quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pobre Luciraldo!

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O criador dessa ótima tira é Carlos Ruas. Visite o site dele AQUI e se divirta com Deus, Luciraldo, Caim, Eva, Adão e o Mundo.

Uma Paz Demoníaca à Tod@s!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Olho Mais Azul!

http://www.listsergeant.com/blog/wp-content/uploads/2009/05/blue-eyed-baby1.jpg

Aposto que alguém aí do outro lado da tela ao ver a imagem acima deve ter dito, "Ai que fofura!", "Gracinha!", "Que lindinho!",  "Biiiiito", "Coisa linda!" e por aí vai. Errei?... Não, acho que não.  Pois bem, o catarrentinho da parada se chama Laren Galloway e, segundo informações que recolhi aqui na Internet, seus pais são afro-americanos que fugiram de New Orleans após (ou durante!) a ocorrência do furacão Katrina em 2006. Galloway foi fotografado por Terry Green e há uma galeria de fotos somente do garotinho (veja AQUI ) Caso você se lembre bem de suas aulas de biologia na escola, deve saber que os genes para os olhos azúis e verdes são recessivos e não dominantes como no caso dos castanhos. Assim sendo, ter "zóio azur" e ser negrão é como ter o número sorteado na loteria da genética!

Mas dá pra se pensar várias outras coisas diante da imagem de Galloway e uma delas é sobre a junção de idéias opostas criando o que, quando falamos bonito querendo impressionar alguém, chamamos de paradoxo. Os olhos azúis, cujo representante mais famoso talvez tenha sido o ator norte-americano Paul Newman (1925-2008), são mais freqüentes em populações nórdicas e anglo-saxãs e foram muitas vezes associados a uma espécie de síntese do racismo segregacionista norte-americano. Um dos livros mais conhecidos de Toni Morrison, escritora afro-americana laureada com o Nobel de literatura em 1992, leva o título de The Bluest Eye (O Olho Mais Azul) e narra o drama de uma garota negra chamada Claudia MacTeer. Vivendo nos EUA dos anos 1930/1940 Claudia se martiriza por não possuir os olhos azúis de sua boneca, réplica de uma das grandes estrelas de Hollywood da época Shirley Temple. A personagem subjetivamente supõe que, caso possuísse olhos azúis, não sofreria o racismo do qual sua família é vítima.

 http://www.clancycavnar.com/images/art/8_02/Anastacia.jpg

Obviamente, não poderia deixar de pensar em Escrava Anastácia (imagem acima), figura de devoção no catolicismo popular brasileiro. Segundo conta a lenda, Anastácia viveu no Brasil no século XIX, pouco antes do final da escravidão, mas tinha nascido na continente africano, mais especificamente na Nigéria. A escravizada tinha olhos azúis e sua beleza era motivo de inveja por parte da mulher de seu senhor. A história diz que Anastácia lutou e não permitiu que seu senhor a estuprasse. Como castigo, foi forçada a utilizar um colar e uma espécie de mordaça que a impedia de falar. Anastácia começou a fazer milagres curando doentes e, antes de morrer vítima de tétano, teria curado o filho de seu senhor de uma enfermidade.  Quem tiver interesse deve ler o livro lançado em 1998 pelo meu amigo antropólogo John Burdick, Blessed Anastacia: Women, Race and Popular Christianity in Brazil.

