Não irei comentar a fundo a polêmica que envolveu os jogadores de futebol Danilo (Palmeiras) e Manoel (Atlético Paranaense). Resumindo a história, em partida realizada na última quinta-feira em São Paulo, após uma disputa de bola Manoel teria dado uma cabeçada em Danilo (foto abaixo) que retrucou com uma cusparada no rosto do jogador do Atlético Paranaense seguido do xingamento "Seu macaco do caralho!". Após o término do jogo, Manoel compareceu a uma delegacia da capital acompanhado de um advogado e prestou queixa de injúria racial contra o jogador do Palmeiras. Leia a parada toda AQUI
Well, todo mundo aí está lembrado do caso Grafite? Ou então das hostilizações raciais que vários jogadores negros foram alvo na Espanha anos atrás? Casos semelhantes não faltam, né?... Consultei minha truta Olívia (foto abaixo), orangotango especialista nesses casos de discriminação, que recomendou que eu subisse aqui no inbrog uma cena de um filme clássico do cinema nacional: Assalto ao Trem Pagador(1962) de Roberto Farias. Nunca vi no cinema tupiniquim o racismo brasileiro ser tão bem retratado numa cena de poucos minutos. Reginaldo Faria faz o papel de um dos componentes de uma quadrilha que assalta um trem pagador e, por conta de ser branco, tem chance de gastar o dinheiro roubado (sua parte e a dos outros assaltantes) de forma diferenciada passando a perna nos compassos até ser descoberto.
Preste atenção na fala do Reginaldão nessa cena brilhante:
O lado meio gay, metrosexual, feminino e nova-iorquino do sujeito que lhes escreve essas linhas falará mais alto no texto que segue. Já falei de moda em outras ocasiões aqui no inbrog (leia AQUI), portanto, se você é nov@ por aqui, não se assuste! Gente bem vestida é uma coisa sempre agradável de se ver. Tenho mania de elogiar roupas ou sapatos de meu amig@s, mas dia desses cometi um deslize sem perceber. Ao sair do metrô caminhava pelas calçadas do Village e duas patrícias andavam a minha frente. Ambas estavam extremamente elegantes e minutos antes havia trocado olhares com uma delas ao sair da estação. Ao passar pelas ladies fiz um comentário meio sem noção para a que havia me chamado a atenção: "Nice shoes!". A resposta veio num sorrisso amarelo, "Thanks!". Realmente, ela usava um salto bonito e sexy, mas só depois de algum tempo, conversando com amigas, percebi que meu comentário não se encaixava muito bem no que poderia chamar de cantada... Ou seja, preciso renovar meu estoque de comentários "mau" intencionados para mulheres.
Mas NYC é um lugar onde todo mundo se preocupa com aparência e estilo, como já afirmei em vários de meus textos aqui. Isso é resultado do caldeirão cosmopolita e de diversidade que é talvez a cidade menos norte-americana e mais legal da América (deles!). New York City é preta, gay, branca, rock, judia, latina, hip hop e mais mil e uma outras coisas. Na terça passada jantava com meu truta designerOga Mendonça e sua primeira dama, Maíra Torrecilas, no restaurante Spice e comentávamos sobre isso. Oga, que ficará na Big Apple por alguns meses estudando e curtindo férias, dizia que estava espantado pelo fato de até mesmo os homens por aqui serem vaidosos. Verdade! Diferente do que ainda infelizmente acontece no Brasil, a velha masculinidade baseada na imagem de homem desleixado e não preocupado com aparência tem se transformado em algo do passado por essas bandas. Contudo, deixemos os barbudos para outro post. As imagens que ilustram esse post foram retiradas do site Black Woman With Style que descobri através de um link postado por minha truta Isis Conceição no seu profile no Facebook.
