpe (a história desse livro e de Mapplethorpe daria um ótimo post).

Em Busca da Bunda e do Pênis Perfeito

"Bunda, diz o ditado, é uma paixão nacional no Brasil. Mas o que isso significa propriamente? Que somos um país negro/mestiço? Que somos sexualmente mais liberados que outras nações? Difícil pergunta. Seja uma paixão nacional ou não, traseiros femininos (e até masculinos) sobressalentes são objetos de desejo e admiração mundo à fora. Entretanto, uma leitura mais detalhada dessa "admiração" pode assustar leitore/as desavisad@s. Semana atrás li a notícia em um jornal sensacionalista americano de que uma transexual havia sido presa no estado da Flórida, EUA, acusada de oferecer serviços de "buttocks enhancement" (numa tradução tosca, aumento de bunda) em que a mistura aplicada nas nádegas de suas "clientes" continha, dentre outras substâncias, cimento e cola (leia mais AQUI). Contudo, por mais bizarra que a notícia possa parecer, ela não se dá num contexto isolado. Várias mulheres têm perdido a vida em tentativas de aumentar o tamanho de suas nádegas fazendo enchertos em clínicas plásticas e, muitas vezes, se utilizando de "profissionais" não qualificados e/ou autorizados.  Esse foi o caso da ex-miss Argentina, Solange Magnano, que faleceu em 2009, aos 37 anos, após um procedimento de inserção de silicone nas nádegas (leia mais AQUI) e também da aspirante a modelo britânica Claudia Aderomiti, 20 anos, que no início desse ano viajou da Inglaterra para os EUA para o mesmo procedimento e morreu horas depois num hospital do estado de Delaware (leia mais AQUI).


Mas se mulheres tem cada vez mais se submetido a procedimentos estético/plástico-cirúrgicos para aumentar nádegas e seios, homens tem agora a sua disposição uma série de produtos que prometem o aumento do pênis. Dentro dessa lógica, a máxima "tamanho não é documento" está totalmente desacreditada. Outros produtos também populares são as pílulas para promover ou estender a ereção. Lembrando sempre que essas drogas não tem como público alvo somente homens vítimas de disfunção erétil, como impotência e ejaculação precoce, pelo contrário, aposto afirmar que a grande maioria compradora desses produtos são homens perfeitamente saudáveis no que diz ao seu desempenho sexual. Desse modo, fica a pergunta: o que faz com que pessoas desejem mudar o seu corpo ao ponto de submeterem ao procedimentos cirúrgicos arriscados, se entregarem a pessoas sem qualquer tipo de qualificação para aplicação de substâncias perigosas e fazerem uso de drogas das quais não há qualquer tipo de regulamentação e que não se conhece de fato se são eficientes ou seus efeitos colaterais?

Minha hipótese é que vivemos numa sociedade contemporânea hedonista onde os prazeres, do mais diversos tipos, tem tomado, cada vez mais, um lugar central na vida dos indivíduos. O prazer sexual é talvez a mais antiga e trivial forma de satisfação corpórea existente, mas que, como mostra o filósofo francês Michel Foucault em seu livro História da Sexualidade, ganhou centralidade como forma de discurso e prática com o advento da modernidade entre os séculos XVIII e XIX. Entretanto, justamente no momento em que teve início a configuração de um discurso sobre a sexualidade também ocorria uma espécie de sistematização do racismo científico europeu via teóricos como Lombroso, Gobineau e outros que estabeleciam uma classificação e hierarquização das diferenças raciais que se cristalizavam em diferentes corpos no que diz respeito a cor da pele, formatos dos lábios, textura dos cabelos etc."

Bem, você pode completar ou imaginar o restante do texto agora...

Muita Paz, Muito Amor!

2 comentários:

Anônimo disse...

Sensacional o texto pena que acabou tão abruptamente.

Francisco Alves Gomes disse...

Cara, eu to adorando esse blogger. Parabéns! Eu passaria a o dia inteiro lendo se o texto não terminasse deixando esse gosto de quero mais! Massa, vc citar Michel Foucualt, tenho um carinho doido por esse pensador! Abraço