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Finalmente veio a mente o documentário Eye of Storm produzido e exibido pelo canal de televisão ABC em 1970Nos anos 1960 uma professora primária branca, Janet Elliot, chocada e preocupada com as consequências do então recente assassinato do líder afro-americano Martin Luther King Jr (1929-1968) sobre seus alunos, submeteu seus pupilos a uma experiência. Ela separou o grupo (foto acima) de acordo com a cor dos olhos, de modo que, os detentores de olhos azúis recebiam privilégios e, arbitrariamente, idéias que os associavam a mais inteligentes, bonitos,  disciplinados dentre outras qualidades positivas. O outro grupo, cuja maioria possuia olhos com várias tonalidades de castanho (brown) e verde era associado a qualidades negativas. A professora atuava ainda de modo ativo sobre os dois grupos gerando e mediando conflitos que eram sempre resolvidos de forma parcial em favor do grupo de olhos azúis, de modo que, os argumentos apresentados pelo grupo ou alunos de olhos castanhos e verdes eram rebatidos até que eles se convencessem que estavam errados. O resultado é surpreendente. Dentro de alguns dias havia uma clara hierarquia na classe que era dominada por alun@s de olhos azúis. Antes de gravar o documentário Elliot já tinha realizado o experimento três vezes, mas com classes diferentes.  A versão do documentário que assisti é de 1996 e leva o título de Blue Eyed com Elliot aplicando seu experimento num grupo composto por brancos e negros. Fui apresentado a esse vídeo no curso de meu ex-professor Kabenguele Munanga na graduação em ciências sociais na USPAssista samples dos outros vídeos AQUI Confira, ao final do post, um trecho do filme Blue Eyed e tire suas próprias conclusões (a imagem está meio ruim, mas o aúdio okay).

Por fim, diria que o olhinho azul do piralho Galloway é bonito pacas, mas representa muita treta na história e, caso não tenha a assistência dos pais e psicólogos, um problema em potencial para o moleque! Galloway terá que aprender a lidar com esse seu traço singular, já que ele - criança, adolescente ou adulto - sempre chamará a atenção onde quer que for e será alvo de curiosidade, dúvida ("será que é de verdade ou o maluco está usando lentes?"), inveja e atração.  O exotismo dos olhos do garoto poderão ser, num futuro breve, sua fortuna e/ou desgraça. O que acham?????

Como sempre, Muita Paz!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Gerson King Combo na Parada!

Conversando com minha amiga Mila Félix descobri que está prestes a estrear um documentário sobre a vida e obra do soulman brasileiro, Gerson King Combo. Para quem não sabe, Combo é o autor daquele velho som Mandamentos Black... "Dançar como dança um black... Amar como ama um black... "  e por aí vai. Mila fez um post sobre a parada no blog dela, o Miss Milissima, e estou pegando carona no embalo da negona.

 http://2top4pop.files.wordpress.com/2009/05/gerson-king-combo-1978-vol-ii.jpg

A película registra os depoimentos de várias figuras da cena musical brasileira (na maioria cariocas!) como Elza Soares, Fernanda Abreu, Marcelo D2 (urgh!), DJ Marlboro, a Marrom Alcione (tomando um "negocinho" enquanto dá a entrevista), Max de Castro, Jairzinho (urgh!) entre outros. Levando o título de Viva Black Music o filme foi dirigido por David Obadia. Assista o trailer abaixo.

Muita Paz!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Mulheres, Brasileiras e Lésbicas

Acontece no próximo dia 14 de janeiro no Rio de Janeiro o lançamento do documentário Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica (2009) cuja direção é de Vagner de Almeida e que estará presente a sessão.

 http://senale.files.wordpress.com/2009/11/docmentariolgbt.jpg

O local do evento é o Cinema Nosso localizado na Rua do Resende, Lapa (19:30 h).

Assista o trailer do filme abaixo.

Muita Paz!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Carnaval em Trinidad?

 http://www.aeroflight.co.uk/waf/americas/trinidad/Trinidad+Tobago-flag.gif

Meu truta Calvin A., pretão originário de Trinidad e Tobago e meu futuro sócio empreendedor no Brasil, me convidou para passar o carnaval 2010 nessa maravilhosa ilha caribenha. Entretanto, como não gosto de calor, nem cerveja gelada, pretas lindas, soca - o ritmo local -, maloqueragem e balada vou ficar aqui em NYC com a minha bunda congelando na Bobst Library. Ano que vem talvez eu mude meus gostos, não?!...