A página é bem legal e las hermanas de cor chocolate esbanjam estilo em fotografias que, aparentemente, foram todas tiradas nos EUA. Entretanto, a seleção não deixa de compactuar com a estética valorizada nas passarelas, ou seja, mulheres extremamente magras. De antemão, visando evitar mal-entendidos, quero deixar claro que não me oponho de forma alguma a mulheres que possuam esse biotipo. Minha crítica vai no sentindo da homegeneidade de representação estética feminina que paira nesses meios. Tempos atrás escrevi um post aqui no inbrog no qual discutia um pouco essas questões (leia a paradinha AQUI) e basicamente minha posição é de que nem 8 nem 80. Tudo que se localiza nos extremos é prejudicial, mas é necessário que exista diversidade de representações. Afinal, se as sistas são diversas em estilo, personalidade, classe, posicionamento político dentre outros aspectos, porque deixariam de ser no que diz respeito ao formato do corpo?
Fique então, para finalizar, com uma nega tamanho grande cuja imagem obviamente não foi retirada do site citado acima. Senhoras e senhores, Jennifer Hudson.
Se nos EUA existe a categoria dos uppity niggersno Brasil há a classe d@s negr@s metid@s! Explico-me... O termo uppity nigger (crioulo arrogante)é uma expressão utilizada para se referir a negr@s que passaram por um processo de ascensão social e fazem questão de deixar isso claro através de um estilo de vida baseado em ostentação, consumo conspícuo de grifes famosas, carros de luxo, restaurantes caros, casas sofisticadas além de uma atitude de desdem em relação aos brancos. Nesse último aspecto, o uppity nigger pode ser tanto um novo pretão/pretona ric@ como alguém proveniente das tradicionais elites negras norte-americanas.
Um dos afro-americanos que mais recebeu a qualificação de uppity nigger foi o boxista Cassius Clay (fotinha abaixo) uma vez que o campeão mundial de boxe por várias vezes desafiou a sociedade norte-americana nos anos 1960 e 1970 através de declarações controvertidas, se convertendo a Nação do Islã, ocasião em que mudou seu nome para Muhammad Ali (visite o site dele AQUI), andando acompanhado e tendo como conselheiro um negão sangue no zóio conhecido por Malcolm X (1925-1965) e se negando a ir lutar na Guerra do Vietnã o que lhe rendeu uma sentença de cinco anos de cana (revogada em 1971) e acusações de anti-patriotismo. Entretanto, as atitudes arrogantes de Ali eram atenuadas por seu carisma que fascinava tanto negros como brancos. Outro uppity nigger, o jazzista Miles Davis (1926-1991), era famoso por realizar suas apresentações de costas para o público majoritariamente branco. Atualmente, atitudes uppity podem ser observadas no comportamento de alguns rappers e magnatas negros como Diddy(ex Puff Daddy, ex P. Diddy, ex Sean "Puff" Combs, fotinha acima) ou o nego véio de Dona Beyoncé Knowles, o beiçudão cheio do din din Jay-Z ou Jigga (pros mais chegados) cujo nome de pia é Shawn Corey Carter.
O alter-ego do uppity nigger é o negro Uncle Tom (negro Pai Tomás), negr@ subserviente aos brancos. Esse último termo foi popularizado através do romance abolicionista Uncle Tom's Cabin (A Cabana do Pai Tomás)de autoria de Harriet Beecher Stowe e lançado num distante 1852. Lembrando sempre aos desavisados que nigger é a maneira pejorativa que brancos se dirigiam aos negros nos EUA. A palavra sofreu um processo de inversão diacrítica pela geração hip-hop, ou seja, passou de negativa a positiva na forma que jovens afro-americanos e latinos se referiam uns aos outros no tratamento cotidiano dos guetos e nas letras de canções de rap. Entretanto, há muita controvérsia sobre quem pode e não pode fazer uso da N-Word, maneira pela qual o termo é chamado nos redutos mais puritanos, conservadores ou politicamente corretos.
