Há mais ou menos uma semana atrás participei de uma conversa no programa JC Debate da TV Cultura sobre o projeto de lei proposto pelo deputado federal Romário que estabelece a regulamentação profissional de atividades (DJing, MCing, B-boying e grafiteiro) relacionadas a cultura hip-hop. É um projeto polêmico e a maior parte do hip-hop paulista se posiciona contra. No programa não houve propriamente um debate, pois seria necessário que houvesse alguém defendendo o projeto de Romário, coisa que nem Max BO, MC apresentador do programa Manos e Minas (TV Cultura), nem eu fizemos.
O projeto do deputado soa como um tiro no escuro se analisarmos a trajetória do ex-jogador de futebol convertido em político. Como aponta BO no programa, Romário nunca demonstrou nenhum interesse ou aproximação com o hip-hop durante toda a sua carreira esportiva. Contudo, é necessário lembrar que o projeto pode ser nada mais do que a força do lobby de grupos associados com manifestações populares no Rio de Janeiro e que podem de uma forma ou de outra tirar proveito de uma proposta como essa. A "cultura hip-hop" no Brasil a cada dia que passa é reconhecida como um grande capital simbólico que pode funcionar como via de comunicação com jovens das mais diversas classes, raças/etnias, gêneros e regiões. É algo poderoso e, por isso mesmo, disputado (mesmo que na surdina).
Assista o programa e tire suas conclusões.
Detalhe: a montagem acima é hilária, principalmente o "gangsta do bem"! :)
Abraço!
O projeto do deputado soa como um tiro no escuro se analisarmos a trajetória do ex-jogador de futebol convertido em político. Como aponta BO no programa, Romário nunca demonstrou nenhum interesse ou aproximação com o hip-hop durante toda a sua carreira esportiva. Contudo, é necessário lembrar que o projeto pode ser nada mais do que a força do lobby de grupos associados com manifestações populares no Rio de Janeiro e que podem de uma forma ou de outra tirar proveito de uma proposta como essa. A "cultura hip-hop" no Brasil a cada dia que passa é reconhecida como um grande capital simbólico que pode funcionar como via de comunicação com jovens das mais diversas classes, raças/etnias, gêneros e regiões. É algo poderoso e, por isso mesmo, disputado (mesmo que na surdina).
Assista o programa e tire suas conclusões.
Detalhe: a montagem acima é hilária, principalmente o "gangsta do bem"! :)
Abraço!
Danilo · 577 semanas atrás
Parabéns pelo debate realizado no programa!
Mas fiquei com interrogações quando você fala d"a força do lobby de grupos associados com manifestações populares no Rio de Janeiro e que podem de uma forma ou de outra tirar proveito de uma proposta como essa". Falar de manifestações populares é adentrar um dos campos de debate mais minados da atualidade no Brasil. Ainda mais quando a expressão "tirar proveito" é empregada na mesma frase.
Para que ninguém tire proveitos perniciosos das suas considerações, convém explicitar: que grupos? com quais interesses? quais proveitos?
abraços
Danilo
Kibe73 67p · 577 semanas atrás
Obrigado pelo comentário ao post!
Essa é uma discussão e disputa interna que existe entre organizações de SP e do Rio de Janeiro. A maior beneficiada desse projeto seria a Central Única de Favelas (CUFA), entidade que provavelmente sugeriu a PL ao Romário. A CUFA não tem sua origem intrisicamente ligada ao hip-hop e a sua base de sustentação não é ele, mas há tempos vem promovendo ações no sentido de aumentar sua influência nesse meio, algo que desagrada organizações paulistas de hip-hop considerando que SP é o centro histórico do hip-hop brasileiro. Essa é a polêmica, mas é um debate interno do hip-hop.
Abraço,
Márcio/Kibe.