Abaixo, imagens da "festinha" no ano passado!

 http://photos.igougo.com/images/p366202-Trinidad_and_Tobago-Carnival_Girls.jpg

http://www.bet.com/Assets/BET/Published/image/jpeg/7d919697-cb8d-168b-7ed4-199ac8306b78-news_FB_WorldLens_TrinidadTobagoCarnivalDancer.jpg

Muita Paz e um salve pro Calvin que a essa hora está torrando debaixo do sol caribenho!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Money Shot: A Indústria Pornográfica Negra nos EUA

 

Uma das coisas que fiz durante os últimos suspiros de 2009 foi ler (para variar!). Viajei nuns poemas e contos de Paulo Leminski (1944-1989), uns textos meio sem pé nem cabeça de Norbert Elias (1897-1990), flertei com umas coisas bem velhas de Joseph Schumpeter (1883-1950) devido a sugestão de meu truta Rogério Acca e devorei a pontinha que faltava de um livro de bell hooks com a qual cheguei a conclusão que as mulheres (e homens!) precisam recuperar o feminismo radical, mas tudo isso é história pra um outro post. Quero falar aqui de outra leitura de final/início de ano: Money Shot: The Wild Nights and Lonely Days Inside The Black Porny Industry (2007) do escritor Lawrence Ross. Conheci Ross, que mora em Los Angeles, em 2001 quando ele me entrevistou para um livro que estava escrevendo na época sobre pessoas negras vivendo em diferentes partes do mundo. Desde então mantemos contato por email e, recentemente, via Facebook. Há tempos já sabia desse livro, mas não tinha tido tempo de lê-lo ainda devido a corrreria. Quando me livrei de meus afazeres acadêmicos no último mês, não pensei duas vezes em fazê-lo.

Money shot é uma expressão usada na indústria pornográfica norte-americana para fazer referência ao fechamento de uma cena e, na maioria das vezes, o momento em que o ator masculino chega ao orgasmo ejaculando em alguma parte do corpo de sua/seu parceir@. Em suma, o momento em que todos sabem que a parte  central de um filme porno está terminado e todos receberão seus cheques. Durante três anos Ross entrevistou entre 35 e 40 pessoas como atores, atrizes, diretores, swinguers, empresários, fãs e acadêmicos estudiosos do tema. O resultado são quase 300 páginas nas quais o escritor apresenta, através de sua escrita leve, as histórias dessas pessoas e as questões envolvidas na existência e funcionamento de uma indústria pornográfica negra nos EUA.



De acordo com Ross, os primeiros filmes pornográficos negros da América foram feitos nos anos 1970 (acima imagem do filme Lialeh, 1974) pegando carona na onda blaxploitation onde sexo estava presente, mas não era algo central. Contudo, esse segmento do mercado se desenvolveu com força somente nos anos 1990. Ver (ou ler sobre) as entranhas da indústria porno é um misto de estranhamento e mal-estar. Não sou um leitor moralmente inclinado, mas muitas vezes é difícil lidar com representações que nos dizem muito a respeito de verdades presentes na sociedade como um todo. Em outros termos, a indústria pornográfica negra reproduz as lógicas de desigualdade, racismo e imaginário que a população afro-americana está submetida na América do Norte.  Além do mais, tendo a entender que mesmo estando já há quarenta anos da revolução sexual, sexo ainda é um tema controvertido (pense na discussão sobre pedofilia e/ou prostituição).

Por outro lado, um detalhe importante na indústria pornográfica é que, devido a ser algo para ser consumido privadamente, as películas para consumo adulto são um campo fértil para a reposição de todos os estereótipos que há séculos se constrõem sobre os corpos de homens e mulheres negras e sua sexualidade. Caso emblemático disso é o contado por Ross a partir do encontro com a atriz pornô Melodee Bliss. Nos seus vinte e poucos anos, Bliss havia acabado de entrar no mercado de produções pornô. De acordo com ela, sua motivação para ingressar nesse ramo se deu devido a possibilidade de ganhar dinheiro ao mesmo tempo que se fazia algo que ela aprecia: sexo.  Bliss começou fazendo escort, uma espécie de prostituição de luxo contratada por artistas, atletas entre outros endinheirados, antes de fazer suas primeiras cenas. Seu objetivo, assim como se vê na maioria dos depoimentos das atrizes/atores, é ganhar popularidade através de um site próprio e subir ao next level da indústria: dirigir filmes. Mas Bliss tem uma objeção em suas cenas, em suas palavras... "Nobody's going to fuck me in my ass, because I think I'm too cute for that", "I have a diferent look. But I would do an anal movie for my company, so I get all the benefit". Na ocasião do encontro, a atriz deu ao escritor uma fita com seu último filme. A mesma garota que não aceita fazer sexo anal por se achar too cute transa no vídeo com três homens brancos num gênero muito específico do pornô norte-americano: interracial entre homens brancos e mulheres negras no qual essas últimas são humilhadas, espancadas e abusadas.  Durante trinta minutos Bliss, vestindo apenas um top com os dízeres Boy Toy, é "forçada" a fazer sexo oral de forma brusca e violenta até ficar sem ar, leva tapas e cuspidas no rosto e seios, é penetrada de quase todas as formas possíveis, e tem todo o rosto coberto pelo esperma dos três homens além de ser "obrigada" a rastejar de joelhos sobre saliva e esperma. Como afirma Ross, "remember, it's not what you say you won't do in porn, but what you will do, that counts".