Mas no Brasil temos o similar do uppity nigger que é a categoria d@ negr@ metid@, ou seja, @ pret@ metido à besta. Num país de tradição católica como o nosso arrogância e ostentação nunca devem ser explicitadas e são interpretadas como atitudes negativas e indesejáveis. O tipo ideal é aquele que vence na vida, recebe o prestígio que lhe é devido pela sociedade e ainda mantem uma atitude serena de humildade. Contudo, no caso dos negros isso cria uma inversão interessante uma vez que o imaginário de pobreza, feiúra, ausência de capital simbólico/cultural, sofisticação que se associa a essa população faz com que as pessoas que contrariem essas imagens não raro sejam classificadas como negros/negras metido/as. E falo isso de experiência própria: quantas vezes não fui chamado de "neguinho metido" por pessoas que nem haviam trocado sequer uma palavra comigo. Talvez a figura que melhor represente o negro metido ou mascarado no Brasil tenha sido o cantor carioca, retratado na foto abaixo, Wilson Simonal (1938-2000) antes do ostracismo que foi alvo dos anos 1970 até sua morte.
Daí eu pergunto: que tipo de negão/negona você é?
Pra tirar uma onda, inspirado na camiseta de minha amiga afro-americana (Uppity Negress)da grife Uppity Negro (visite o site AQUI)vou mandar fazer uma na versão adaptada para o português: "Cuidado: Negão Metido!". Quero ver quem vai comprar e usar... Eu vou, já me chamam de "NEGUIM METIDO" mesmo... :)
Segunda-feira, 8/3 (a data não está errada não, foi há um mês atrás mesmo), 15 horas e me dirigo a universidade para um seminário. Depois de passar a noite na biblioteca preparando minha apresentação tive tempo apenas de ir para casa tomar um banho e trocar de roupas antes de encarar a aula. Após descer do metrô caminhado pela rua 14 chego a esquina da Quinta Avenida. Foi ali, num "orelhão" (termo bem brasileiro para algo quase inexistente em NYC: telefone público), que encontrei a negona da Guiness. Apaixonei e "roubei' uma foto dela. E pensar que no Brasil o pessoal faz comercial de cerveja com a Paris Hilton, que chato... É verdade, fortune favors the bold!
Minha amiga Gladys Mitchell prova que, apesar da disputa acirrada no mercado matrimonial, mulheres negras continuam se casando e constituindo família com patrícios aqui pelas bandas da América (deles!). Fiquei extremamente feliz ao receber pelo correio, na sexta passada, o convite para a cerimônia de seu casamento que rolará no próximo dia 12 de junho (Dia dos Namorados no Brasil) na Carolina do Norte. O felizardo a "juntar os trapinhos" com Gladys é meu truta Anthony Walthour (veja a foto dos pombinhos aí embaixo).
Gladys é cientista política atualmente lecionando na Duke Universitye com doutorado realizado na Universidade de Chicago em 2008. Em sua tese ela discute a relação entre raça e política no Brasil contemporâneo. A moça morou durante mais de um ano no Brasil e fala português fluentemente. Anthony é um consultor de marketing que acaba de se mudar de Chicago, onde o casal se conheceu, para a Carolina do Norte.
Gostaria muito de ir ao casório, mas provavelmente não poderei já que devo estar por solo verde-amarelo (e não é a Jamaica!). De todo modo, desejo toda a felicidade do mundo ao casal e sinto em não poder presenciar nesse dia os dois pombinhos pulando a vassoura. Aliás, Gladys, dá pra explicar qual o significado dessa tradição????
By the way, fica aqui duas sugestões de filmes sobre casamento e relacionamentos pós-casório. O primeiro é The Best Man (1999), cujo título em português éAmigos Indiscretos, de Malcolm D. Lee. Esse é, com certeza, um dos filmes mais divertidos sobre casamento que já assisti. A segunda dica entrou em cartaz na última sexta-feira, 2/4, aqui nos EUA: Why Did I Get Married Too(2009) - cena acima -de Tyler Perry que é uma continuação de Why Did I Get Married lançado em 2007. O elenco conta com, dentre outr@s atores/atrizes, as cantoras Janet Jackson e Jill Scott. Visite o site oficial do filme clicando AQUI e assista o trailer logo abaixo.
Esse post entrará no ar no sábado, mas escrevo o mesmo na sexta. O mais louco de tudo é que só me toquei de fato de que hoje é Sexta-Feira Santa ao falar com uma amiga brasileira pelo Skype e, ao dizer a ela que estava de saída para a biblioteca, fui surpreendido com sua resposta: "Puta Kibe, só você mesmo para ir para a biblioteca numa Sexta-Feira Santa!". Pois é, daí veio a constatação de que não moro mais num país majoritariamente católico e que hoje não passa de uma sexta comum por aqui. Mas não vou me estender nessa história já que teria muito para contar sobre Páscoas passadas em meio a ovos de chocolate, procissões e a vigilância de Dona Joana para que ovelhas brancas da família como eu não comecem carne nesse dia. Deixo isso para outro post, quem sabe na Páscoa do ano que vem. Ok, mas mudemos de assunto...
E parece que as mulheres pretas estão dominando o inbrog essa semana. Já falei da gordelícia e maravilhosa Jill Scott, da artista manifesto Erykah Badu e agora... Minha intenção hoje é deixar para vocês um vídeo com a fala da escritora nigeriana Chimamanda Adichie (foto acima) que me foi enviado pela minha amiga e ex-colega dos bancos de USP Tatiana Alencar. Nascida em 1977 Adichie é ganhadora de importantes prêmios literários da literatura anglo-saxã. Dos seus livros publicados se destacam Purple Hisbicus (2003), The Half of Yellow Sun (2006) e The Thing Around Your Neck (2009). Visitem a página da moça clicando AQUI
No vídeo que segue a escritora conta um pouco da sua trajetória e como escreveu suas primeiras histórias. As mesmas não tinham nenhuma relação com seu país e população uma vez que a literatura que a garota lia à época era totalmente estranha a realidade da Nigéria. Isso me lembra, guardada a devida distância, uma pesquisa recente realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da UNB e coordenada pela professoraRegina Dalcastagné. Usando os conceitos teóricos de campo e capital cultural do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), caso tenha interesse leia o livro As Regras da Arte(2002), e realizando uma pesquisa quantitativa os pesquisadores mostram como na literatura brasileira contemporânea mais de 70% dos escritores são majoritariamente homens, brancos e de classe média/alta. O resultado disso pode ser visto no enredo e tipo de histórias além da representação estereotipada de personagens negr@s e pobres presentes na literatura brasileira produzida atualmente. Leia mais sobre a pesquisa AQUI Pois é, pra onde vai a tão afamada diversidade tupiniquim...
Sem mais palavras deixo vocês com Chimamanda Adichie. Dois detalhes importantes. O primeiro é que fala da nigeriana, em inglês, conta com legendas em português no vídeo (clique em subtitles e procure por português). Já o segundo eu não poderia deixar passar: São Benedito (Benê para os íntimos!) que me salva de apuros, que mulher LINDA é essa Adichie!
Sobre os holofotes da polêmica lançada pelo vídeo de Erykah Badu (leia post anterior do nosso inbrog para saber mais), assista entrevista da negona mais comentada dos EUA atualmente concedida ao Wall Street Journal no início da semana.
A quantidade de coisas para fazer por aqui tem me impedido de escrever. Tanto é que o NewYorKibe registrará talvez seu número mais baixo de posts em um mês: apenas 3. Estou literalmente numa pegada "se correr o bicho pega se ficar"... Para resolver o problema, farei a promessa de escrever ao menos um post por semana, de preferência às segundas-feiras. Isso facilita a vida de todo mundo: @s leitore/as já sabem que toda segunda rolará alguma besteira por aqui e me obrigo/disciplino a postar algo interessante (ou não!). Aliás, minha sugestão é que tod@s @s leitore/as do nosso inbrog me sigam no Twitter, uma vez que tudo que leio e acho legal (a maioria não vira post) é tuitado (existe esse verbo???).