A maioria dos atores e atrizes entrevistados pelo escritor afirma ter entrado no ramo atraídos pelo dinheiro e devido a necessidades financeiras. Homens recebem entre US$ 250 e 400 por uma cena simples (homem/mulher que envolva sexo oral e penetração vaginal)  enquanto os valores pagos para mulheres variam entre US$ 500 e 900.  Entretanto, atrizes e atores negros geralmente recebem menos. Uma atriz branca em início de carreira começa recebendo por volta de US$ 800 por cena enquanto uma negra nas mesmas condições irá receber 500.  A possibilidade de fazer várias cenas durante o dia (às vezes até três) e a flexibilidade do horário de trabalho atrai os novatos cujo o faturamento gira em torno de US$ 6000 a 8000 mensais. Para se ter uma idéia, uma professora de ensino fundamental numa escola pública de NYC recebe em torno de US$ 3800 mensais. Boa parte dos entrevistados também possuem educação superior e família estruturada algo que se contrapõe ao estereótipo do ator/atriz de filmes pornográficos como desviantes.

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A quase totalidade de produtoras estão localizadas na Califórnia, numa área próxima a Hollywood chamada San Fernando Valley e conhecida como Porn Valley. A maioria dos atores/atrizes mora nas redondezas de modo a diminuir custos de transporte e mostrar-se disponíveis a realizar vários trabalhos num curto espaço de tempo. É ali que também reside Lexington Steele (foto acima).  Steele é um dos mais famosos, requisitados e caros atores da indústria e em 2004, época do início da produção do livro de Ross, estava iniciando sua própria produtora, a Mercenary Pictures.  O empresário/ator tem uma história diferenciada de seus coworkers. Lexington era um stockbrocker (corretor de valores) trabalhando em Wall Street antes de se tornar ator.  Os valores pagos no emprego lhe proporcionavam ter um estilo de vida comfortável, mas o ritmo de trabalho - em torno de 60 a 70 horas semanais - não lhe permitiam tirar proveito do dinheiro que ganhava. Foi então que resolveu pedir demissão do emprego e se aventurar por outros ramos. Após perambulações chegou a indústria pornográfica onde seu pênis de 11 polegadas de comprimento (27.94 centímetros) e boas performances em cenas lhe garantiram um lugar de destaque. De acordo com Lexington, atores que mostram ter uma boa performance são mais requisitados e mantem-se por mais tempo na indústria. Atrizes tem uma carreira mais curta devido a alta rotatividade. Uma boa performance, para atores, significa ter ereções e mantê-las no decorrer do processo de gravação das cenas. Muitos atores quando tem uma carga elevada de trabalho - de duas a três cenas num mesmo dia - confessam usar drogas para dar conta dos compromissos utilizando Viagra e outros estimulantes sexuais.