Mas não deixo de acompanhar o que rola na imprensa americana e os últimos dias tem sido quentes para a R&B ou neo-soul. Duas ladies da música negra americana contemporânea andam nas manchetes desde semana passada. A primeira é Jill Scott que escreveu um artigo (leia a parada AQUI) para a revista Essenceno qual afirma que não consegue deixar de sentir certa sensação de traição ao ver um negrão com uma mulher branca. Uiiiii... Esse assunto dá pano pra manga (seja no Brasil ou EUA) e, como já era de se esperar, nossa diva foi acusada por alguns comentaristas mais exaltados de ser racista.
De minha parte, serei mais sensato. A fala de Scott representa o pensamento de um grande número de mulheres afro-americanas e, assim como os discursos contrários, deve ser respeitada e colocada dentro de contexto. A promessa de uma América pós-racial, que tanto se falou durante a campanha de Obama a presidência, é balela. O bicho continua pegando feio pro lado da negrada por aqui (com muito racismo, violência policial e desigualdade econômica/renda). Por outro lado, as discussões que envolvem o tema raça sempre são chapa quente. A fala de Jill, que foi pura emoção como diria meu truta Flávio "Jay Z" Francisco, também reflete um mal estar generalizado entre mulheres negras por conta do mercado matrimonial para afro-americanas com alto nível de educação onde há um defict de negrões firmeza a fim de colocar um anel de diamante no dedo das patrícias. O por quê? Bem, isso já é uma outra história que pode ser entedida em parte com a leitura de um post antigo do inbrog (leia AQUI).
Penso que Scott foi corajosa em evidenciar esse mal-estar generalizado das patrícias abrindo espaço para um diálogo aberto sobre os relacionamentos inter-raciais com suas delícias, possibilidades e problemas. Para não deixar o Brasil de fora, recomendo a leitura também no NewYorKibe (AQUI) da resenha do livro que fiz de minha amiga Laura Moutinho. Laurinha é antropóloga/professora da USP e fez uma linda pesquisa sobre o relacionamentos inter-raciais.
A outra notícia esta relacionada a texana ex de Andre 3000 e ex de Common (queria me incluir nessa lista também): senhorita Erykah Badu. Nas gravações para um videoclipe de seu novo álbum a patrícia ficou peladona em público bem no meio dos chapeludos de Dallas, Texas (queria estar lá pra conferir essa!). Detalhe: a parada se deu justamente no local onde o presidente John F. Kennedy (JFK) foi assassinado em 1963 com uma bala na cabeça. O lugar é considerado uma espécie de santuário pelos americanos e serve como atração turística. Nem preciso dizer que não se comenta outra coisa nos sites de música negra e em parte da grande mídia. Nenhuma queixa policial foi registrada pelas pessoas que estavam presentes quando o fato ocorreu (havia crianças presentes), mas ainda há chance das mesmas o fazerem o que renderia a cantora boas visitas a algum tribunal, multinhas, serviços comunitários e pedidos de desculpas em público (na velha tradição gringa de arrependimento em público na pegada de Tiger Woods!).
Badu afirmou que o vídeo tem a intenção de chamar a atenção para um termo oriundo nos anos 1950 chamado groupthinke que cujo efeito é a fobia que certas pessoas sofrem de se expressarem em público por receio da repressão/coerção que podem sofrer. A pergunta é: nega, você precisa ficar peladona em público para fazer as pessoas refletirem sobre isso? Well, no Brasil boa parte da rapaziada ia curtir uma parada dessas e aposto que em dois meses você seria capa da Playboy, mas na América (deles!)... Sei não, fia! A verdade é que, longe de querer me posicionar como conservador, os argumentos de Badu não me convenceram. Outro ponto importante: o ato rolou onde o presidente mais popular da história dos EUA foi morto há mais de quarenta anos atrás. Bem, é pedir pra causar polêmica: dito e feito! Por fim, tá todo mundo agora curioso para ver o vídeo, né? Sei nega, contestação ou jogada de marketing? Assista o vídeo da sisthaAQUI. Peço licença as distintas senhoritas leitoras desse inbrog para fazer um comentário bem masculino: DONA BADU É UMA DELÍCIA! Vai ter tanta saúde assim lá na casa do chapéu mesmo depois de 3 filhos...
Aí, se você é daquele/as que gosta de andar mostrando sua cuequinha do Piu Piu e Frajola pelas ruas, saiba que o senador pelo Brooklyn, Mister Eric Adams, é seu inimigo e acha seu ato repugnante. O político está pondo na rua uma campanha no sentido de condenar e conter o que é conhecido por aqui como saggy pants: abaixar o jeans para mostrar a cueca samba-canção. A idéia é estabelecer um dress code nas escolas proibindo a molecada de mostrar a roupa de baixo. O título da campanha é: We Are Better Than This: Raise Your Pants Raise Your Image (nós somos melhores do que isto: erga sua calça, erga sua imagem). Sei lá, achei babaca essa campanha. Afinal, usei muito saggy jeans na minha adolescência pelas ruas de "Lixeira", interior de São Paulo, e nem por isso tive minha imagem depreciada. Leia a reportagem em inglês AQUI
Por fim, já que falamos de forma indireta de roupas e moda, nada como curtir o videoclipe do truta de SP, o rapperRincon Sapiência, conhecido como Senhor Elegância. Seria bom saber o que ele acha dessa discussão da saggy jeans!
Muita Paz à Tod@s e Parabéns ao Rincon pelo clipe e pelo som: rimas sacadas e inteligentes.
Prezad@s Leitore/as, desculpe pelo sumiço! Tá f... por aqui: preguiça, cansaço, zilhões de coisas para fazer e o inbrog, como resultado disso tudo, acaba entrando em recesso. Mas enfim, estamos a apenas 3 dias da primavera aqui em New York Shit. Esse maldito inverno vai embora tarde! Hoje fez um dia maravilhosamente lindo e a última coisa que dá vontade de fazer é vir para a biblioteca estudar, mas... Fui aprovado no exame que andava me tirando o sono e agora só falta fechar três disciplinas para correr pro abraço e férias no Brasilsilsil comendo feijoada e bebendo pinga.
Voltando ao inbrog chegamos a um resultado da votação para escolha do título da campanha de orgulho negro (veja AQUI). Foram 34 votos, de acordo com oIntense Debate,gadget que administra os comentários da rapaziada aqui no inbrog. Houve sugestões até de trilha sonora para a parada, um barato! Mas enfim, o título vitorioso foi O BEIÇO É NOSSO (18 votos) seguido de BLACK IS BEIÇO (10 votos) e BBB: BEIÇO BONITÃO A BEÇA (6 votos). Mas a agitação continua. Dia 13 de Maio coloque uma foto sua fazendo beicinho (ou beição!) e o título da campanha no seus profiles da redes sociais a que pertence (Orkut e Facebook as mais famosas) ou mesmo MSN, Skype e Twitter. Afinal, O BEIÇO É NOSSO!
Mas mudando de assunto recebi hoje de Mila Felix via Twitter um vídeo perfeito para mim e meus amigos que, assim como eu, trabalham administrando o próprio tempo. Já ouviu falar do termo procrastinação? Pois é, dez anos atrás quando disse a meus amigos que sofria desse mal meus queridos trutas responderam de forma bem "delicada" que a parada não passava de uma tremenda frescura. Pois bem, digo com absoluta certeza que procrastinação, ou seja, um termo mais sofisticado para dizermos que estamos enrolando e/ou evitando fazer algo, é um mal que vai além da frescura. Há pessoas que, incapazes de controlá-la, procuram por ajuda psicológica. Isso vem se tornando cada vez mais frequente devido a todas essas distrações disponíveis na Internet. Impossível, dessa forma, não sucumbir a algum tipo de AÇÃO: procrastinação, masturbação, fornicação e por aí vai...