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Uma das questões delicadas envolvendo o trabalho na indústria pornográfica diz respeito ao risco do HIV e o uso de preservativos. O uso da camisinha em filmes não agrada boa parte da audiência heterossexual e majoritariamente masculina. Isso força a que a quase totalidade dos filmes seja produzido/filmado sem o uso de preservativos. Atores/atrizes devem testar-se a cada 30 dias e apresentam seus testes antes de cada cena. Todo esse aparato é controlado e administrado pela AIM (Adult Industry Medical Care), mas mesmo assim há falhas e perigos. Foi o que aconteceu em 2004 no caso Darrem James, um ex ator negro (foto acima).  Nosso país entra no mapa da indústria pornográfica devido ao baixo custo da produção e dos atores - quando comparado aos EUA - e ao imaginário que gira em torno da beleza não só da mulher brasileira, mas gays e travestis também.  Entretanto, no Brasil não há - ao menos de acordo com Ross - nenhum orgão responsável por controlar/admnistrar as condições de saúde e exames dos profissionais atuando na indústria pornô.  Darren James e Mark Anthony, outro ator negro,  trabalharam no Brasil por duas semanas e ao voltar para os EUA fizeram seus testes de HIV cujo o resultado foi negativo. Voltaram ao trabalho e filmaram, dentre outras performances, uma cena juntos na qual faziam uma dupla penetração anal numa atriz canadense novata na indústria, Lara Roxx. No dia seguinte Lara acordou com febre e infecções. Após fazer o exame Roxx foi diagnosticada positivo para HIV o que gerou pânico na indústria e forçou a AIM a decretar a suspensão de todas as filmagens no Porn Valley por 60 dias até que se rastreasse quais e quantos eram os atores infectados e como o furo tinha ocorrido. No total 4 pessoas foram infectados (três atrizes além de James) e a suspensão das atividades foi reduzidas para 30 dias.

File:Sinnamon Love 6.JPG

A pornografia negra representa um mercado pequeno no universo da indústria pornográfica norte-americana majoritariamente branca. Entretanto, os estereótipos e imaginário sexual relacionado aos negros nos EUA potencializam as possibilidades de lucro. Ross mostra como a indústria já manteve relações bem sucedidas com o hip-hop. O vídeo Snoop Doog's Doggystlyle (2001)  do rapper Snoop Dog deu o pontapé inicial nessa tendência que foi seguida por outros rappers. O filme foi gravado  na mansão de Snoop em Los Angeles e o rapper apresenta as performances e canta no intervalo entre as mesmas.  Sinnamon Love (foto acima), uma das mais conhecidas e bem pagas atrizes negras, tem investido num universo pouco explorado por atores/atrizes negros: bondage (sadismo/dominação). Em um dos seus filmes, Love explorou uma técnica japonesa intitulada shibari.  Shibari é um verbo em japonês que significa "amarrar" e, nessa técnica, os genitais são envoltos com corda e/ou barbante e apertados causando prazer e dor. Danny Blaq - ator que mora em Washington DC - está envolvido na produção de vídeos caseiros e amadores. Ele filma a si mesmo tendo performances com casais ou apenas mulheres cujo os maridos o contratam e depois posta o material em seu site. Blaq afirma que muitos de seus clientes são casais brancos que tem fantasias sobre ter sexo com homens negros e resolvem fazê-lo de forma segura e que possam apreciar a parada na internet posteriormente.

Vale ressaltar que o avanço da Internet renovou de maneira exorbitante os lucros da indústria pornográfica e, ao mesmo tempo, pornografia é o negócio mais lucrativos da web como vários estudos tem mostrado.  Isso ocorre porque o material produzido pela indústria pornográfica é para ser consumido de forma privada e a internet fornece tanto privacidade como descrição. A Mercenary Pictures, de Lexington Steele, passou até mesmo a produzir uma linha voltada somente para mulheres uma vez que as mesmas, por conta das facilidades vigentes na rede mundial de computadores, se sentem mais à vontade para consumirem pornografia ao mesmo tempo que não encontram material que satisfaça seu gosto diferenciado dos homens.