Assista os dois vídeos abaixo e entenda do que estou falando. Procrastinar é com nóiz memo!
Leitores/as do meu Brasil varonil, como vão? Espero que tudo esteja firmão! Hoje darei início a nossa série de posts sobre o que os clássicos da sociologia pensaram sobre religião. Começaremos a parada analisando nada mais nada menos do que o alemão barbudo mais famoso da história, Karl Marx (1818-1883). Ok, dá uma disputa boa entre ele e Albert Einstein (1879-1955), mas esse era bigodudo e não barbudo. Nosso amigão Marx nasceu de um casal de judeus convertidos ao luteranismo da classe média alemã sendo que o pai trabalhava como advogado. Vários "ismos" usados frequentemente no jargão intelectual vieram à tona no pensamento humanístico, político e social por meio dos escritos desse truta que dedicou sua vida a produzir uma obra que marca uma das mais ferrenhas críticas ao sistema econômico capitalismo (leia O Capital, 1867, sua obra máxima). Quem nunca ouviu falar dos palavrões que podiam render "cana" (ao menos no Brasil da ditadura e nos EUA do marcathismo) comunismo, socialismo e materialismo histórico?
Lembro que em minha infância, crescendo numa família católica, a idéia de comunismo estava associada a ateísmo. Repetia-se idéias estúpidas que comunistas comiam criancinhas - não no sentido pedófilo, mas canibal mesmo! - e que o estabelecimento de um regime comunista envolvia a perseguição as manifestações religiosas. De fato isso ocorreu na União Soviética, Polônia e China, mas sem muito sucesso. Well, mas vamos por partes, já diria Jack...
Marx, diferente de outros sociólogos como Durkheim e Weber, não possue uma sociologia da religião no sentido forte do termo, pois não fez de nenhuma manifestação religiosa objeto de estudo propriamente. Contudo, isso não significa que o autor não possua uma concepção sociológica de religião. Na verdade, a mesma está subordinada a seu instrumental teórico/metodológico de análise conhecido como "materialismo histórico". Porém, antes de nos debruçarmos sobre o termo para entender o que isso significa vale a pena fornecer uma definição genérica de religião e de como analistas sociais em geral - e sociólogos em específico - a abordam.
Religião pode ser entendido como um sistema unificado de crenças e práticas baseadas no sobrenatural que estabelece normas de conduta compartilhadas pelos fiéis sobre que é moralmente entendido como certo, errado, socialmente aceito ou reprovável. Religiões variam em número de deuses (monoteístas ou politeístas), ritos, corpo de sacerdotes, forma de relação entre entidades sobrenaturais e crentes, tipos de entidades e idéias de vida pós-morte física. Sociólogos buscam analisar a religião como um fenômeno social, ou seja, como algo que, descartando seu aspecto sobrenatural, só pode ser entendido racionalmente nas relações entre indivíduos vivendo em sociedade. Numa perspectiva sociológica ampla, religião é entendida como uma "instituição social" (assim como família, educação, instituições políticas e econômicas) que nada mais é do que padrões estabelecidos que definem formas específicas de se viver e são responsáveis pela socialização, manutenção, reprodução dos indivíduos e, consequentemente, da sociedade. Apesar de concordarem sobre esses aspectos gerais, sociólogos possuem interpretações distintas do fenômeno social religião. Vamos a elas, mas antes uma pausa para uma tira engraçadinha de Carlos Ruas...