 http://www.thefashionpolice.net/images/2008/10/29/black_patent_heels.jpg

Por fim, a fala de todos os atores e atrizes pornos entrevistados por Ross tem um eco de solidão e noção de que ocorre um processo de desumanização de seus corpos tanto por parte da audiência como da indústria.  Essa percepção surge quando os entrevistados afirmam ter poucos amigos e dificuldades de se relacionar afetivamente uma vez que poucos entendem, respeitam ou simpatizam com seu trabalho. Outras vezes namorad@s estabelecem uma relação de fã com seus/suas parceir@s reproduzindo estereótipos e criando falsas expectativas. A fala de Love resume a ponto ao qual me refiro: "People tend to think that porn people are sitting in a mansion in Beverly Hills in stilletos and a Brazilian G-string (espécie de biquini) waiting for someone to yell action. And that comes from them thinking that we're nonpersons. A lot of porn fans think we're beneath them in some sort of way". E essa percepção dos fãs, de acordo com Love, é responsável por fazer que a indústria heterrosexual de filmes adultos, diferente da indústria gay, não torne obrigatório o uso de preservativos. "Unfortunatelly, it's the fans' fault. They don't see us as human beings and instead see us as being the dregs of society, so they don't care what happens to us". A propósito, Love tem um diploma em psicologia pela University of Southern California.

Muita Paz!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Merda e Ouro

Merda é veneno
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam padres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.

http://unisinos.br/blog/ihu/files/2009/06/paulo-leminski-lotus.jpg

"Merda e Ouro", Paulo Leminski (1944-1989), em Distraídos Venceremos (1987), página 30.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Humor Tonto Para Gente Inteligente


 





 

 







segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais Uma da Série: "Mau Humor de Início de Ano"

Odeio essas férias forçadas de final/início de ano. Ok, quando eu tinha uma emprego comum de office-boy ou vendedor de parafusos numa loja de ferragens e, finalmente, professor universitário (que evolução!) a época de dezembro/janeiro significava libertação. Mas agora que sou mais um estudante que conta moedas acho um saco! Alguém irá dizer: "maluco chato, só fala isso para ser do contra". Bem, não é bem por aí...

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Você já parou para pensar que as melhores baladas não são necessariamente no final de semana, mas durante a semana? A mesma lógica cabe aqui: a melhor época para descansar e curtir não é no final do ano. Experimente ficar trabalhando no final do ano e trocar suas férias de dezembro por jullho e você verá que maravilha é. Ir pra uma churrascaria sem aquelas horríves confraternizações de "firma", dar um rolê na rua sem trombar com bêbados chatos que ficam ainda mais sentimentais no final do ano e fazer compras sem a aporinhação de músicas de natal ou lojas lotadas de gente mal educada que pisa no seu pé, corta a fila na cara dura, fala ao celular como se estivesse na sala de estar da sua própria casa e não educa direito as suas crianças que correm de um lado pro outro da loja e trombam com você como se o seu corpo fosse um poste no meio do caminho.

Festa de final de ano então sempre dá alguma m... Você cruza aquele cunhado "forgado" - em SP pronunciamos desse jeito mesmo - que  você não vai com a cara nem f..., tem que comer a maionese ruim da sua sogra e de toda cerveja arrecadada para a festa você ficando bebendo Kaiser quando levou três caixas de Original (obviamente que a Kaiser foi levada pelo seu cunhado querido e ele bebeu toda a Original naquela saída que você deu com o carro para comprar refrigerante para as crianças).  Pra completar, você, sendo corinthiano, tem o cunhado amado palmeirense, uma cunhada que não entende porra nenhuma de futebol, mas que diz simpatizar com o São Paulo e os sogros santistas. Depois da meia-noite, com todo mundo bêbado, eles resolvem colocar o VCR do clássico que o Timão tomou de três de um desses times só pra te deixar "P" da vida!

Aí vem a hora do amigo secreto... Bem, não é necessário muita experiência em amigos secretos para saber que você sempre dará algo bom e receberá algum lixo do tipo caixa de lenços, camisa amarela da Dorinhos ou um chaveiro com o seu nome escrito errado. Por fim, o cunhadão e a cunhada ficam bem locos ao final da festa e sua querida esposa pede pra você levá-los para casa primeiro, já que toda a família receia que o vagabundo não está em condições de dirigir. Problema: você está no fundão da zona leste, o maluco mora em Cotia e você em Diadema. Ok, você coloca o casal e as três crianças no seu carro e no meio do caminho sua cunhada começa a brigar com o lixo do seu cunhado por ele ter bebido e feito ela passar vergonha na frente da família. O trutão retruca, diz que está legal e ameaça sentar a mão na cara da mulher, mas antes disso solta uma "gorfada" e vomita dentro do seu carro que até aquele momento era zero. Imagina fazer a viagem de volta pra sua casa com aquele cheirinho?!