A famosa frase de Marx de que a religião seria "o ópio do povo" é uma passagem do texto Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843). Basicamente, o que o filósofo afirma aqui é que a religião é uma espécie de auto-alienação dos homens. Passagens similares - irônicas e demonstrando certo desprezo a manifestações religiosas - podem ser vistos em outros textos da juventude de Marx como A Questão Judaíca (1844) - texto que lhe rendeu acusações injustas de anti-semitismo - e A Ideologia Alemã (1845). Marx foi influenciado por Ludwig Feuberbach (1804-1872), filósofo alemão que publicou em 1841 uma ácida crítica a religião em seu livro A Essência do Cristianismo. Feuberbach afirmava que a filosofia hegeliana, hegemônica na Alemanha dessa época, promovia a idéia de que um espírito abstrato produzia e dominava o mundo material e, na crítica desse autor, essa perspectiva era vista como uma forma de idealismo. De acordo com Feurberbach a religião equivalia a uma forma de auto-alienação uma vez que ela representaria a "essência humana" na imagem de um Deus que é perfeito e, consequentemente, estabelece e evidencia a imperfeição dos homens. Para Feuberbach era necessário cessar essa mistificação entendendo a religião numa perspectiva racional findando assim a auto-alienação dos homens.
Marx concorda com Feuberbach em sua crítica a dialética hegeliana. Contudo, afirma o barbudo que os termos "essência humana" ou "homem" são abstratos ou vazios de significado se não forem entendidos dentro de uma perspectiva histórica. Homens e suas idéias (onde se insere a cultura e religião), para Marx, só podem ser entendidos como produtos sociais de sociedades específicas que mudam no curso do desenvolvimento histórico. Diferente de Feuerbach, que vê a religião como um reflexo da realidade material, Marx entende que há uma relação de determinismo entre formas de organização da produção material dos homens e suas idéias/cultura, essa relação é a chave de entendimento do processo (ou desenvolvimento) histórico: materialismo histórico. Em termos mais humanos isso corresponde a dizer que cada época histórica possue formas específicas de organizar a produção econômica (meios de produção e relações de trabalho entre classes) que determinam as idéias e cultura (ou tudo que seja abstrato) produzidas naquele contexto. O que Marx busca fazer é mostrar os vínculos existentes - e determinantes - entre, de um lado, atividade material/econômica dos homens e, de outro, produção imaterial ou, em termos mais simples, coisas abstratas como idéias, cultura e, consequentemente, religião.
O sociólogo defende o argumento que entidades abstratas são criadas pelos homens ao produzirem sua sobrevivência material e obtêm autonomia dos mesmos quando passam a fazer parte da esfera da auto-alienação humana. Isso corresponde a dizer que entidades como o Estado, o dinheiro e Deus se objetificam - uma vez que reificação/objetificação é a prática da alienação - incorporando a "essência humana" e dominando o homem. Assim sendo, o Estado, o dinheiro e Deus passam a funcionar como intermediários entre os homens e a sua própria liberdade. Em suma, homens se subordinam a essas entidades "estranhas" citadas anteriormente, pois as mesmas só passam a ter existência e poder dentro de condições materiais e históricas específicas.
Entretanto, para Marx, a religião teria um papel secundário no mundo contemporâneo uma vez a dominação por excelência se daria na esfera econômica e manifestações religiosas tenderiam a ser toleradas, mas estavam relegadas a contextos/espaços não determinantes das transformações sociais e políticas. Não é preciso refletir muito para concluir que o barbudo estava meio equivocado, né? Basta pensar em momentos históricos de vários contextos em que a religião foi fator prepoderante de organização política como o movimento pelos direitos civis nos EUA dos anos 1960, a Revolução Islâmica no Irã em 1979/1980, o papel de setores da Igreja Católica na América Latina dos anos 1970/1980 atuando politicamente orientados pela ideologia da libertação e o peso político de líderes religiosos em questões políticas como na intricada e complicada relação Tibete-China.