Ano novo e você vai pra onde? Long Beach, of course! Fila na padaria, fila no supermercado, falta d'água, vagabundos da sua área que você sabe que são do Partido e que ficam olhando pra bunda da sua nega que insiste em usar aquele shortinho comprado pro carnaval baiano antes mesmo de vocês se conhecerem, os vizinhos que ouvem funk carioca e axé music dia e noite e, pra completar a festa, você encontra no balcão do bar que fugiu pra tomar uma em paz o seu chefe que convida você e a famíla para passar o revellion no AP que ele alugou pra família. Obviamente que não preciso dizer que você levou três horas para descer a serra e vai levar outras três para subir...

Sendo assim, no primeiro dia de trabalho do ano como hoje, 4 de janeiro, você dá o ponta pé inicial a correria mais cansado do que há quase duas semanas atrás quando entrou no seu famigerado recesso de Natal e Ano Novo! Faça como eu, mude suas férias para julho. Feliz 2010 que já começa meio zoado...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um Brinde a Janeiro!

Estou feliz, muito feliz! Toda essa papagaiada de final de ano acabou. Amanhã tudo volta ao normal e podemos retornar a nossa vidinha medíocre novamente sem os irritantes "feliz natal", "próspero ano novo" e outras frases feitas que nos acompanham por ao menos vinte dias nos momentos agonizantes de cada ano. Não tomem como algo pessoal, agradeço cada voto que me foi enviado por amig@s e desejo o mesmo a tod@s. Entretanto, pessoalmente, não sou fã de finais de ano com suas festas dionísicas e alegria fake.

 http://astro.airynothing.com/phd010208s.gif

Esse ano, para minha sorte ou azar (vai lá saber!), tive um dezembro bem atípico. Não fui para o Brasil, fiquei nos EUA passando frio e fugi de New York. Desde semana passada estou em Washington DC na casa de um amigo lendo, escrevendo e discutindo sociologia econômica. Meu amigo encontra-se na mesma situação que a minha: enrolado com as obrigações da grad school e terminando um doutorado cujo o processo de escrita da dissertação o impediu de ir para o "país tropical abençoado por Deus" parafraseando Jorge Ben.  Nossa rotina aqui é aquela clássica de estudante maluco: dormimos durante boa parte do dia e à noite - que por aqui, no inverno, já começa às 4 da tarde quando escurece - vamos para algum café com nossos laptops disputar uma mesa de trabalho entre chícaras de café, algumas brejas e sanduíches.


 

Há uma semana e meia, quando terminei meu semestre na New School com três malditos papers redigidos em menos de duas semanas, retirei vários livros da biblioteca para relaxar entre romances, livros de poesias e algumas leituras mais críticas como a delícia de livro de bell hooks sobre feminismo. Nada melhor do que ler sem a pressão de aulas e papers. Ler apenas por prazer é algo, às vezes, mas nem sempre, melhor que sexo (ok, quem não é grad student não vai entender muito bem isso).  Mesma coisa pode ser dito a respeito de escrever sobre coisas que se está realmente a fim de escrever e não por pura obrigação. Cada vez mais percebo que a pós-graduação nos EUA exige que tenhamos brilhantes insights para papers semestralmente. O problema é que fazendo três disciplinas a cada semestre por dois ou três anos envolve ter um estoque relativamente grande de idéias fenomenais, o que literalmente enche o saco e estressa a vida de qualquer famigerado estudante. Em uma palavra, a coisa a ser aprendida na grad school por aqui é "be pragmatic". Deixe as grande idéias para depois e faça o razoável para conseguir um A. Mas eu estava falando do final de ano, né?!...

Pois é, domingo volto pra New York Shit e na segunda já estarei com minha bunda na Bobst Library  estudando e viajando diariamente nos trens sujos da MTA. Mais um ano de estresse, dinheiro curto, pouca diversão, muita leitura, muitos planos e alguns escritos no blog. Welcome to a grad student life! Exciting???